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Você sabe o que é "banho romano"? Fetiche sexual pode revirar estômagos

Getty Images
O "banho romano" é a prática de regurgitar durante o ato sexual; fantasia pode fazer parte do BDSM Imagem: Getty Images

Natália Eiras

Da Universa

07/11/2018 04h00

Há uma lenda que diz que, na Roma Antiga, havia, nos banquetes, um poço onde os convidados vomitavam para conseguir ingerir a maior quantidade de comida possível, pelo puro prazer de comer. É por isso que, nos anos 1980, “banho romano” tornou-se o nome popular para emetofilia, fetiche que consiste em obter prazer sexual ao ver o parceiro ou a parceira vomitando.

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Adepta do BDSM (bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo), a estudante Gabriela*, 24, decidiu provar o banho romano com seu parceiro, o engenheiro Ricardo*, 26. Até então, os dois só tinham visto a prática em vídeos eróticos. Eles acertaram as questões práticas --como encontrar toalhas velhas para não estragar as roupas de cama-- e colocaram a fantasia em prática em um motel. À Universa, a jovem conta que vomitar em um ato sexual a fez sentir-se aliviada. “É que o ato, em si, dá uma sensação prazerosa, mas tudo ficou ainda mais potencializado com o fato de ele estar me vendo tão vulnerável”, fala.

De acordo com o psicólogo Josué Castro, do aplicativo OrienteMe, de São Paulo (SP), o porquê de algumas pessoas sentirem tesão com este tipo de situação não é um só. “É possível que o prazer esteja na relação de dominação/submissão possível entre as duas partes”, diz o especialista. “Entretanto, outras explicações também podem ser possíveis, como o prazer em contemplar, ter contato ou ser presenteado com algo que vem do próprio corpo do outro”.

A emetofilia foi tema de estudo formal pela primeira vez em 1982, quando o investigador Robert Stoller descreveu três mulheres adeptas do fetiche. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística de Perturbações Mentais (DSM-V), ela é considerada uma parafilia por ser um interesse sexual atípico, mas não patológico. A emetofilia se torna um problema quando ela é a única fonte de prazer do indivíduo, tornando-se, assim, um distúrbio parafílico.

O psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade, em São Paulo (SP), diz que a emetofilia como um distúrbio parafílico não é comum. “Mas o comportamento sexual, como uma fantasia, está muito ligado a outras práticas, como o BDSM”.

Gabriela* narra que, nos grupos de BDSM que acompanha, a emetofilia não é um assunto desconhecido, assim como o scat (defecar durante o sexo) e a chuva dourada (urinar no par). “Nós gostamos de experimentar diferentes formas de dominação e submissão, então já havia visto pessoas comentando sobre a fantasia”, diz a estudante. Foi assim que ela e Ricardo tiveram acesso a vídeos sobre o assunto.

O BDSM pode incluir a emetofilia, pois o fetiche tem um ar de subjugação. “Tem pessoas que sentem prazer em ver o outro passar por uma situação de constrangimento, de humilhação”, explica o psiquiatra especializado em psicologia social Sérgio Lima, da clínica Spatium, de São Paulo (SP). 

Porém, apesar de muita gente torcer o nariz e/ou embrulhar o estômago, a emetofilia pode ser uma fantasia sexual como qualquer outra. “Para alguns casais, é apenas mais uma forma de obter prazer, como, por exemplo, pessoas que se excitam batendo ou apanhando”, explica Lima. O problema é, segundo o psiquiatra, o exagero. “Assim como qualquer coisa relacionada a práticas sexuais, se uma pessoa só sente prazer desse jeito, é provável que ela precise procurar algum tipo de ajuda”.