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Prima bailarina negra Misty Copeland faz sua estreia no Calendário Pirelli

Albert Watson/Divulgação
Misty Copeland posa para o Calendário Pirelli 2019 Imagem: Albert Watson/Divulgação

Flávia Guerra

Colaboração para Universa, de Milão

08/12/2018 04h00

A modelo Naomi Campbell comentou, durante o lançamento do Calendário Pirelli 2018 - que trouxe uma versão de "Alice no País das Maravilhas" protagonizado por um elenco todo negro -, que esperava que as pessoas tirassem dali inspiração para ?irem aonde desejassem na vida e nunca desistir porque um dia elas mesmas poderiam acabar no mais célebre calendário do mundo". Certamente a top, que já foi clicada em quatro edições da "folhinha", não imaginava que no ano seguinte, a personificação desse sonho seria uma das protagonistas da festa: Misty Copeland.

A bailarina, primeira afro-americana titular do American Ballet Theatre, uma das principais companhias de dança dos Estados Unidos, estava, para dizer o mínimo, exultante. Ela não se importava se poderia rasgar seu vestido Roberto Cavalli ao abraçar os convidados e até mesmo os jornalistas que lotaram o Hangar Bicocca, em Milão. ?Estou muito feliz de estar aqui. Eu não faço ideia de como vai ser a festa. Só entro no carro e vou! Mas sei que vai ser linda. Estarei ao lado de pessoas muito especiais?. Uma dessas pessoas era Halle Berry, a primeira atriz negra a ganhar o Oscar de Melhor Atriz em 2001 por "A Última Ceia", que ganhou, evidentemente, um super abraço de Misty.

Em entrevista à Universa, a bailarina disse querer mostrar que não é um modelo perfeito a ser seguido, mas que sua vida, marcada pela infância em um bairro pobre, em uma família de seis filhos criados apenas pela mãe, é fonte de inspiração para muitas meninas em todo o mundo.

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Misty Copeland em clique para o calendário Imagem: Albert Watson/Divulgação

Ela carrega tão bem esta responsabilidade que já escreveu dois livros sobre sua vida. Considerada uma criança prodígio e firme no propósito de brilhar na carreira, Misty foi laureada pela revista Time uma das personalidades de 2015.

Como você sente a responsabilidade de ser uma bailarina negra, alcançar tantos méritos e inspirar garotas em todo o mundo? O Brasil, por exemplo, é um país onde muitas meninas negras querem seguir carreira no balé clássico. 
Antes de mais nada, a beleza da arte e do balé clássico em particular é que há muitas etnias, países e culturas que fazem parte dele. E é isso que faz do balé o que ele é. Como é uma arte originalmente europeia, a gente sempre cai na questão ?de onde é?. E para mim, a questão central é que não importa de onde você é ou a cor de sua pele, e sim, que no balé você se torna um personagem. E é isso que me tornei no Calendário. É incrível ser convidada para fazer parte desta história, deste legado.

Albert Watson/Divulgação
Misty Copeland e o bailarino Calvin Royal III Imagem: Albert Watson/Divulgação

O Calendário evoluiu no que diz respeito ao que querem as mulheres? 
Sim. Antes, ele mostrava as mulheres como modelos e seus corpos. Então, evoluiu para ?estamos lutando por algo? e seguiu até o tema de "Alice no País das Maravilhas", com aquelas figuras icônicas negras. Foi quando eu disse que adoraria fazer parte disso. Eu sou uma bailarina e aceito que sou um modelo a ser seguido, mas acho que estar neste calendário e ser retratada como uma stripper vai fazer com que algumas pessoas pensem: ?não é o que ela deveria mostrar para meninas."

Esta discussão é importante.
Sim! Ser um exemplo a ser seguido não significa ser perfeito. Esta é a discussão que devemos ter. É sobre a jornada que queremos traçar para sermos quem queremos ser. E não há jornada certa ou errada. Há o sonho e há a oportunidade também. E é isso que é ser um exemplo. Por tudo isso, é incrível fazer parte deste calendário.

Calendário Pirelli 2019

Universa