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Mapa da mina

Ela vendia lingerie de porta em porta e hoje exporta cosméticos eróticos

Arquivo pessoal
Elaine Pessini e o marido, Henrique, com o prêmio de qualidade recebido em 2013, no Panamá Imagem: Arquivo pessoal

Léo Marques

Colaboração para Universa

12/10/2018 04h00

A capixaba Elaine Pessini nunca teve vergonha de lutar pelo seu sustento. Ela ainda estava na faculdade de pedagogia, em 2001, quando vendia lingerie de porta e porta, em Vila Velha (ES), para ajudar a complementar a renda de casa. As coisas começaram a mudar quando percebeu que precisava apimentar a vida sexual em seu casamento. Convidou então o marido, Henrique, policial militar, para visitar uma sex shop. Com a recusa dele, ela decidiu ir sozinha.

“Chegando lá, a vendedora me apresentou um gel de massagem com sabor e que aquecia na pele. Fiquei muito surpresa com o efeito. Como já revendia lingerie de porta em porta, resolvi pesquisar e comprar os géis para revenda direto para as lojas de lingerie. Percebi que muitas mulheres tinham receio de entrar em sex shop, mas que gostariam de algo para dar uma apimentada em seu relacionamento”, conta.

Na época, segundo Elaine, só havia um sex shop em todo o estado. Foi a oportunidade que faltava. Sem o marido saber qual era a finalidade, ela pediu emprestado R$ 150 e procurou um fornecedor de cosméticos sensuais. Com a revenda, conseguiu um lucro de R$ 450. O marido achou interessante o ganho e sugeriu que ela reinvestisse o valor comprando mais produtos nessa linha. Em 2004 a comerciante já tinha conquistado uma carteira de 180 lojistas, atuando como representante e vendedora de produtos sensuais em todo o Espirito Santo.

Uma tragédia e a força para novos voos

Porém, em 2005, o casal recebeu a trágica notícia de que o filho de seis anos estava com câncer. Diante dos cuidados que a criança precisava, Elaine foi, aos poucos, dedicando cada vez menos tempo às suas revendas, o que levou a uma diminuição drástica do número de clientes.

“Foi em um momento de desespero que disse a meu marido que só continuaria no mercado se ele fizesse química ou farmácia (para a elaboração dos próprios produtos) e se nós tivéssemos a nossa própria fábrica, caso contrário, iria ficar somente como representante das marcas de lingerie”, recorda e complementa: “No final de 2005 meu filho já estava curado e foi quando meu marido me fez uma surpresa. Ele me entregou um jornal e pediu para abrir em uma determinada página. E lá estava o nome dele em 2º lugar aprovado para o curso de química”.

A ajuda e o incentivo do marido foram cruciais para os próximos passos. Já em 2006, o casal decidiu abrir a Pessini Cosméticos, atuando inicialmente apenas como revendedora de géis e cremes sensuais, além de produtos eróticos. Em quase três anos, foram investidos cerca de R$ 1 milhão em pesquisas, licenças e implantação da fábrica, que foi inaugurada no fim de 2008, em Vila Velha (ES).

Henrique continuou atuando como policial até o fim da faculdade, em 2012. “A saída dele do antigo emprego foi um processo bem tranquilo e consciente. Sua presença na empresa foi fundamental para nosso crescimento”, ressalta. Ele não parou com os estudos, além da graduação em química, fez especialização na França e já está em sua terceira pós-graduação em cosmetologia. Já Elaine, além de um curso em gestão de negócios, também se formou como sexóloga.

Ela não abre o faturamento, mas, para se ter ideia do potencial da empresa, hoje a fábrica tem capacidade de produzir 400 mil unidades por mês e vende em torno de 1,5 milhão de unidades por ano. A linha mais comercializada são os géis para massagem com sabor, que saem para o consumidor entre R$ 20 e R$ 40. São 86 itens no catálogo, com linhas compostas por géis, cremes, loções, sabonetes e produtos voltados para cabelos.

Arquivo pessoal
Elaine ministrou palestra e levou seus produtos para a Feira Erótica de Hong Kong, em 2014 Imagem: Arquivo pessoal

São mais de 500 compradores diretos, que fazem a distribuição dos produtos por todo Brasil e para países da América do Sul, EUA, África e Emirados Árabes. Além da fábrica, a Pessini possui um escritório em São Paulo, empregando um total de 22 pessoas.

Segundo Elaine, quase tudo o que o casal lucrou foi reinvestido na própria empresa. “E pretendemos continuar assim até que ela fique mais forte”, comenta. Mas as conquistas nesse meio tempo foram muitas, não só materiais, como relacionadas à educação e à saúde. “A empresa nos permitiu construir uma casa maior, ter um carro bom e oferecer ao nosso filho uma ótima faculdade”, conta orgulhosa e se emociona ao lembrar da mãe: “Outra coisa muito importante foi poder pagar o tratamento da minha mãe quando ela foi diagnosticada com câncer de mama em 2014”.

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