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5 vezes em que Pabllo Vittar deu aula sobre a importância de ser drag queen

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Da Universa

27/11/2018 18h10

"A Pabllo Vittar foi longe demais". Com certeza você já deve ter visto essa frase enquanto rolava nas redes sociais, muitas vezes acompanhada de alguma fake news envolvendo o nome da artista. E ela efetivamente está indo longe demais, mas nos melhores dos sentidos.

Em uma era da música brasileira em que se ouve falar muito sobre Anitta, Pabllo também tem conquistado seu espaço não só aqui no Brasil como no exterior.

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Citada em matérias de veículos renomados, como o "The New York Times", a cantora é uma das principais brasileiras que usam a fama para participar de discussões importantes a favor dos direitos e da visibilidade da comunidade LGBTQ.

A partir disso, reunimos cinco vezes em que Pabllo Vittar deu uma aula sobre por que considera importante ser uma drag queen nos dias de hoje:

1. “Se você se esconder, vai ser pior”

Em entrevista à Serginho Groisman, no programa “Altas Horas”, Pabllo emocionou os telespectadores ao relembrar alguns episódios da sua infância, época em que começou a sofrer com os comentários pejorativos feitos pelos seus colegas de classe.

“Da 5ª série até a 7ª eu estudava numa escola no interior do Pará. Foi muito difícil porque eu tinha 10 anos, uma criança gordinha, afeminada do cabelo grande, chega naquela sala com um monte de gente”, relembrou.

No bate-papo, a cantora relembrou uma conversa que teve com sua mãe, que a orientou a enfrentar o preconceito em meio ao medo da opressão da qual era vítima.

“Eu não tinha a quem recorrer. Tinha minhas irmãs que estudavam comigo. Os professores não faziam nada, a diretora não fazia nada. Eu lembro de ter chegado em casa chorando, muito triste: ‘Mãe, não quero ir pra escola mais'. Então minha mãe falou: ‘Pabllo, você vai amanhã pra escola sim, porque a sua vida inteira vai ser desse jeito. Se você se esconder, vai ser pior.”

2. “O que faz meu trabalho valer a pena é mudar a vida das pessoas”

Estrelando um tutorial de maquiagem lançado pela revista “Vogue” norte-americana nesta terça-feira (27), a artista aproveitou o espaço para, além dos ensinamentos sobre maquiagem, reafirmar seu intuito como personalidade LGBTQ na cultura brasileira.

“Ser uma artista LGBTQ no Brasil é incrível. Trazer representatividade para as escolhas, cidades. Eu lembro quando eu estava crescendo e não tinha ninguém para me espelhar e isso era muito difícil. O que faz meu trabalho valer a pena é mudar a vida das pessoas.”

3. “Temos um trabalho a fazer: nos unir como pessoas”

Capa da “Paper Magazine”, revista de cultura nova-iorquina, a brasileira foi questionada sobre a possibilidade de não fazer drag, algo que ela definiu como se sentir um “pássaro longe do ninho”.

"Se eu não pudesse fazer drag, cantar ou fazer o que eu faço, eu me sentiria muito triste. Eu seria um pássaro longe do ninho. Foi muito difícil no começo. Eu sempre sonhei em ser capaz de atuar, estar em um palco, cantar e fazer arte, mas ao mesmo tempo eu não tinha muita esperança por causa de todo o bullying que eu tinha passado. As pessoas na escola diziam que eu nunca seria alguém, e por muito tempo na minha vida eu acreditei nisso”, disse à publicação.

E se alguém ainda pensa que a Pabllo vai embora do Brasil, ela já tinha deixado claro há muito tempo que isso não vai acontecer.

“Se eu pudesse ter escolhido onde nasci, eu teria escolhido nascer aqui de qualquer maneira, porque as pessoas LGBTQ+ no Brasil são muito fortes. Não quero dizer que a comunidade não seja forte em outros lugares, mas aqui temos um trabalho a fazer: nos unir como pessoas”

4. “A arte foi um caminho que encontrei para me expressar”

Pabllo foi convidada pela “Billboard”, veículo de música mais importante do mundo, para escrever uma carta para a comunidade LGBTQ em junho de 2018.

Nela, a artista ressaltou a invisibilidade que ainda existe no Brasil, mesmo que o país seja a sede da maior parada LGBTQ+ do mundo.

“Muitos de vocês não sabem quem sou, mas deixa eu me apresentar: sou um cantor gay e também uma drag queen em um país extremamente preconceituoso, o Brasil. Vamos conversar sobre ironias? Por mais que a visão que as pessoas têm de morarmos em um país alegre, divertido e com a maior parada LGBTQ+ do mundo também é o país que mais nos mata (dados da Anistia Internacional).”

Além disso, a maranhense citou a arte como um meio de expressar tudo o que sempre sentiu e de inspiração para outras pessoas.

“A arte foi um caminho que encontrei para me expressar e através dela tive a oportunidade de fazer turnês, programas de TV e colaborar com outros artistas que admiro. Espero que de alguma maneira eu também inspire outras pessoas a serem elas mesmas, independente do medo e de as coisas ruins que nos rodeiam. Não é fácil, mas juntos nossas vozes soam mais alto enquanto mais barulho fizermos, mais difícil será para ignorarem nosso pedido de igualdade.”

5. “Ser afeminado é revolucionário”

Em uma sociedade em que a feminilidade ainda é vista como sinônimo de fragilidade, Pabllo, que não tem problema em desfilar de asa-delta pelas praias do Rio de Janeiro, ressaltou ao jornal "Extra" o valor da transformação, como drag queen.

“Ser afeminado é revolucionário! Eu amo ter nascido menino gay! Adoro ser veado, drag queen! Nunca quis ser mulher. Poder me transformar é maravilhoso! Sou fluido. Você pode se referir a mim como 'o' ou 'a', sem problemas. Mas, quando fico um tempão me montando, é para me chamar de 'ela', né (risos)? A verdade é que, quanto menos a gente se ligar nessas questões, mais as diferenças serão respeitadas.”