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Voltar com o ex dá certo? Elas contam histórias com um segundo final feliz

Claudia Dias

Colaboração para Universa

26/11/2018 04h00

Uma história que acabou no passado pode dar certo em uma segunda tentativa? As opiniões se dividem. Voltar com o ex nem sempre dá certo, é verdade. Mas, em muitas situações, quem aceita resgatar uma relação antiga reencontra a felicidade e tem histórias bonitas para contar, como essas mulheres que compartilharam suas experiências.

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O que a distância separa...

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Foi aos 15 anos que a decoradora Estela Curioni, hoje 43, se encantou com o então estudante de engenharia elétrica Abel Souza, 45, à época com 17. Era 1990 e a cidade, Leme, interior paulista, onde ela morava e ele tinha parentes. "Eu o achava incrível, porque estava onde eu queria estar (na faculdade) e tinha uma conversa que eu não ia ter com outra pessoa", derrete-se. Ficavam juntos tanto quanto os pais permitiam, mas a distância entre as cidades atrapalhou -- ele estudava em Campinas.

Optaram por acabar o namoro e a vida trouxe novos relacionamentos para os dois. "Quando ele estava saindo da faculdade, me ligou, do nada, pedindo para eu checar se havia vagas de emprego na faculdade que eu estava cursando, de engenharia civil, em São Paulo. Voltamos a conversar muitas vezes por semana e, depois de um tempo, ele resolveu vir para a gente se encontrar", diz sobre o contato, cinco anos depois da primeira relação.

O namoro não foi retomado na sequência, mas Estela sentiu rapidamente que a conexão não havia se perdido. "Não ia deixar o que passou aos 15 passar de novo, aos 20", relata. Mais seis anos se passaram e, em 2001, os dois se casaram. Gabriel e Vitor, os filhos, chegaram em 2005 e 2007, respectivamente. 

Orkut resgatando um namoro

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Quando as redes sociais ainda não tinham se tornado tão boas casamenteiras quanto são hoje, a empresária Melissa Sessak Ribeiro, 40 anos, viu um relacionamento que teve há 10 anos ganhar nova perspectiva, graças ao extinto Orkut. "Conheci o Marco quando eu tinha 16 anos, um dia antes do aniversário de um amigo e, na festa, já começamos a namorar", diz sobre o marido Marco Aurélio Ceranto, 44 anos, advogado. A relação durou três meses.

Eles moravam em cidades diferentes no Paraná (Melissa em Apucarana e Marco, em Londrina) e a distância atrapalhou. "Não teria vingado naquela época. Éramos muito novos e imaturos", avalia. Durante a década de separação, os dois tiveram relacionamentos sérios e se viram poucas vezes. O reencontro foi virtual.

"Ele estava fazendo um curso nos Estados Unidos e me achou no Orkut. Começamos a conversar por lá, depois por telefone e eu fui buscá-lo no aeroporto, quando retornou", lembra-se. Apesar das conversas já sinalizarem para algo mais sério dali em diante, Melissa recorda-se que queira confirmar "ao vivo" se a empatia se confirmaria na questão da pele também. "Precisava saber se seria legal estar junto de novo, o que me motivou a dar uma segunda chance", avalia. Deu tão certo que o casamento aconteceu um ano e meio depois, já dura 12 anos e trouxe mais duas pessoas para o mundo - os filhos Júlio, de 8 anos, e Pedro, 3. 

Vizinhos, sim; mudança, não

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Era Natal de 1999 quando Patrícia Ribeiro de Andrade, técnica de enfermagem, e Alessandro Cavalcante Pimentel, gerente de logística, trocaram o primeiro beijo e começaram a namorar. Vizinhos em São Paulo, engataram um relacionamento que durou até 2004. "Eu queria me casar na época, de qualquer forma, e ele relutava, pois não tínhamos conquistado nada ainda -- casa, carro, um bom emprego. As desavenças começaram e tomei a iniciativa de romper", conta ela, hoje 39 anos. O "fim" foi amigável e cada um seguiu seu caminho. Apesar da proximidade, pouco se viam. "Na época não havia essa tecnologia toda; no máximo, era mensagem de texto. Quando a gente se encontrava, era por acaso, na rua", lembra. Uma dessas vezes foi dentro do ônibus -- ele ia para a faculdade; ela, voltava do trabalho.

"O Alessandro me disse que estava de mudança para o Rio de Janeiro por causa de emprego. Me bateu o desespero! Fiquei pensando nisso e, quatro dias depois, fui atrás dele. Voltamos e imediatamente ele desistiu de mudar", revela. Em abril de 2009, aconteceu o sonhado casamento -- depois de terem comprado e mobiliado todo o apartamento e já com carreiras estabelecidas. De lá pra cá, a família cresceu: há dois anos, nasceu Eduarda. Os gêmeos Pedro Henrique e Guilherme acabaram de chegar -- e ainda nem foram fotografados com a família -- para aumentar a felicidade do casal.

Nova chance após traição

Letícia*, 48 anos, administradora de empresas, também resolveu ouvir o coração, mesmo depois de ter sido abandonada enquanto grávida. No fim de 2007, às vésperas da terceira filha nascer -- o marido decidiu largar o casamento de 8 anos, ao conhecer uma pessoa durante viagem de trabalho.

"A relação já estava desgastada, confesso. Tivemos problemas financeiros e outras questões que mexeram muito conosco. Em menos de dois meses, ele tinha saído de São Paulo. Procurei uma advogada, pedi o divórcio, me resguardando sobre a guarda dos filhos, e abri mão dos bens materiais.

Foi uma fase de muito sofrimento, angústia, expectativa e, por fim, alívio e aprendizado", comenta. À época, além da recém-nascida, Letícia assumiu a responsabilidade dos outros dois filhos (7 anos e 1 ano e 7 meses de idade). O contato entre o ex-casal passou a ser limitado pelas visitas dele às crianças. Letícia, entretanto, preferia evitá-lo -- sua presença lhe fazia mal. Oito meses depois, o ex-marido a procurou, arrependido.

"Reatamos depois de inúmeras conversas, por consciência de que não aguentaria seguir sozinha com três filhos e, é claro, por amor", lembra. Isso foi há dez anos e, desde então, o relacionamento tem regras para a convivência ser a melhor possível -- mencionar a traição e outros relacionamentos que surgiram nesse meio-tempo, por exemplo é uma das proibições acordadas. "Como todo casal normal, temos brigas e desentendimentos. Às vezes, aparece uma ponta de arrependimento, mas o amor, a cumplicidade e o respeito ainda prevalecem. É fácil perdoar; difícil é reconquistar a confiança. Ele tem essa missão todos os dias, mas até hoje está se saindo bem", finaliza.

* Nome alterado a pedido da entrevistada.