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Ela deixou um cargo de diretora, empreendeu e hoje fatura R$ 3 milhões

Arquivo pessoal
Bruna investiu R$ 250 mil e em dois anos já abria a primeira franquia da CWK Imagem: Arquivo pessoal

Léo Marques

Colaboração para Universa

26/10/2018 04h00

Bruna Lofego tinha 31 anos quando decidiu abandonar o cargo de diretora executiva numa rede de concessionárias de motocicletas, em Belo Horizonte (MG), para seguir seu sonho de empreender. A aposta, em 2010, foi por um segmento ainda novo no Brasil: o coworking. Apenas dois anos depois de inaugurar a primeira unidade na capital mineira, ela abriu uma franquia, em São Paulo. Hoje já são quatro unidades nos dois estados e há planos para dobrar esse número em breve. Só em 2017, a CWK Coworking faturou mais de R$ 3 milhões.

Espaços de coworking ou escritórios compartilhados são uma modalidade de trabalho em que vários profissionais ou empresas dividem a mesma estrutura física. Surgiu nos Estados Unidos em 2005 e aportou por aqui em meados de 2009. Esse tipo de negócio proporciona aos seus usuários redução de custos operacionais, além de uma boa rede de relacionamentos. São pessoas que não trabalham necessariamente numa mesma empresa ou na mesma área de atuação, podendo reunir profissionais liberais, empreendedores e usuários independentes.

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No caso de Bruna, a opção foi por um modelo focado no atendimento a empresas mais formais. “O coworking descolado tem o seu público, mas também existem empresas que não são adeptas a esta prática e preferem a pura prestação de serviços operacionais”, explica.

Pioneira no segmento

A oportunidade de trabalhar na própria área de formação – administração – foi fator crucial para que Bruna optasse pelo coworking. Por ser um negócio novo no Brasil, um dos principais desafios, na época, era a incerteza se esse modelo de empresa iria pegar por aqui. “Ainda não existiam dados consolidados que me ajudassem a analisar formas de empreender com segurança. Procurei todo tipo de informação que pude sobre o assunto aqui no Brasil, mas se até hoje ainda é difícil achar algo didático e orientado para quem quer iniciar nesse ramo, imagina há oito anos”, indaga.

Para driblar essa questão, ela fez algumas viagens ao exterior para estudar o negócio em outros países, e percebeu que não bastaria importar os modelos já existentes na Europa e nos Estados Unidos. “Era um perfil totalmente diferente do que seria bem aceito aqui. Por isso, decidi extrair o que havia de melhor nos modelos analisados e adaptar para a realidade do brasileiro. Foi aí que decidi criar o meu próprio modelo de coworking corporativo”, revela.

Depois de pesquisar bastante e percorrer Belo Horizonte em busca do espaço ideal, em boas condições e que tivesse localização adequada para a instalação da empresa, a CWK Coworking ganhava sua primeira unidade localizada no bairro nobre de Savassi. O investimento inicial foi de R$ 250 mil e veio das economias pessoais feitas por Bruna nos anos em que trabalhou no antigo emprego. “Eu ganhava um bom salário como executiva e conseguia poupar bastante”, conta.

Arquivo pessoal
Um ano após o modelo de coworking desembarcar no Brasil, Bruna Lofego abriu sua primeira unidade Imagem: Arquivo pessoal

Com toda a experiência adquirida ao longo de sua trajetória, Bruna tornou-se a primeira mulher brasileira considerada referência no segmento.  “Quando comecei, não havia mais de dez coworkings no Brasil, fui de fato uma das primeiras nesse ramo”, diz.

Mãe solteira e mulher empreendedora

Outro desafio enfrentado por Bruna veio logo no início da CWK.  Ela engravidou quando a empresa estava em seus primeiros meses de operação. “Não sou casada com o pai do meu filho. Este mundo de mãe solteira é mais cruel do que o mundo de mulher empreendedora, porque é sociocultural que a mulher precisa estar casada para ser mãe. Os fatores de ser mulher, empreendedora, independente e mãe assustam o mercado, mas também impõe certo respeito, pois está subentendido que existe um sucesso por trás de tudo isso”, comenta.

Bruna, porém, conta que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito por ser uma mulher empresária no mundo do coworking. “Desde o início, esse mercado era formado por empreendedores diferentes e o que importava era fazer o negócio dar certo”, avalia.

De olho nos detalhes

Todavia, ela acredita que o fato de ser mulher trouxe um toque especial a administração do seu negócio. “Acho que a mulher coloca o coração à frente da razão em muitos momentos, principalmente nas situações de conflito. Por ter que lidar com família, trabalho, finanças e relacionamentos, tudo ao mesmo tempo, a mulher se dedica a detalhes que, para um homem, poderiam passar despercebidos”, acredita.

Seis meses após o início das operações, a CWK já tinha alcançado o ponto de equilíbrio operacional, ou seja, despesas e receitas estavam equilibradas. Isso permitiu que em dois anos Bruna obtivesse o retorno do investimento inicial de R$ 250 mil. Foi neste momento que a empresa fez sua primeira expansão, abrindo uma franquia no bairro de Itaim Bibi, em São Paulo, importante polo financeiro da cidade. Os anos seguintes permitiram a abertura de mais duas franquias em Minas Gerais.

“Ainda esse ano, abriremos duas outras franquias: uma em Belo Horizonte e outra em Lauro de Freitas, na Bahia. A expectativa é, além dessas duas, inaugurar mais três franquias até julho de 2019”, revela.

Se a empreitada compensou financeiramente, Bruna afirma que, em questões salariais, está equivalente ao que recebia, mas ela ganhou em muitas outras coisas, como qualidade de vida. “E, nisso, eu posso dizer que é dez vezes mais gratificante do que qualquer coisa. A flexibilidade de tempo e poder me dedicar ao meu filho sem restrição de horário são exemplos disso”, conclui.