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Como terminar uma relação a três? Veja histórias de quem formou um trisal

@zoodojoo
Caio, 24, estava em um relacionamento a três quando passou pelo término e viu as outras duas pessoas começarem a namoar Imagem: @zoodojoo

Natália Eiras

Da Universa

05/12/2018 04h00

Uma relação a três pode ser muito parecida com a de um casal convencional em vários aspectos: é preciso, por exemplo, casar a rotina e respeitar os sentimentos de todos os envolvidos. As semelhanças continuam quando a relação chega ao fim. Porém, se já é difícil dizer que acabou em uma dupla, um trisal pode ter o dobro de complexidade --e drama-- na hora do rompimento. Respeitar acordos feitos previamente e sinceridade são alguns dos pontos importantes das pessoas que passaram por esse tipo de situação. Elas conversaram com a Universa sobre o que viveram. Veja histórias:


Veja também: 

"Eles não respeitaram o acordo"

"Eu e Alberto* já namorávamos há quatro anos. Morávamos juntos e, depois de um tempo, começamos a nos relacionar sexualmente com outros garotos. A gente conheceu o Renato* em uma dessas relações, mas a gente começou a se apegar e viramos um trisal. Nós três namoramos por, mais ou menos, uns quatro meses. A princípio foi bem gostoso, nós conseguíamos conversar sobre tudo o que a gente gostava. A gente não se via sempre, mais no fim de semana, porque ele estudava a semana toda. Por isso, nós não tínhamos tanto convívio com ele, por causa da rotina do Renato, que era muito diferente da nossa. Antes de eu e Beto decidirmos entrar em um trisal, nós conversamos bastante porque, inicialmente, éramos um duo e queríamos priorizar isso, já que dividíamos uma casa e uma empresa. Chegamos ao acordo de que se a gente terminasse algum dia, nenhum de nós dois ficaríamos com o Renato. E caso a gente tivesse que terminar com o Renato, a gente conversaria com ele e priorizaríamos nós dois. E, de fato, a relação do trisal acabou porque eu e Alberto terminamos. Mas não foi respeitado o combinado de que nenhum dos dois ficarem com o Renato, porque eles continuaram a relação. Apresentou para a família dele e tudo. A preocupação maior quando se está em um trisal é se rolar um desequilíbrio no amor, o sentimento acabar tendendo mais para um lado. Quando saí de uma relação trisal, não perdi só um namorado. Perdi toda uma rotina. Porém, o término do trisal foi irrelevante, porque eu tinha terminado com o Alberto. Para mim, o Renato não era tão parte do relacionamento, mas acho que ele foi mais importante para o Alberto do que para mim. Mas, no fim, eles terminaram quando perceberam que, na realidade, não se conheciam tão bem assim, e eu e o Alberto voltamos."

Caio Rincon, 24, empresário, de São Paulo (SP)

"Eram duas pessoas terminando com uma terceira"

"Eu tive um relacionamento por sete anos. No terceiro ano, a gente teve um período de estar com uma terceira pessoa por três meses. Era um trisal de duas mulheres e eu. Porém, quando a minha companheira original foi viajar por dois meses, ela pediu para que a gente terminasse o relacionamento com a outra menina. A conversa do término foi estranha, porque eram duas pessoas que iam terminar com a terceira. Era uma situação de peso. É claro que a outra pessoa vai se sentir mal, mas também vai se sentir na obrigação de entender porque, afinal de contas, já existia um relacionamento anterior. No meu caso, foi perceptível que não dava certo porque a minha companheira da época demonstrava que não estava a fim de estar em um trisal, que ela estava se esforçando para que aquilo desse certo, mas que não era por ela. A terceira pessoa ficou bem chateada, mas ela se sentiu como tivesse que acatar aquela situação. Para mim, a melhor abordagem é sempre levar com sinceridade e ter a compreensão de que um trisal é uma situação complexa por si. Se já é difícil lidar com uma pessoa só, com duas é mais ainda. E terminar um trisal é complicado em dobro."

A. Menezes, 31, produtor de conteúdo, de São Paulo (SP)

"Clima ficou pesado"

"Já tive dois relacionamentos em trisal. A vontade de se relacionar com outra mulher veio de mim, porque sou bissexual, e meu marido topou. Começamos a sair com uma menina em uma certa rotina, mas, em um certo ponto, a relação ficou bastante intensa e começou a incomodar o meu marido. Foi meio traumático para mim, porque eu gostava bastante dela, demorei cerca de dois anos para digerir essa situação. Porém, com o tempo, meu marido quis conhecer outras garotas novamente e eu o deixei à vontade. Ele me contou sobre uma menina que conheceu, mas eu resisti em conhecê-la porque não queria me magoar novamente. Mas, eventualmente, topei conversar com ela pelo WhatsApp e nos conhecemos pessoalmente. Ela falava muito com a gente, criando expectativas de criar uma conexão grande. Criou-se um laço e começamos a sair muito. Ele estava muito alinhado com ela, ele que estava afim dela. Eu estava mais ou menos, mas estava curtindo também. Naturalmente, começou a nascer um vínculo, até o momento em que ela começou a se sentir mal. Ela dizia que o meu marido não a tratava como ele me tratava. Comecei a me sentir incomodada, porque eu estava muito a fim dela e ela, dele. No fim das contas, ele não estava na mesma que a dela. Foi quando começou a degringolar a coisa. O relacionamento durou seis meses no total. No fim, o clima começou a ficar pesado, chato, e a gente deixou acabar. Mas eu acho, sim, que é possível construir uma relação a três. Porém, isso depende de um alinhamento de sentimentos e maturidade muito grande e, infelizmente, comigo acabou nunca sendo equilibrado."

Isabela, 27, designer, de São Paulo (SP)

"Comecei a perder meu espaço na relação"

"Tenho um casamento aberto e comecei a ficar com um colega de trabalho. Ficamos mais ou menos uns dois meses juntos e eu estava superenvolvida. Com o passar do tempo, comecei a notar uns comportamentos estranhos e descobri que, supostamente, minha amiga (também do trabalho) estava dando em cima dele. Inicialmente fiquei numa boa, já que sou adepta do amor livre, mas, quando fui conversar com ela, a história era bem diferente. Ele que estava fazendo de tudo para ficar com ela. Tentei não dar bola, já que ele não era meu namorado. Inicialmente, eu propus o trisal, já que sou bissexual e a minha amiga estava curiosa e queria experimentar. O rapaz nunca tinha feito ménage, e obviamente queria. Mas depois descobri que ele tinha planos diferentes com ela, e me excluía deles. Aos poucos, comecei a perder meu espaço na relação. Fiquei muito magoada e pulei fora antes que fosse tarde demais, e me afastei dos dois. Eles continuaram juntos por muito tempo, e eu ainda trabalho com ambos. Já faz um ano que tudo aconteceu e ainda não me sinto bem, ainda mais porque perdi outros amigos no ambiente profissional."

Carolina, 31, estudante de letras, de São Paulo (SP)

*Nomes dos personagens alterados para preservar a privacidade deles