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Política

"Feministas têm comportamento vexaminoso", diz Joice Hasselmann

Fernando Moraes/Universa
A jornalista Joice Hasselmann, do PSL, vai assumir o posto de deputada federal em 2019; ela foi eleita com mais de 1 milhão de votos Imagem: Fernando Moraes/Universa

Camila Brandalise

Da Universa

01/11/2018 04h00

Deputada federal eleita com maior número de votos da história do país, a jornalista Joice Hasselmann (PSL-SP) diz, em entrevista à Universa, que será a algoz de Gleisi Hoffmann, senadora e presidente do PT, que não tem projetos específicos para mulheres e que feministas são "vexaminosas e deselegantes".

Como deputada federal mais votada da história do país e com quatro milhões de seguidores nas redes sociais, a senhora é admirada por muitos e criticada por outros tantos. Há quem a chame de "doida", "histérica", "ridícula", entre outros. Por que falam isso?
Me chamam de doida as pessoas que eu critico, os corruptos, os aliados à esquerda, a gente que atacou o Brasil e a nação e acha que o país é um reduto deles. Não estou nem aí se vão gostar ou não do que digo.

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Joice Hasselmann: "Me chamam de doida as pessoas que eu critico" Imagem: Fernando Moraes/Universa

Mas a senhora também já foi criticada por colegas do partido, como o senador eleito Major Olímpio, que pediu, inclusive, sua expulsão do PSL.
O que aconteceu com Major Olímpio, que é presidente do partido em São Paulo, foi um bate ombro natural, uma disputa de espaço. Ele se sentiu incomodado porque o Bolsonaro me convidou para ser candidata ao Senado e, se ganhasse, poderia prejudicá-lo. Depois disso, um grupo lançou minha pré-candidatura para o governo do Estado, e a relação ficou mais tensa. Ele propôs o processo de expulsão, e eu pensei em sair do PSL. Perguntei ao Bolsonaro como o ajudaria, e ele respondeu que seria como deputada federal. Ele precisava de deputados porque tudo vai se decidir na Câmara.

Também foi ofendida pelo deputado federal eleito Alexandre Frota, do PSL, que a chamou de "biscate" depois que a senhora publicou um vídeo falando que Bolsonaro só chancelava a candidatura do filho, Eduardo, e a sua. Como está a relação com ele agora?
Não sei por que ele me atacou. Nós nos dávamos bem. Ele fez a segurança no lançamento da minha biografia sobre Sérgio Moro. Comuniquei meu advogado e consegui um pedido de resposta, que ele postou no Twitter. Depois que fui eleita, ele me mandou uma mensagem pedindo perdão. Fez um poeminha: "O primeiro a pedir perdão é o mais corajoso. O primeiro a perdoar é o mais nobre". Foi agressivo? Muito. Mas pediu perdão e eu já perdoei.

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"Terei um embate com a Gleise Hofmann" Imagem: Fernando Moraes/Universa

Um alvo seu, Lula, está preso e, o outro, Fernando Haddad, acaba de ser derrotado. Quem será o próximo?
Terei um embate interessante com a Gleisi Hoffman. Já avisei a bancada que ela é da minha cota pessoal. Ela vai ser um boneco de ventríloquo do Lula e qualquer um que faça isso vai contar com a minha energia de oposição. Para esse tipo de enfrentamento tem que ser mulher, senão dá problema, como o que aconteceu com Bolsonaro quando ele teve aquele enfrentamento com a Maria do Rosário (o presidente eleito é réu no STF, acusado de fazer apologia ao estupro porque disse que não estuprava a deputada porque ela não merecia). De mulher para mulher é diferente. Tudo que ela precisar ouvir eu vou dizer.

A senhora foi acusada pela Avaaz (uma rede global na internet em que usuários criam campanhas e petições) de ser uma das primeiras fontes de distribuição do boato sobre fraudes nas urnas eletrônicas no primeiro turno presidencial. A acusação é de que a história falsa atingiu 16,5 milhões de usuários. O que tem a dizer sobre isso?
Aconteceu fraude. Tivemos uma "mão de gato" de pelo menos 10 milhões de votos. Essa é uma informação que eu tenho com base no que me foi dito pelo hacker número um do mundo. Tenho todos os dados sobre ele, mas não posso passar.

E como prova isso? Fez uma denúncia formal ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)?
Não fiz. Penso em fazer uma CPI da eleição, uma CPI das urnas. Aí vou convocar como testemunhas as pessoas que me deram as informações.

Em entrevista à "Folha de S.Paulo", a senhora comentou que feministas são "gente chata que arranca a blusa para colocar peito na rua". Acha mesmo que o movimento é apenas isso, mesmo sendo as mulheres que se diziam feministas as que conquistaram o direito ao voto?
Não se compara movimento de séculos atrás com o movimento de agora.

O movimento das sufragistas brasileiras aconteceu há menos de 100 anos. O voto foi conquistado em 1932.
Aquelas mulheres não agiam como essas. É um comportamento vexaminoso, acho deselegante. Não acho que seja só isso (colocar peito na rua), mas é como as feministas se apresentam.

Tem algum projeto para mulheres?
Não gosto dessa coisa de propor projeto segmentado. Fui eleita por brasileiros de São Paulo; meus projetos são de nação.

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"Não gosto dessa coisa de propor projeto segmentado", diz Joice Hasselmann Imagem: Fernando Moraes/Universa

E para evitar a homofobia nas escolas?
Não. Na escola, a criança tem que aprender a ler, escrever, fazer conta, aprender lógica, duas línguas e acabou. Posso falar sobre isso nos meus discursos e em audiências públicas. Mas acho inacreditável que, em pleno século 21, a gente esteja discutindo machismo e homofobia.

A senhora disse em um post que "mulheres pensam em filhos e na família". Queria saber como é sua relação com a família.
Tenho uma filha de 18 anos e um filho de 10. Depois de sofrer ameaças por causa do meu trabalho como jornalista, decidi que precisariam ficar protegidos. Não posso falar onde eles moram. Estou há três meses sem ver meu filho. Mas eles dois são maravilhosos. Minha filha ficou chateada quando resolvi sair candidata porque ela tinha medo por mim. Ficou sem falar comigo. Depois passou, fez até campanha na faculdade dela. Minha infância foi pesada, porque meu pai era alcoólatra e agressivo. Há pouco tempo, me mandou uma mensagem, dizendo: "Do meu jeito, eu te amo". Pensei: "A velhice o adoçou". Mas não sei nem onde ele está.

Vai indicar alguma mulher para a equipe do presidente?
Levei a Viviane Senna (diretora do Instituto Ayrton Senna) para falar sobre educação com Bolsonaro. É uma mulher que entende do processo educacional, não sei se terá um cargo oficialmente, mas pode ser uma parceira. Bolsonaro ficou impressionado com ela. A Eliana Calmon (ex-ministra do Supremo Tribunal de Justiça) também é uma grande mulher que poderia ocupar um cargo em uma área ligada à Justiça.