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Diversidade

Em "A Fazenda", Evandro sofre com xingamento e escuta que "deu liberdade"

Reprodução/PlayPlus
Rafael Ilha e Evandro Santo em "A Fazenda" Imagem: Reprodução/PlayPlus

Ana Bardella

Colaboração para Universa

20/11/2018 12h58

Evandro Santo, ex-integrante do programa "Pânico" da Band, se irritou com a atitude dos colegas no reality “A Fazenda”. Segundo o que desabafou com a participante Catia Paganote, ficou chateado ao ser chamado de “porco” pelos demais homens da casa. Apesar de não ter citado o fato na conversa com a ex-Paquita, os registros mostram que o humorista chegou a escutar de Rafael Ilha que era uma “bicha porca”. Os dois não chegaram a discutir, uma vez que o diálogo parecia ter tom de brincadeira. No entanto, mais tarde Evandro se mostrou ofendido com o uso da palavra.

Depois de escutar o companheiro de confinamento, Cátia perguntou se poderia ser sincera sobre o que pensava. Ao receber o aval, emitiu sua opinião, dizendo que Evandro dava “muita liberdade” para os rapazes da casa. Ela encerrou, criticando sua postura ao permitir que eles passassem a mão na sua perna durante as festas, alegando que, dessa maneira, não teriam limites na hora de fazer as piadas. Leandro Medeiros, psicólogo clínico com experiência em atendimento à população LGBT, comenta o caso:

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É preciso levar em conta o contexto

Evandro é o único participante gay da casa, convivendo atualmente com outros cinco homens heterossexuais. Em diversos momentos, comentou sobre as dificuldades que sofreu no passado em função da orientação sexual, como quando não participava das aulas de educação física na escola, mesmo gostando das atividades, por ter medo de como seria tratado. “Isso é mais comum do que se imagina entre a população LGBT”, ressalta.

De acordo com o profissional, nem sempre as pessoas estão dispostas a compreender as diferenças, fato que costuma gerar angústia. Em sua visão, “se alguém já passou por experiências traumáticas em função do preconceito, isso pode se transformar em uma marca e influenciar as atitudes no futuro”. Logo, é natural que Evandro não se sinta confortável diante das “brincadeiras” dos colegas, principalmente se elas remeterem a cicatrizes que foram desenvolvidas tempos atrás.

Se ofendeu, não é mais piada

“É importante lembrar: se não quer algo para você, não faça com os outros”, enfatiza Medeiros. O profissional relembra que cada pessoa tem sua própria carga de experiências, sofrimentos, alegrias, medos, culpas e dúvidas – e que, por isso, não existe um padrão para as reações em sociedade. “Partindo desse pressuposto, o ideal seria que cada um pensasse, antes de fazer uma piada ou comentário, como aquilo pode ser recebido pelo outro”, recomenda.

A culpa pode ser de Evandro?

“Na verdade, dizer que alguém sofreu violência física ou verbal por ter dado ‘liberdade demais’ remete à uma das formas mais fáceis de se responsabilizar a vítima”, opina. Para o psicólogo, as pessoas devem ser tratadas com respeito de maneira mútua. E quando isso não ocorre, é preciso enxergar qual das partes se equivocou, sem tentar encontrar no outro brechas que justifiquem o comportamento abusivo ou violento. “Traçando um paralelo, seria como justificar um assédio na rua através da maneira como uma mulher está vestida: não faz o menor sentido”, encerra.