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Síndrome da impostora no sexo: acabe de uma vez por todas com esse mal

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Até mesmo a mais bem resolvida das mulheres tem pensamentos do tipo "não tenho muita experiência sexual" e "sou gostosa o suficiente?" Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

05/12/2018 04h00

A síndrome da impostora é um problema que costuma afetar a vida de muitas mulheres no campo profissional, por acharem que nunca são boas o suficiente para desempenhar certas tarefas e que não têm competências nem habilidades que cheguem aos pés dos colegas de trabalho. O pior é que essa sensação aterrorizante raramente corresponde à realidade, mas atormenta o suficiente para qualquer uma duvidar das próprias capacidades.

No sexo, a síndrome da impostora também costuma dar as caras. É comum que, de vez em quando, até mesmo a mais bem resolvida das mulheres enfrente pensamentos do tipo "não tenho muita experiência sexual", "sou gostosa o suficiente?", "não sei se devo falar o que quero", "será que ele está curtindo?" e "tomara que eu consiga gozar".

Uma vez ou outra, tudo bem sentir receios como esses. Afinal de contas, ninguém ostenta uma autoestima 100% elevada o tempo todo. E fatores como início de relacionamento ou uma fase complicada na vida pessoal contribuem para alimentar o medo e a insegurança. O perigo é quando questões como essas pairam na mente de uma mulher com frequência, levando-a a se sentir uma espécie de "fraude" entre quatro paredes e atrapalhando seu prazer.

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A boa notícia é que é possível, sim, controlar esses momentos de vulnerabilidade. Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a primeira atitude é mudar a relação com a própria autoestima. "A síndrome da impostora no sexo é fruto da descrença feminina no próprio potencial. As mulheres precisam aprender a gostar de si mesmas, a se acharem bonitas como são e, principalmente, a pararem de se comparar com as outras, principalmente com celebridades de beleza retocada que ela julga serem maravilhosas na cama", afirma. "A vida real não é como nas fotos, nos filmes ou nos seriados, por isso é bom se livrar de ideias fantasiosas", ressalta.

Gostar de si mesma

É preciso ter consciência de que corpo perfeito não existe --e, ainda que existisse, isso não faz a menor diferença no sexo. "As mulheres nunca estão satisfeitas com seus atributos e isso se reflete, e muito, na cama. Elas estão mais preocupadas com o que o parceiro vai ver do que com o que vai acontecer de fato. Nossa autoimagem nos consome a um grau tão alto que quase nos enlouquece! É realmente necessário acordarmos para o mal que essa mania de magreza nos causa e tomarmos uma decisão consciente: não vamos ser escravas de conceitos impossíveis de atingir! Resumindo: o cara está lá, numa boa, relaxando, gozando feliz, e a gente está tensa, preocupada se ele está vendo nossas gordurinhas a mais!", declara Tatiana Presser, psicóloga, sexóloga e autora do livro “Vem Transar Comigo” (Ed. Rocco).

Preocupação com o outro

Outro fator por trás da síndrome da impostora no sexo é a preocupação excessiva com o prazer do outro. Um pouco de egoísmo, acredite, só vai fazer bem. De acordo com a psicóloga Rejane Sbrissa, de São Paulo (SP), muitas mulheres ainda são reféns de crenças antigas e machistas que pregavam que para ser boa de cama é preciso fazer certas coisas que os homens supostamente gostam.

"Daí querem agradar o parceiro, nunca a si mesmas", observa. "Primeiro é preciso se agradar e saber como obter prazer, para depois dá-lo a alguém. Independentemente de ser uma relação casual ou não, deixe de ter vergonha e fale o que a agrada ou não", sugere Rejane. Na opinião de Marina, a maior parte dos homens adora ajudar a mulher a entrar no clima e sentem tesão em saber que, ao abrirem o jogo, a parceira está à vontade e disposta a ter e dar prazer.

Obrigação do orgasmo

O terceiro fio condutor das paranoias e inseguranças é a obrigação de gozar. "É preciso acabar com essa ditadura do orgasmo que muitas impõem a si mesmas, porque não existe regra. Não é em toda transa que a mulher consegue gozar. Isso tem a ver com a situação, a preparação, o contexto, o tratamento do outro, se ela está muito excitada ou não, se o romance vai bem ou não... Há muita coisa para se levar em consideração, inclusive questões físicas, como o cansaço", conta Marina.

Portanto, ninguém deve se cobrar ter orgasmos em toda relação. O ideal é relaxar, aproveitar o "durante" e curtir o momento, sem ficar tensa querendo saber se vai chegar lá. "O orgasmo feminino é misterioso, até porque não é só ele que proporciona prazer durante a relação. A mulher pode ter picos de prazer e não saber identificar se esses picos são ou não um orgasmo. Como se não bastasse, nosso prazer varia muito de transa para transa e até durante o ato em si, já que podemos nos excitar facilmente da mesma forma com que perdemos totalmente o tesão", explica Tatiana. Portanto, caso as coisas não saiam do jeito que você imagina, nada de se jogar no mau humor ou na frustração: tenha em mente que às vezes não adianta insistir e tudo bem.

Decisões ruins

Para finalizar, Rejane lembra que os anseios causados pela síndrome da impostora na cama podem conduzir a decisões ruins, como deixar rolar só porque o cara quer ou simular o gozo. "Não se relacione sexualmente se não tiver vontade nem faça do fingimento uma rotina, pois a chance de você começar a acreditar que nunca sentirá prazer de verdade é grande", fala.