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Moda

Estilista brasileira troca SPFW por Los Angeles para desfilar nova coleção

Alexandra Pro Photos
Desfile de Fabiana Milazzo na Semana de Moda de Los Angeles Imagem: Alexandra Pro Photos

Andressa Zanandrea

Da Universa

10/10/2018 19h55

Fabiana Milazzo embarcou com oito malas para os Estados Unidos na última sexta-feira (5). O destino: a Semana de Moda de Los Angeles, onde apresentou sua coleção de primavera-verão 2019, na noite de terça-feira (9). Na bagagem, estavam as roupas -- que tiveram os últimos ajustes às 21h daquele dia, seis horas antes de o voo sair do Aeroporto de Guarulhos -- incluindo 34 pares de sapatos. 

A mineira, que fez parte das últimas três edições da São Paulo Fashion Week, está investindo na internacionalização da marca -- que tem 20 anos e já foi usada por famosas como Thaila Ayala, Marina Ruy Barbosa, Camila Coelho e Thais Fersoza. "É tudo novo e diferente. Estou entendendo o mercado. Nem falo inglês direito", disse à Universa, por telefone. Este foi seu primeiro desfile fora do país. Os custos para uma apresentação no exterior, segundo ela, são semelhantes aos da SPFW.

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Fabiana tem loja em Los Angeles desde fevereiro de 2017. Grifes badaladas como Balmain, Oscar de la Renta e Zimmermann são suas vizinhas. "A concorrência não é brincadeira. Precisava começar a fazer desfile internacional, porque na passarela consigo contar uma história. Não esperava que fosse ser tão bom, que tivesse tanta receptividade. Quando entrei, fui aplaudida de pé pela plateia, que tinha 500 pessoas, incluindo Shiva Safai, a madrasta de Gigi Hadid, e a atriz Adelaide Kane", contou ela, que pretende continuar fazendo apresentações e showrooms fora do país -- mirando em Nova York ou Milão no futuro. 

Por aqui, a coleção só deve ser desfilada para um petit comité, na loja mesmo, em fevereiro. Além disso, Fabiana vai participar com sua moda casual e de festa de showrooms no Minas Trend e de outro em São Paulo -- além de suas lojas em São Paulo, Los Angeles e Uberlândia, suas peças são vendidas em cerca de 60 multimarcas. "A crise não afetou minhas lojas de varejo, todo mundo veste, todo mundo gosta", garante.

Moda sustentável

Com um casting de modelos locais, foram desfilados 28 looks -- 30% das peças são ecofriendly, e foram criadas seguindo processos sustentáveis, como upcycling (com sobras de tecidos guardados de coleções anteriores) e tingimentos naturais feitos com erva-mate, cebola e folha de catuaba. Além disso, foram usados materiais como algodão orgânico, seda da O Casulo Feliz, e tecidos de fibra de liocel e modal feitos com o fio austríaco Lenzing Modal, carbon neutral, produzidos apenas com oxigênio.

A coleção conta, ainda, com cintos de metal reciclado e sapatos feitos de couro de peixe de uma comunidade ribeirinha. Segundo a estilista, as mulheres de Guaratuba (PR) foram treinadas para aprender a cuidar do material, que seria descartado e é tingido de maneira natural. 

"Há seis anos, comecei a trabalhar com sustentabilidade, quando fiz roupas feitas a partir de garrafas pet, e venho aumentando isso nas coleções. Depois veio a Renovarte, que faço há mais de um ano e lancei na última SPFW, crio um tecido novo a partir de pedaços que vou guardando. Sinto essa necessidade de ampliar a minha oferta de produtos sustentáveis e ecofriendly. Tem muitas coisas novas que consegui usar. Espero que essas roupas sejam muito procuradas", diz a estilista.

Por conta do caráter artesanal das peças, elas não são feitas em larga escala e custam cerca de 30% mais do que as tradicionais -- o tíquete médio da loja começa em R$ 500, mas atinge cinco dígitos nos modelitos de festa mais trabalhados. "Demoro três dias para fazer uma peça de roupa com os retalhos que vão sobrando da minha produção. É uma obra de arte, pois cada peça sai de um jeito", conta.

Fabiana acredita numa mudança de comportamento nas relações de consumo, de se comprar menos e entender as origens das peças. "Quando as pessoas compram coisas muito baratas de fast fashion, eu digo que não tem milagre e que alguém está sofrendo nesse processo", alerta ela, que trabalha com cerca de 80 pessoas em São Paulo e Minas Gerais. Algumas coisas são terceirizadas, como jeans e tricô: "Mas sempre procuro saber com quem estou trabalhando", garante. 

A estilista também analisa que a moda sustentável mudou. "Até um tempo atrás, era muito hippie. Mas agora faz parte inclusive do novo luxo: o produto tem que ter qualidade, exclusividade, sofisticação, mas tem que ter mais que isso. A marca tem que ter coerência. O criador e as pessoas envolvidas no processo têm que trabalhar com respeito acima de tudo, pelo meio ambiente e pelas outras pessoas", acredita, 

Reprodução/Instagram
Gisele usou um conjunto sustentável feito por Fabiana na capa da "Vogue" de outubro Imagem: Reprodução/Instagram

Gisele Bündchen

Em fevereiro, Fabiana recebeu uma missão: vestir pela primeira vez a top model Gisele Bündchen, que seria fotografada para a "Vogue" com um modelito sustentável, seguindo o conceito do upcycling. "Criei o conjunto de top e hotpants especialmente para ela. É de um tecido que desfilei na SPFW. Ela queria um biquíni, já que a foto seria feita na frente da cachoeira. Fiz a roupa em maio e fiquei até outubro sofrendo esperando essa capa sair. Fiquei tensa, porque tinha que dar tudo certo. É a Gisele!", conta, aos risos.

A estilista teve de passar pelo crivo da modelo, uma ativista ambiental. "Tive que mandar todo meu material, de tudo que já fiz ate hoje, para ela ver que eu não estava me aproveitando da situação." O timing foi certeiro: os convidados da primeira fila do desfile receberam exemplares da revista. "Acho que vai me abrir portas, me apresentar para pessoas boas", completa.

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