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Autoestima

"Marcas pra gordas não têm roupa para mim", diz finalista do Miss Plus Size

Bruno Chagas/Divulgação
Joelma Alves é candidata do Miss Plus Size Nacional Imagem: Bruno Chagas/Divulgação

Luiza Souto

Da Universa

24/11/2018 04h00

Uma das 17 finalistas do Concurso Miss Plus Size Nacional, a professora de história Joelma Alves diz hoje, rindo, que quando tinha 11 anos parecia uma mulher de 18, "por causa do bundão e do pernão". Medindo 1,76 m, já vestia roupas tamanho 40 na época, e na maioria das vezes as peças iam para a costureira para se adaptar a sua altura. Duas décadas depois, vestindo entre 50 e 52, a dificuldade de encontrar um modelo que lhe caiba ainda é grande -- mesmo sendo uma profissional da área da moda.

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"Faço fotos para marcas plus size e várias roupas não cabem em mim. Fora que calço 43 e é também difícil encontrar um sapato que me caiba. Aconteceu de aparecer linda e bela de frente, e atrás a roupa estar toda rasgada", conta ela, que participa neste sábado, 24, da final do concurso, no Rio de Janeiro. Apesar de ser carioca, ela representará o Distrito Federal, terra de sua mãe.

Hoje satisfeita pesando 120 quilos, Joelma, de 32 anos, foi instigada por uma amiga a fazer um ensaio fotográfico no ano passado. Diz ela que precisava levantar a autoestima na época. Nessa sessão, surgiu a ideia de participar de um catálogo de moda de uma marca do ramo e do Concurso Diva Brasil Plus Size, em dezembro último. Ela ganhou em primeiro lugar. 

Bruno Chagas/Divulgação
Joelma Alves fala da dificuldade em encontrar roupa que lhe caiba Imagem: Bruno Chagas/Divulgação

Desde então, Joelma não parou mais de fotografar para marcas plus size e já pensa numa carreira internacional. "Fiz alguns cursos para aprender passada cruzada, pensando futuramente em desfilar lá fora, onde tem muita oportunidade".

Mas faz uma ressalva sobre o mercado. "De um ano para cá, tenho encontrado bastante variedade de roupas, mas muita loja que se diz plus size tem manequim até 46. Para mim, isso não é plus size", opina ela. 

Abuso e dificuldades na gravidez

O primeiro problema sério que Joelma enfrentou por causa da estrutura aconteceu na casa de duas amigas, na infância. O fato de ser proibida de usar shortinho na rua pelos pais por causa do bumbum avantajado, não impediu que o pai de duas amigas diferentes tentassem atacá-la aos 11 anos: "Não denunciei porque elas são minhas amigas até hoje. Eles não me viam como uma criança. Mas sei que isso não é justificativa para essa atitude". 

Bruno Chagas/Divulgação
Joelma Alves venceu o Concurso Diva Brasil Plus Size, ano passado Imagem: Bruno Chagas/Divulgação

Já adulta, sofreu preconceito por parte de ginecologistas. Casada, Joelma é mãe de uma menina de 6 anos, depois de sete tentando. Ela conta que ouvia dos médicos que a dificuldade da gestação estava no seu peso. "Como vai engravidar desse jeito? Você vai explodir. Olha o seu tamanho!", disse um ginecologista para a professora, que na época pesava 100 quilos. Seu problema era, na verdade, ovário policístico, diagnóstico que só foi fechado por uma médica após todos esses anos de tentativa. 

Joelma ganhou 30 quilos durante a gestação. Para tentar voltar aos 100 quilos após o parto, fez uma dieta que ela mesma diz que foi loucura, com uso de remédio para emagrecer. O resultado desejado apareceu em três meses: saltou para 94 quilos, mas teve problemas de humor e labirintite. Segundo ela, essa foi a fase mais difícil.

"Chorava muito porque não me reconhecia mais. Sentia falta da minha coxa e bumbum, e a barriga caiu muito. Aí, sim, fiquei em depressão por causa do meu peso. Só melhorei após a retirada da pele que se acumulou na barriga. Hoje valorizo cada curva, cada estria e cada celulite. Devo ter passado os 120 quilos, mas a saúde está ótima, faço minha caminhada e não deixo de comer bobagem de vez em quando. Não estou incentivando a pessoa a ser gordinha, mas sim para não ligar para o que falam".