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Levada a uma 'salinha do choro' em diagnóstico, ela venceu o câncer de mama

Priscila Barbosa/Universa
Esse é o mês da prevenção da doença Imagem: Priscila Barbosa/Universa

Marcos Candido

Da Universa, em Toulouse (França)*

17/10/2018 04h00

Hoje, a gaúcha Simone da Rosa, 39, se considera uma vencedora, mas nunca vai se esquecer de uma tarde em março de 2017. Após ter feito alguns exames, a médica prometeu telefonar com os resultados em uma semana. Mas apenas cerca de três dias depois, Simone recebeu a ligação.“Eu já imaginava o que ela iria dizer”, relembra.

Chegando ao hospital, foi convidada para entrar em uma sala reservada, sem janelas. A médica fez o convite para que ela se sentasse. Uma embalagem com lenços estava sobre a mesa. Simone tinha sido diagnosticada com câncer de mama.

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“Saí daquela salinha sinistra meio sem direção. Nas ruas, as cores do semáforo ficavam até embaralhadas”, diz. Mais tarde, a médica explicou que ali era a “salinha do choro”, para onde as pacientes eram levadas para receberem a notícia.

Nos seis meses seguintes, Simone passou por sessões de radioterapia, quimioterapia e uma cirurgia para retirada da região da mama afetada pelo câncer. “Meus cabelos caíam sobre mim durante o banho. As pessoas passaram a me olhar com pena”.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 60 mil casos de câncer de mama devem ser diagnosticados no Brasil até o fim do ano. Ainda que afete homem e mulher, 99% dos casos são no sexo feminino. É o segundo tipo de câncer mais comum entre elas, por aqui e no mundo. O Inca calcula que mais de 14 mil mortes no país tenham acontecido em decorrência do câncer de mama em 2013, último ano do levantamento nacional feito pelo órgão.

Venceu o câncer

Em etapas finais de seu tratamento, Simone foi uma das homenageadas pela campanha de Outubro Rosa promovida pela Azul, companhia aérea em que trabalha. Atendente de aeroporto, ela foi com algumas colegas para Toulouse, no sul da França, conhecer o avião modelo Airbus A320 neo cor-de-rosa, fabricado na cidade. Os cabelos, pretos, já retornam.

“Apesar do susto no dia do diagnóstico, fiquei bastante tranquila. Nunca passou pela minha cabeça que eu iria morrer. Acredito que essa tranquilidade veio porque tenho uma filha de 10 anos e eu precisava ser forte por ela. O apoio do meu companheiro, da minha família e dos meus colegas foram fundamentais, principalmente nos momentos mais difíceis do tratamento. Aprendi a enxergar a vida -- e a me enxergar -- com mais leveza", conclui.

Como tratar o câncer de mama

O quanto antes se descobrir, maior o número de opções para o tratamento. No câncer de mama, cada caso é um caso com tratamentos específicos. Inicialmente, o médico mais indicado para a detecção do câncer de mama é o mastologista.

Segundo o Inca, a recomendação é que mamografia seja feita a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, como um exame de rotina. Antes dessa idade, mantenha um estado de alerta permanente e fazer exames específicos. Não é preciso ter histórico familiar.

Divulgação
A atendente de aeroporto Simone Rosa Imagem: Divulgação

O autoexame também pode ajudar a encontrar nódulos, mas costuma identificar apenas tumores em estágios mais avançados; e é, por isso, considerado um procedimento tardio. 

* O repórter viajou para Toulouse a convite da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, que não interferiu no conteúdo jornalístico.