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Autoestima

Mulher reaprende a amar seu corpo com cicatrizes após doença rara na pele

Reprodução/After My Lyell
Imagem: Reprodução/After My Lyell

Da Universa

29/10/2018 15h37

Camille Lagier viu seu corpo se transformar depois de se medicar com amoxicilina para tratar de uma amigdalite em 2007. Os efeitos na sua pele vieram como uma completa surpresa, visto que ela já tinha tomado o medicamento quando criança e nunca teve que lidar com reações adversas.

Três semanas após começar o tratamento, a jovem, atualmente com 28 anos, se surpreendeu ao notar o surgimento de várias manchas que se espalharam inicialmente pela boca e nas regiões íntimas.

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Assim que notou a anormalidade, Camille foi até um médico em Avinhão, na França, sua cidade natal.

“O primeiro médico com que me consultei disse aos meus pais e para mim que era uma catapora”, contou ela à revista “People”, que chegou a contestar o diagnóstico por já ter contraído a doença quando era criança.

Reprodução/After My Lyell
Imagem: Reprodução/After My Lyell

Persistindo por um tratamento específico para saber exatamente com o que estava lidando, a francesa foi até um hospital local, que a informou não ter os equipamentos necessários para tratar dos sintomas, encaminhando-a até uma unidade de queimaduras em Marselha.

“Eu me senti completamente perdida. A dor era horrível”, relembra.

Na nova consulta, Camille foi diagnosticada com necrólise epidérmica tóxica, uma doença rara que causa bolhas e descamação da pele. “O único tratamento que eu tive foi a morfina para acalmar a dor terrível”, diz ela, que interrompeu a medicação com amoxicilina.

O diagnóstico da doença veio junto a uma fase de descobertas e cuidados com a autoestima, em que teve que reaprender a amar seu próprio corpo com as cicatrizes.

“Eu tinha marcas por todo o corpo, inclusive no meu rosto. Não me sentia mais como eu mesma. Estava incompreendida, sozinha e desesperada. Me questionava se voltaria a ser feliz novamente”, declara.

Reprodução/After My Lyell
Imagem: Reprodução/After My Lyell

“Antes da minha doença, eu nunca me senti confiante. Eu tinha uma péssima autoestima com meu corpo e sempre busquei a perfeição. Mas na cama do hospital, eu disse para mim mesma: ‘por que você passou 28 anos da sua vida se odiando? Você é fofa, gentil e engraçada, agora perdeu tudo’. ”

Depois de ler e entender sobre sua doença, Camille contou com o apoio de sua terapeuta e do namorado para aceitar suas cicatrizes e restaurar o amor próprio.

“Eu decidi dar um novo passo em direção à confiança. Eu mereço isso. Percebi que tinha uma segunda chance de viver a minha vida, realizar meus sonhos e aceitar a mim mesma. Essa experiência terrível me mostrou que não podemos prever tudo em nossa vida, mas podemos tornar o caminho da nossa vida coberto de alegria, amor e flores”, concluiu ela, que criou um blog, o “After My Lyell” para ajudar outras pessoas que também são diagnosticadas com a doença.