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Como em Elite, da Netflix: "Transo com outros homens para o meu marido ver"

Reprodução/EliteNetflix
Na série Élite, da Netflix, Polo (à dir.) gosta de ver a namorada, Carla, transando com Christian (à esq.) Imagem: Reprodução/EliteNetflix

Talyta Vespa

Da Universa

31/10/2018 04h00

O sexo feijão com arroz fez parte de um relacionamento abusivo vivido por Joana*, 35, dos 18 aos 27 anos. O primeiro namorado, dez anos mais velho, se incomodava até mesmo quando a publicitária levava para casa alguma fantasia sexual. Ela passou anos reprimindo a própria sexualidade, até que conheceu o atual marido, Hugo, e decidiu terminar o antigo relacionamento. “Com ele, descobri que o sexo é feito de infinitas possibilidades. Ele curte o voyeurismo, fetiche de ver o parceiro transando com outro. Me dei bem”, brinca.

Segundo a paulistana, no voyeurismo, cada casal cria as próprias regras. “A principal delas é nunca insistir em transar com alguém que provoque ciúme no parceiro. Tanto eu como meu marido podemos sugerir a terceira pessoa. Na maioria das vezes, ele só assiste, mas há casos em que ele também participa. Criamos um grupo de voyeuristas e saímos com terceiros, pelo menos, três vezes por mês”.

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Joana conta que já transou com mais de 70 homens diferentes sob o olhar compenetrado do parceiro. “Às vezes, a gente repete. Não é tão fácil assim encontrar caras que topem participar desse tipo de espetáculo”, diz.

Joana e o marido se conheceram em 2010, quando ela foi transferida para uma empresa grande de publicidade. À época, ela namorava o ex e pretendia casar em dois anos.

“Meu ex era tão possessivo que não deixava nem que eu fosse ao happy hour da empresa sozinha. Ele estava sempre comigo e, em uma das ocasiões, conheceu o Hugo. Nós nem amigos éramos. Quando cheguei ao trabalho no dia seguinte, nos trombamos no corredor, ele me parou e disse: “Você é infeliz sexualmente”. Fiquei sem resposta. Não conhecia outro tipo de sexo senão o que eu vivia com meu ex. Mas aquela observação tão invasiva me despertou um interesse e tesão loucos”.

O relacionamento de Joana não era dos mais saudáveis. O ex, sob a argumentação de que não podia confiar nela, cheirava suas calcinhas sempre que chegava em casa. “Ele dizia que, como eu era mais nova, o traía com caras da minha idade. No começo do namoro, tentei levar algumas brincadeiras para a cama; comprei fantasias sexuais duas vezes. Ele as rasgou. Quando apareci com um vibrador, então, ele me bateu alegando que eu tinha aprendido tudo isso com outro cara”.

Hugo é 15 anos mais velho que Joana. De saco cheio de ser responsabilizada por traições que não aconteciam, decidiu ver o que o colega observador tinha a ensinar. “Saímos e transamos logo na primeira noite. Até então, meu ex havia sido o único homem com quem me envolvi. Foi alucinante. Cheguei em casa no dia seguinte e terminei meu relacionamento. Descobri que havia um mundo gigante fora de casa e eu precisava desbravá-lo”, conta.

Para a primeira vez de Joana com outro homem na frente de Hugo, o escolhido foi um amigo do marido. “Estava apaixonada. Depois de quatro meses juntos, decidi experimentar o voyeurismo que tanto o satisfazia. Ele chamou um amigo, comemos pizza, bebemos vinho e, quando dei por mim, estava transando com ele. Quando olhei nos olhos de Hugo, que estava sentado no sofá olhando para a gente, vi o quanto aquilo o satisfazia. Me joguei sem culpa”.

A publicitária gostou tanto da experiência, que não largou mais. Ela e Hugo se casaram há cinco anos e, para a cerimônia, muitos participantes da farra do casal compareceram. “Só os que mandaram bem”, ri.

Às vezes, segundo Joana, não rola como o esperado. “Já aconteceu de o convidado ficar com medo de o Hugo ficar bravo e, quando encostou em mim, brochou. Não subia de jeito nenhum. Desistimos e fomos assistir a um filme”, relembra.

Hoje, o casal tem dois filhos, de três e cinco anos. “Dificulta o processo, mas para isso contamos com os padrinhos e as avós”.

"Voyeurismo salvou meu casamento"

Depois de 20 anos de casamento, a administradora de empresa Márcia*, 45, e o marido decidiram experimentar novas graças no sexo. "Nós éramos um casal tradicional, e a rotina massacrou nosso relacionamento. Nos casamos quando eu tinha 20 anos e, ele, 25, porque eu engravidei e minha mãe nos obrigou. Éramos duas crianças, ele trabalhava como motoboy e eu só consegui um emprego quando meu filho completou seis anos". 

Risadas e companheirismo faziam parte do cotidiano da dupla, só que o sexo começou a ser visto como obrigação e, não como algo naturalmente prazeroso. "A gente marcava hora para transar. Era tão burocrático que cogitamos o divórcio, apesar de nos amarmos muito e sermos muito amigos. Não queríamos ficar longe um do outro, mas sexo de verdade, com tesão e paixão, fazia muita falta", explica.

"Decidimos fazer terapia de casal. Nessa época, eu abri um pequeno negócio, as coisas estavam caminhando, eu mal tinha tempo para ficar com meu filho. Cheguei a gastar R$ 10 mil em sessões que, milagrosamente, prometiam mudar a nossa vida. Não deu certo", conta.

"Até que um dia, estava trabalhando no quarto, e meu marido chegou com um vídeo pornô no celular e sugeriu que assistíssemos juntos. Nas imagens, uma mulher transava com um cara enquanto o suposto marido assistia. 'Isso te excita?', ele me perguntou. Disse que não, afinal, nunca tinha pensado em coisas desse tipo. E ele me respondeu: 'A mim, sim'. A ideia que, a princípio me pareceu coisa de gente pervertida, começou a fomentar vários sonhos durante a madrugada", conta.

Daí em diante, o casal começou a brincar com as fantasias que, segundo Márcia, jamais imaginaria concretizar. "Ele narrava, ao pé do meu ouvido, a cena de um homem comigo enquanto ele assistia. Aquilo começou a me excitar. Foram seis meses até que tirássemos o plano do papel". O primeiro contato do casal com as relações liberais foi em uma casa de swing em São Paulo. "Quando vi aquele monte de gente pelada, nas salinhas, fiquei desesperada e pedi que fôssemos embora. Decidimos contratar um garoto de programa, já que eu não queria envolver ninguém que nos conhecesse".

Faz cinco ano que o sexo liberal começou a fazer parte da rotina dos dois. Hoje, eles têm um grupo de amigos do swing e fazem até festas em casa. É de lá que, normalmente, saem os pretendentes de Márcia. "A gente já fez outras coisas, como ménage com mais uma mulher, com mais um homem e troca de casal. Mas, o que a gente mais gosta é o voyeurismo. Meu marido sente prazer em me ver com outro e eu adoro transar com homens para que ele assista. Nossa vida sexual melhorou 100% e isso salvou nosso casamento".

*Os nomes utilizados nesta reportagem são fictícios e visam preservar a identidade das personagens