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Irmãs criam marca de roupa de frio no Nordeste e já faturam R$ 2 milhões

Arquivo pessoal
Mariá (à esquerda) e Júlia na loja da marca criada por elas, Oficina de Inverno, em Fortaleza (CE) Imagem: Arquivo pessoal

Léo Marques

Colaboração para Universa

16/10/2018 04h00

Nascidas e criadas em Teresina, Piauí, as irmãs Mairá Evangelista (31) e Júlia Evangelista (28) estavam mais do que acostumadas com o calor do Nordeste, principalmente na região em que moram. O que elas não imaginavam era que o frio seria a verdadeira praia delas. Recém-formadas em administração de empresas e diante de experiências turísticas mal-sucedidas, com temperaturas que chegaram a -15 °C, as duas resolveram juntar suas economias e abrir um e-commerce para vender roupas para invernos rigorosos. Hoje, a empresa, fundada em 2014, já tem três lojas físicas, todas no Nordeste, e faturou, em 2017, mais de R$ 2 milhões.

Filhas de comerciantes, as meninas foram criadas em meio à rotina de compras, estoques e criação de marca. “O varejo sempre esteve presente em nosso dia a dia e logo se tornou uma paixão. Quando éramos crianças, sempre estávamos presentes nos bastidores da empresa. Nossa mãe nos levava para lá para não ficarmos sozinhas em casa e a medida que crescíamos fazíamos atividades apropriadas para a idade. Nossos pais nos envolviam em tudo!”, contam.

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Logo que saíram do ensino médio foram fazer administração, em Minas Gerais, terra natal da mãe, e por lá permaneceram até suas respectivas formações, retornando para Teresina logo na sequência. A ideia para a criação da empresa partiu de uma experiência traumática. Elas e a família estavam em Nova Iorque, Estados Unidos, em uma passagem de ano de 2011 para 2012 quando enfrentaram um inverno tão rigoroso que as roupas que tinham levado não suportaram. No fim, tiveram que passar a virada dentro do quarto do hotel.

“Essa situação nos fez enxergar uma oportunidade de empreender no setor de roupas de frio. Não era a primeira vez que enfrentávamos baixas temperaturas sem a vestimenta adequada. Também não nos interessávamos pelas roupas estilo esportivo que encontrávamos para comprar. Daí surgiu a ideia de criar a Oficina de Inverno, para alinhar o aquecimento efetivo com peças que fossem elegantes”, explica Mariá.

Primeiras escolhas e desafios

Com pouco dinheiro para investir, as irmãs apostaram o que tinham juntado a vida toda para abrir uma loja virtual. “Começamos com o e-commerce por questão de orçamento e risco. O dinheiro que tínhamos dava para o estoque inicial e a plataforma on-line. Não tínhamos como abrir uma loja, mas sempre foi o nosso sonho atender diretamente em pontos físicos e levar nossa identidade de marca para um contato mais pessoal”, conta Júlia.

O baixo orçamento levou as meninas a operarem de dentro da casa dos pais. Começaram fazendo o quarto da irmã mais nova de estoque e, conforme a venda crescia, as caixas foram tomando a sala de jantar e estar. “Chegou um momento em que os moradores só conseguiam frequentar os seus quartos e a cozinha, tendo até mesmo uma estagiária trabalhando em casa com a gente. Por mais que pareça tumultuado --e realmente era-- cada uma dessas expansões entre os cômodos era para nós uma grande conquista e motivo de comemoração”, lembram.

As dificuldades não se limitaram ao espaço físico. Segundo Mariá, o principal desafio foi a falta de experiência, o que incluía o dimensionamento do público, tanto por não conhecer o mercado on-line, quanto por não conseguir quantificar a demanda pelo estilo de produto comercializado.

“Éramos as únicas colaboradoras da empresa, e foi difícil gerir o tempo para conseguir exercer todas as atividades –de identidade de marca, até mesmo embalar os pacotes e responder aos clientes no chat. Além disso, tínhamos que nos organizar para aprender o que não sabíamos –como estratégia de e-commerce”, relata Júlia.

“O frio passou a fazer parte do nosso estilo de vida”

Arquivo pessoal
Mariá e Júlia com a família em uma das viagens anuais que fazem para testar os produtos Imagem: Arquivo pessoal

O negócio começou a deslanchar para valer e a fazer diferença financeira na vida das duas apenas quando elas puderam se dedicar exclusivamente à empresa. Antes disso, tinham empregos paralelos, que eram suas principais fontes de renda. Mariá se dedicou exclusivamente a partir do primeiro ano, e Júlia só após o segundo ano da Oficina de Inverno.

Além de cuidar da administração do negócio, elas também passaram a desenhar boa parte das peças que vendiam, de cachecol e pashmina passando por casacos que aguentam temperaturas de até -15 °C. “É muito divertido se aventurar em novas áreas, como o desenvolvimento de produtos. Nossa marca tem uma pegada urbana, com foco na utilidade e forma de usar a peça, pensando lá na frente para quando o cliente estiver com ela em suas viagens. Disso entendemos muito, pois sempre fomos viajantes”, contam as empreendedoras.

A realização do sonho da loja física veio logo em seguida, já em 2016. Fortaleza, no Ceará, foi o destino escolhido por ser um polo turístico forte no Nordeste, atraindo pessoas do mundo todo. Já em 2017, elas inauguraram a segunda unidade, em Recife (PE), outro grande polo turístico. Este ano, lançaram a terceira loja, em Teresina, a primeira em sua cidade-natal. Atualmente, o negócio emprega 18 pessoas e a média gasta por cliente, juntando as lojas físicas e on-line, gira em torno de R$ 550. Só em 2017, a empresa faturou mais de R$ 2 milhões e com as inaugurações das duas últimas unidades pretendem dobrar esse valor já em 2018.

A partir do momento que abriram a Oficina de Inverno, as meninas mudam de acordo com as necessidades das lojas físicas. Julia mora em Fortaleza desde 2016, e Mariá já foi para Fortaleza, Recife, e agora voltará para Fortaleza. “Temos muita paixão pelo que fazemos e vamos para onde a Oficina de Inverno nos levar. Somos felizes em ser andarilhas! Além disso, desde que abrimos a empresa nossas viagens de férias são prioritariamente para o frio. Sentimos necessidade de testar novos produtos, clima, ver o que podemos melhorar nas nossas peças” explicam e complementam: “O frio passou a fazer parte do nosso estilo de vida, mesmo ainda morando no Nordeste”.