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Espermicida: 5 coisas importantes que você precisa saber sobre ele

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Maior parte dos espermicidas é destinada às mulheres e tem uso intravaginal Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

17/11/2018 04h00

Embora sejam pouco recomendados pelos médicos, os espermicidas são um recurso contraceptivo relativamente acessível e fácil de usar. Porém, sua eficácia é contestada e exige alguns cuidados, como os relatados a seguir.

Quem usa mais: homens ou mulheres?

No Brasil, a maior parte dos produtos é destinada às mulheres e tem uso intravaginal. Para os homens, existem preservativos com espermicida que funcionam como uma garantia adicional para o caso de a camisinha furar ou falhar.

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Como agem os espermicidas?

Eles fazem parte do grupo denominado "métodos de barreira" e também são conhecidos como espermaticidas. Podem ser encontrados principalmente na forma de géis ou cremes e colocados com ajuda de um aplicador ou uma seringa. Há versões também em geleias, filmes, supositórios, comprimidos para serem inseridos, tabletes ou espumas. Sua composição conta com diferentes diferentes substâncias químicas, sendo a mais adotada o nonoxinol-9.

Os espermicidas fazem com que os espermatozoides morram ou diminuam drasticamente sua mobilidade, ou seja, eles não conseguem "nadar" para chegar até o óvulo e, assim, fecundá-lo. Outras substâncias utilizadas são o menfegol, a clorexidina e o cloreto de benzalcônio. O espermicida deve ser sempre aplicado antes de cada relação sexual, de acordo com as instruções indicadas na embalagem. A colocação na vagina é simples, independentemente de ser com um dedo, no caso de comprimidos e supositórios.

Devem ser colocados com uma certa antecedência: embora os aerossóis, géis e cremes se distribuam rapidamente ao longo da vagina e apenas necessitem de alguns minutos de espera, os supositórios e os comprimidos levam entre 5 a 10 minutos para derreterem e formarem uma película sobre o cérvix. Cada produto tem um período de tempo limitado, de 30 minutos a duas horas. Algumas espumas produzem uma sensação de calor transitória. É preciso repetir a aplicação antes de cada relação, mas os médicos aconselham não usar o espermicida muitas vezes no mesmo dia.

Há necessidade de prescrição médica?

Não. Pode ser comprado sem receita em qualquer farmácia. Porém, como seu uso depende de conhecimento adequado do(a) paciente sobre como usar, é aconselhável uma conversa com o médico para juntos definirem se essa é a melhor forma de anticoncepção.

É um recurso seguro?

Não, ainda mais se usado sozinho, pois tem apenas 30% de eficácia. Usar a camisinha com o gel ou sem dá praticamente no mesmo em relação à fertilidade. Por isso é recomendado que seja utilizado com outro agente contraceptivo, como o preservativo ou o diafragma. Além disso, ele não protege contra IST's (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

Quais os riscos?

O principal é o uso inadequado do produto levando à gravidez indesejada. Há, ainda, o perigo de alergias, principalmente no fundo vaginal. No pênis não é comum, mas também pode ocorrer. É válido lembrar que os espermicidas foram proibidos durante algum tempo --hoje são liberados--  por não conferir uma taxa de proteção segura e ainda ter o risco de causar alergias. Essas irritações, aliás, podem facilitar a chance de contrair uma IST, já que a mucosa da vagina fica desprotegida e mais suscetível às doenças. Especialistas, de modo geral, não aconselham de modo algum o uso regular para pessoas que têm múltiplos parceiros.

FONTES:

Antonio Pera, ginecologista e obstetra da Clínica Pera, em São Paulo (SP); Alex Meller, urologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo (SP); Alexandre Pupo, ginecologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo (SP), e Paulo Egydio, urologista formado pelo HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) com especializações na Mayo Clinic e na Cleveland Clinic Foundations (EUA).