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Valentim perdoa Karola: até que ponto vale a pena desculpar um parente?

Reprodução/Segundo Sol/Gshow
Valentim (Danilo Mesquita) se comove com situação de Karola (Deborah Secco) em "Segundo Sol" Imagem: Reprodução/Segundo Sol/Gshow

Lucas Vasconcellos

Colaboração para Universa

07/11/2018 04h00

Em 28 de outubro, o Brasil conheceu seu novo presidente eleito. Os dias que seguiram foram de reconciliação entre amigos e familiares, que voltaram a frequentar os mesmos grupos de WhatsApp e a se seguir em redes sociais, após um período de rompimento. Na televisão, o perdão também está na pauta: em "Segundo Sol", Valentim (Danilo Mesquita) descobriu que foi roubado de sua mãe, Luzia (Giovanna Antonelli), por Karola (Deborah Secco). Passado o trauma de ter sido enganado, conseguiu desculpar a mulher que o criou como filho.

Seja no cotidiano ou na ficção, as situações que têm pinta de irremediáveis podem ser resolvidas. “O perdão é uma ação que vai acabar com outros sentimentos negativos, como raiva e tristeza. A pessoa consegue se sentir bem o suficiente para tocar sua vida após ter sido machucado, seja esse trauma causado propositalmente ou sem querer”, conta Yuri Busin, psicólogo e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental (CASME), de São Paulo.

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Mas nem todo erro é fácil de se perdoar e talvez seja esse o questionamento que a situação de Karola e Valentim queira mostrar, ressalta Busin. De acordo com o profissional, o perdão é muito subjetivo, pois o que pode ser um monstro para alguém, não é para o outro. Aí, depende de quais limites você se impôs na relação. O que pode ou não ser ultrapassado? Até que ponto vai sua ética e moral?

É hora de deixar para trás?

O carinho e amor que se tem por alguém, como se vê nas relações familiares e de amizade, contribuem para facilitar o perdão. Normalmente, é mais fácil desculpar os erros do que deixar aquela pessoa de lado. "Mas para que a relação siga saudável, é importante ter um diálogo aberto, explicar detalhadamente como você se sente", aconselha o profissional. Esse exercício é importante para que o outro tenha a chance de se colocar no seu lugar e, entendendo o que houve, não repetir a atitude.

E mesmo fazendo tudo isso e perdoando, talvez você não consiga manter a pessoa na mesma estima e a coloque numa "caixinha de sentimentos" menos importante. Dependendo do que aconteceu, você precisa ver mudança no comportamento de quem errou para ter certeza de que não será magoado novamente.

No capítulo da novela de segunda-feira (5), por exemplo, a personagem de Deborah Secco se viu numa situação difícil envolvendo Laureta (Adriana Esteves), que exigia auxílio para suas maldades, e Remi (Vladimir Brichta). No fim, ajudou a salvar a vida do amante e do ex-marido, Beto Falcão (Emílio Dantas). O que se deu a seguir foi uma cena emocionante: Valentim foi até Karola e consolou a mãe de criação, dizendo que ela tinha feito o bem e devia se orgulhar disso.“Quando se quer o perdão, não se pode apenas falar da boca para fora. É preciso provar que você entendeu e, com atitudes, mostrar que está disposto a transformar a situação”, afirma Busin.

Vida que segue

Ninguém é obrigado a perdoar ninguém. Até porque, às vezes, o que machucou é tão profundo que não dá para deixar para lá. Uma coisa é ser duro e inflexível com o erro de alguém. Outra é perdoar sucessivas mancadas que magoam muito e se tornar permissivo -- o que pode ser o primeiro passo de um relacionamento abusivo.

Tem gente que consegue seguir a vida normalmente com isso, mas ficar lembrando do episódio toda hora, trazendo à tona o que a feriu, pode fazer muito mal. É importante ter em mente duas coisas: todo mundo erra e as cicatrizes estarão ali sempre. Mas elas também servirão para que você fique alerta para indícios de que tais coisas podem acontecer de novo em algum momento da sua vida. Aí é questão de lidar com a questão da maneira mais saudável possível.