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Autoestima

Elas mudaram de carreira, de marido e de estilo de vida após os 50 anos

Gal e Aluizio/Divulgação
Marilice Carrer tornou-se modelo depois dos 50 Imagem: Gal e Aluizio/Divulgação

Roseane Santos

Colaboração para Universa

26/11/2018 04h00

É comum ouvir as pessoas comentarem a transformação na vida da jornalista Fátima Bernardes. Ela tomou um rumo novo na carreira, terminou um casamento de anos e exibe o novo amor com o mesmo vigor de adolescente. Tudo isso depois de uma idade que muitos não acreditavam mais em tantas mudanças. Hoje aos 56 anos, atuando como apresentadora nas manhãs da Globo, ela pode ser considerada um símbolo da mulher de sucesso.

Assim como Fátima, muitas mulheres tiveram mudanças radicais depois dos 50 anos de idade, provando que a maturidade não é mais um tabu. Procuramos exemplos bem distintos de quem começou de novo e atualmente comemora o fruto da própria coragem. Elas nos contaram as histórias e o que as levou a uma mudança radical, retomando a energia e autoestima.

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"Me tornei modelo aos 50 e ainda ajudo outras pessoas"

"Eu era uma executiva na área de telecomunicações e com as privatizações acabei perdendo o emprego. Depois disso, eu tentei trabalhar em outros lugares e ser profissional liberal, mas nada deu certo. Nessa mesma época, o meu marido morreu vítima de um câncer fulminante. Durante dois anos fiquei só cuidando nele. Com a minha tristeza e baixa autoestima, logo me apareceu uma doença crônica no pulmão. Os médicos queriam me operar, mas eu me recusei a fazer a cirurgia. Busquei alternativas para melhorar a qualidade de vida. Como não poderia ficar pegando  resfriados, precisava proteger minha imunidade. Moro no Rio Grande do Sul, onde o inverno é intenso, e fui para o Rio de Janeiro passar alguns meses até o período de muito frio passar. Já tinha feito um curso de modelo da maturidade aqui, porque na adolescência queria seguir essa carreira, mas não consegui porque tinha que trabalhar e meus pais não tinham condições financeiras. 

No Rio, de tanto elogio que eu recebia, acabaram me convidando para participações em programas de TV. Em um deles, conheci a Dayse Brasil, que participava do projeto senhoras do calendário. Ela me apresentou para o produtor Eduardo Araújo que me levou para o concurso Miss da Maturidade. Em outubro de 2010, ganhei o concurso. Desde então comecei a participar de vários comerciais, fiz também participação em filmes e já fui cinco vezes para fora do Brasil concorrer em concursos de beleza. Acumulo 40 títulos. Hoje dou curso de modelo e manequim para a terceira idade e coordeno o grupo Divas da Alegria. Através da dança e música levamos o carinho para asilos e várias intuições".

Marilice Carrer, 59 anos, modelo

"Comecei a correr depois dos 50: hoje tenho três troféus e muitos amigos"

?Tudo começou quando me separei, aos 52 anos. Sempre fiz ginástica a minha vida inteira, mas nunca gostei de correr. Não corria nem para pegar ônibus. Sempre fazia caminhadas, mas um dia caiu uma chuva e dei uma boa corrida para chegar em casa. Eu então percebi que tinha fôlego para correr e tomei gosto. Iniciei um percurso de cinco quilômetros por dia. Uma amiga minha de trabalho sugeriu participar nessas corridas de domingo, comuns no Aterro do Flamengo (no Rio). Me animei e fui. Notei que a minha disposição mudou, estava sempre querendo correr e feliz da vida. Só que com um tempo, eu me senti um pouco sozinha. Procurei uma assessoria esportiva, não com o objetivo de competir e sim de ter um grupo, fazer amigos, ter prazer e lazer. Eles começaram a me incentivar muito. Quando foi em 2013, estava me preparando para uma corrida em Florianópolis e foquei em um treino mais específico. Desde então corri várias meias maratonas, inclusive uma internacional, em Buenos Aires. Em 2019, estou planejando fazer a do Chile. Já tenho três troféus, mas o importante é participar. Hoje tenho muita mais disposição e muitos amigos, grande parte mais novos que eu, mas que me dão força e são parceiros. O meu lema é correr, lazer e prazer?.

Sônia Maria Oliveira, 62 anos, aposentada.

"Um novo trabalho, um novo endereço, um novo marido, uma nova vida"

?Em 2012, aos 47 anos, eu retirei meu útero por conta de um sangramento interminável causado por miomas.  Ele foi para a biopsia e aí então veio à surpresa. Um tempo depois, meu médico me ligou e pediu para eu ir com urgência para uma consulta. Foi descoberto um câncer no endométrio, que raramente acontece em uma mulher da minha idade. Lembro que cheguei a casa e contei para o meu marido. Estávamos juntos há 24 anos e com duas filhas, uma de 12 anos e outra de 14. Ele falou que iria ficar tudo bem e foi jogar tênis. Não demorou muito para a separação acontecer. Passei por uma segunda cirurgia e retirei seis órgãos: ovários, trompas e todos que eram dependentes hormonais. Depois ainda tive que me submeter a oito quimioterapias. Foi um ano de tratamento até me recuperar. entrei em uma menopausa severa, com todos aqueles sintomas que se pode imaginar. Nesse período, outros desafios apareceram na minha vida, primeiro a separação, em seguida precisei deixar o apartamento onde morava. Eram tempos de Olimpíada e os aluguéis estavam nas alturas. Depois ainda passei por outro despejo, minhas filhas perderam a vaga no colégio que estudavam por conta de notas baixas. Uma loucura.

No meio disso tudo, uma coisa boa aconteceu. Uma assessoria de imprensa, função a que me dedicava, ganhou a conta das Olimpíadas e me chamou para ser gerente de atendimento. Eles compraram a empresa que eu tinha e fui trabalhar em uma superestrutura para atender aos jogos. Ali tive uma melhora. Um dia, estava no trabalho e veio uma mensagem de um colega de colégio falando que estava em São Paulo, mas indo para o Rio de Janeiro e queria fazer uma reunião de amigos. Eu falei que estava sem carro e um ex-namorado que viu a mensagem no grupo me ofereceu carona. Depois de 35 anos, nunca mais tínhamos nos visto. No dia seguinte, ele mandou uma mensagem: Foi bom te ver. Depois de um mês, tomamos um café e resumindo, começamos a nos relacionar de novo. Em nove meses, nos casamos uma cerimônia em Miami, com vestido empresado e buquê oferecido por uma amiga.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Depois que passei por tanta coisa, comecei pensar em mim com 50 anos. Eu coloquei na cabeça que tinha que estar bem. Passei a colocar todas essas minhas histórias nas redes sociais. Com essa exposição, surgiu a hashtag #Atitude50, com o objetivo de abordar temas ligados ao envelhecimento feminino. Hoje, eles se desdobraram num programa de entrevistas no YouTube, que gravo em meio ao ofício de captadora comercial para duas agências de comunicação. Nunca pensei ser influenciadora digital. Logo eu, que só promovia terceiros. Agora estou aqui, um novo trabalho, um novo endereço, um novo marido, uma nova vida".

Kika Gama Lobo, 54 anos, youtuber