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Ela fatura R$ 1 milhão no mercado de drones e quer mais mulheres na área

Arquivo pessoal
Raquel Molina, 33, criou a Futuriste, empresa que, desde 2015, já atendeu cerca de 11,5 mil clientes Imagem: Arquivo pessoal

Beatriz Santos e Marina Oliveira

Colaboração à Universa

19/10/2018 04h00

Raquel Molina, 33, sempre esteve na área de tecnologia, um gosto que herdou do avô, quem deu a ela seu primeiro computador. Formou-se em TI, fez pós-graduação em Governança de TI e trabalhou por anos como analista de sistemas em banco. Mas queria mesmo era empreender.

O desejo ganhou mais força em 2013, quando Raquel leu uma reportagem de revista sobre drones (veículos aéreos não tripulados), o texto falava sobre como essa tecnologia estava revolucionando o mercado fora do país. Era a oportunidade de fazer algo inovador dentro de um setor que ela já dominava.

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Para essa empreitada, chamou o namorado da época, que hoje é seu marido e sócio, Leonardo Minucio. “O sonho era meu, mas acabei influenciando ele, também. Por um bom tempo, não saímos para namorar, mas para fazer brainstorming, falar de possibilidade de negócios”, conta.

Começaram uma maratona de estudos e análise de mercado. A ideia inicial era que a empresa oferecesse serviços com drones, como monitoramento de áreas agrícolas, fotos e filmagens aéreas para eventos e produções audiovisuais, inspeção e mapeamento 3D aéreo.

Mas ao terem de aprender a usar os equipamentos, na tentativa e erro, identificaram uma demanda no mercado: falta de capacitação. “Quando estudávamos sozinhos, usamos material de fora do Brasil, não tinha quase nada em português”, fala. Decidiram que, além de oferecer serviços, venda e manutenção de drones, também treinariam quem quisesse trabalhar com veículos aéreos não tripulados. Dessa forma, ganhavam um diferencial de negócio, uma nova fonte de renda, além de ajudarem a profissionalizar o mercado em que escolheram investir.

Planejar para começar

A Futuriste começou a funcionar em 2015 e já atendeu 1.500 clientes, entre pessoas físicas e jurídicas. Mas o caminho até aqui não foi fácil. Era uma empresa nova em uma área nova, não havia dados oficiais de comportamento dos clientes, por exemplo. “Quando você inicia em algo popularizado, já é uma etapa a menos, mas eu tinha que começar convencendo as pessoas que drone não é brinquedo. E, a partir daí, partir para a venda. Eram dois passos para trás e um para frente”, conta.

O planejamento feito por ela e o sócio, antes de abrirem o negócio, foi fundamental para que a empresa não acabasse antes mesmo de começar. “Começamos com um dinheiro que tínhamos e passamos o ano de 2014 nos planejando. Muitas pessoas subestimam o plano de negócio, mas eu seguia o padrão do Sebrae certinho. E tivemos persistência, porque muitos iniciam e dois meses depois reclamam que não deu certo. Mas não é de uma hora para outra. Nós tínhamos uma estratégia de gestão realista”, fala. “Demoramos seis meses para montar nossa primeira turma de curso”, lembra.

Além de planejar-se financeiramente, foi preciso mudar a cabeça, de profissional contratada com salário fixo para empreendedora. Na época, a filha deles, Bianca, tinha 5 anos e o casal decidiu que Raquel sairia do banco primeiro, para se dedicar à empresa, e Leonardo só se juntaria a ela quando fosse possível ele ganhar o equivalente ao salário de banco da época, o que aconteceu um ano e meio depois. “Eu não era infeliz no meu trabalho, mas tinha esse sonho de ter meu próprio negócio e não sosseguei até conseguir”, fala.

Arquivo Pessoal
A empresária quer levar mais mulheres para trabalhar em uma área predominantemente masculina Imagem: Arquivo Pessoal

Mercado de drones é lugar de mulher

O pioneirismo da empresa também era de Raquel, que estava entrando em um mercado predominantemente masculino. Ela fala sobre uma vez em que estava em uma feira de negócios e um homem entrou no estande da empresa, buscando informações sobre um modelo de drone. “Ele pediu para que eu chamasse um dos rapazes que estavam lá, para lhe dar explicações. Eu respondi: ‘O que o senhor gostaria de saber? Eu posso ajudar’. Ele pensou que eu era a recepcionista e insistiu para que chamasse um homem”, fala. “São situações que ainda acontecem, mas cada vez menos. Eu tenho que lidar com homens me testando, para ver se realmente sei o que estou falando e fazendo, e é nessa hora que eu mostro total conhecimento do meu negócio”, fala.

Hoje, Raquel Molina exerce o cargo de diretora executiva da empresa que cofundou e chefia uma equipe de 17 pessoas. “Eu faço o planejamento estratégico e financeiro, cuido de pessoas, novos mercados, novos cursos e oportunidades de crescimento”, fala. O faturamento da empresa já ultrapassou R$ 1 milhão e a previsão de crescimento para 2018 é de 30%.

A empresária, agora, quer trazer mais mulheres para o setor. “O nosso número de alunas ainda é baixo, cerca de 10% do total”, fala. Ela culpa a falta incentivo, ainda na infância, para despertar o interesse da menina por áreas diferentes daquelas que são tidas como femininas. Por isso, sua filha já brinca com um minidrone e é fã de videogames. Além de fazer palestras sobre sua área de atuação, Raquel também atua como mentora em projetos de empreendedorismo feminino. “Eu quero mais mulheres pilotando drones”, fala.