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Vaginismo: dor durante a penetração que atinge muita mulher tem tratamento

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Mulheres contam como trataram o vaginismo Imagem: iStock

Luiza Souto

Da Universa

12/10/2018 04h00

O abuso sexual que sofreu do próprio pai aos oito anos desencadeou em Esther* diversos traumas. Um deles é o vaginismo: uma dor extrema na hora da relação sexual, causada muitas vezes pelo medo e estresse excessivo, e que se caracteriza pela contração involuntária dos músculos da vagina --o que dificulta muito a penetração. Esther descobriu o problema quando casou. Na noite de lua de mel não conseguiu ter relação com o marido. Foi preciso um ano de terapia para que o casal pudesse fazer sexo com penetração. 

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“Aos oito anos sofri vários abusos do meu pai. Ele não me estuprou, mas aproveitava quando estávamos sozinhos para passar a mão em mim, me mostrar ‘as coisas’. Não contei nada para minha mãe porque ele me ameaçava e dizia que ia matá-la. Até hoje ela não sabe. Meses depois, nasceu a minha irmã e ele parou. Os dois se separaram quando eu já tinha 20 anos e nunca mais o vi.

Conheci meu marido com 27 e nos casamos dois anos depois. Não consegui ter nenhuma relação com ele porque meus músculos ficavam todos contraídos, era algo involuntário. Ele só se masturbava. Como sabia dos abusos, compreendeu minha situação.

Demorou pouco mais de um ano até ter o diagnóstico de vaginismo da ginecologista. Ela me mandou para a terapia sexual, e passei por várias sessões. Fiz exercícios, inclusive com dilatadores, mas meu maior problema era o bloqueio emocional.

Logo depois da primeira sessão, consegui ficar mais à vontade e ter relação com meu marido, mas me ardia muito. O sexo foi melhorando gradativamente. Precisei fazer muitos exercícios diariamente, principalmente com dilatadores. As dores passaram totalmente após dois meses. Hoje estou 90% bem. Ainda tenho um pouco de medo de sentir dor, e daquela sensação ruim do passado, mas prefiro seguir em frente”

Medos e traumas

O vaginismo não tem uma causa orgânica, nem ocorre por causa de processos inflamatórios. Ele acomete de 3 a 5% das mulheres. Normalmente, parte de um medo ou trauma pelo qual a mulher passou, conforme explica o psicólogo e especialista em sexualidade humana Paulo Tessarioli, que é também presidente da Abrassex (Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual). De acordo com o psicólogo, o problema pode acontecer em diferentes fases da vida da mulher, como por exemplo, depois de um parto malsucedido.

Depois do diagnóstico, que precisa ser feito por um ginecologista, o tratamento recomendado é a terapia. E uma das vertentes utilizadas nesses casos é a sexual. Nesse tipo de tratamento, são utilizados exercícios com dilatadores para relaxar a musculatura vaginal, entre outras técnicas.

“Muitas meninas são desencorajadas a se tocarem e se distanciam do próprio corpo. O tempo todo ouvem que ‘ali não pode’, criando um medo do íntimo. Esse tipo de educação também pode levar ao vaginismo", explica Tessarioli. 

A estudante Camila*, de 24 anos, não tinha um trauma, mas o relacionamento abusivo com o primeiro namorado dificultou sua vida sexual. Ela relata que sentia “uma dor absurda” durante o relacionamento, que não passava nem com anestésico ou bebida alcoólica. E ela ainda se sentia culpada por não dar prazer para o companheiro. “Ele sempre dava um jeito de me fazer sentir mal", afirma.

Após quatro meses de fisioterapia e com um novo namorado, mais delicado, as dores praticamente não existem.
“Comecei a namorar outra pessoa, e contei do vaginismo. Não deu certo na nossa primeira vez, até que um dia, despretensiosamente, conseguimos. Fiquei muito emocionada, ele foi um fofo e deu tudo certo”.