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Como é consulta que mistura numerologia, tarô e dá perfume "com seu cheiro"

Arquivo pessoal
Ana Paula Rizzo, 25, usa a aromacologia para criar perfumes botânicos Imagem: Arquivo pessoal

Natália Eiras

Da Universa

02/11/2018 04h00

A perfumista botânica Ana Paula Rizzo, 25, já recebeu em sua casa, em um bairro nobre da zona sul de São Paulo (SP), cerca de 100 pessoas que buscavam um pouco de autoconhecimento e solução para seus problemas em um frasco de perfume. Ela mistura aromas e numerologia para criar fragrâncias personalizadas. “Cada perfume que faço é um projeto de cura”, diz a profissional que recebeu a reportagem da Universa para uma consulta. “A pessoa precisa estar disposta a cheirar a própria alma”. 

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O trabalho de Ana é baseado na aromacologia, um conceito criado em 1989 pela Fundação para Pesquisa do Olfato, dos Estados Unidos, para o estudo de inter-relações entre psicologia e tecnologia das fragrâncias. “A aromacologia é uma parte da aromaterapia, a terapia dos aromas. A ciência trabalha com o sistema límbico, que é a área do cérebro responsável pelas emoções e comportamento. É onde está o lado mais instintivo da pessoa”, explica a aromacologista Palmira Margarida, do Rio de Janeiro (RJ).

Com a numerologia e arcanos maiores do tarô do cliente em mãos, a perfumista começa a dissecar o momento de vida da pessoa, incluindo assuntos sensíveis. Assim, o atendimento se assemelha a uma sessão de terapia. Ela até deixa uma caixa de lencinhos à mão. “É uma forma de entender a pessoa e o ciclo que ela está vivendo”, explica. O processo tem também um questionário de 12 perguntas, entre elas qual cheiro você daria para seus pais e qual aroma você gostaria de ser.

Arquivo Pessoal
O aroma é feito a partir da numerologia, entrevista e jogo de tarot Imagem: Arquivo Pessoal

A partir das respostas dada pelo consulente, ela começa a separar alguns aromas para a pessoa fazer o teste cego. “O processo é uma junção dos aromas que a pessoa precisa com as que ela gosta”, diz Ana Paula Rizzo. No meu caso, os escolhidos foram a canela (“para você se impor mais”), manjericão (“é o aroma da empatia”) e vetiver (“para ter força feminina”). Ana afirmou que estes eram os aromas necessários para lidar com obstáculos deste ciclo. Ela tocou, inclusive, em pontos que foram dificeis de ouvir. Fiquei lá mais ou menos por uma hora e saí com um vidrinho de 30 ml com "o meu cheiro" - que lembrava um pouco incenso. Ela explica que a fixação depende do humor de quem está usando. É como se o aroma durasse o tempo que a pessoa precisa estar com aquele cheiro. 

Ela garante que é possível saber um pouco sobre personalidade e vida de uma pessoa de acordo com os aromas que ela prefere. Mas tudo isso ela percebeu de maneira empírica, e a ciência não comprova. “Consigo ler as pessoas pelo perfume. A gente consegue associar coisas ao olfato com muita facilidade, já que é o sentido que mais relacionado a memória”, fala. “Quem gosta de cheiros doces costumam ser mais maleáveis. Quem não curte cheiro de madeira geralmente não teve uma figura paterna presente ou não tem uma estrutura emocional”, exemplifica.

“Cheiro de situações”

A profissional sempre teve uma conexão com odores, aromas. “Sabe quando você viaja e, depois de um tempo, sente um cheiro e lembra daqueles dias? Eu sou fascinada por essa sensação”, narra. “Eu queria manipular cheiro de situações.”

Ela amava perfumes de grife, mas a vontade de fazer perfumes botânicos nasceu da insatisfação com as fragrâncias comerciais. Em 2017, encomendou o seu primeiro cheiro personalizado com a perfumista Palmira Margarida. “Percebi que era isso que estavam faltando nas fragrâncias de grife. Uma identificação com o meu processo, com o meu ciclo”.

Logo, começou a estudar aromacologia. Como já sabia fazer numerologia e jogar tarô, Ana decidiu unir os dois para criar perfumes mais certeiros. “Percebi que dava um samba”, sorri. Desde junho deste ano, largou a carreira em marketing digital para se dedicar integralmente à perfumaria. “As plantas têm muita coisa para ensinar e se a gente ouvir vai se dar muito bem”.