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Violência contra a mulher

"Meu pai ateou fogo na minha casa depois que minha mãe pediu o divórcio"

Arquivo pessoal
A estudante Julia Spak Imagem: Arquivo pessoal

Camila Brandalise

Da Universa

06/10/2018 04h00

A estudante Julia Spak, 19 anos, estava em um bar em um sábado à noite quando recebeu uma mensagem com a foto da casa dela, onde morava com a mãe, pegando fogo. “Ele queimou tudo”, pensou ao ver a imagem. “Comecei a tremer, não conseguia respirar", conta à Universa.

Ele, no caso, é o pai de Julia, que ameaçava ela, a irmã e a mãe desde o começo do ano por não aceitar o divórcio. “Ele disse que ia matar minha mãe e falou várias vezes, por mensagem e pessoalmente, que colocaria fogo na nossa casa”, afirmou. “Nunca acreditei, meu medo era que ele cometesse suicídio.”

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O medo vinha das constantes mensagens que Julia  recebia. “Uma vez eu estava na aula, ele escreveu dizendo que iria se matar, que era para eu correr e dizer para a minha mãe voltar com ele”, lembra.

Arquivo pessoal
Imagem do incêndio na casa de Julia Imagem: Arquivo pessoal

A possibilidade do suicídio, inclusive, foi o que fez a mãe de Julia hesitar em pedir o divórcio por tanto tempo. Segundo a estudante, há pelo menos 10 anos ela escuta que o casal iria se separar. “Minha mãe não estava feliz, ele era agressivo e a traía: chegou a ter um filho fora do casamento. Mas ele não aceitava a separação”, conta. Foi após um episódio em que ele quebrou as janelas e os eletrodomésticos da cozinha de casa que a mãe decidiu dar um basta. O divórcio saiu em maio deste ano.

“Uma bala para cada um”

No dia em que sua casa pegou fogo, Julia estava visitando o namorado em Canoinhas (SC), a uma hora de sua cidade natal, União da Vitória (PR). A mãe foi para a casa de uma amiga depois de receber uma mensagem da outra filha, que mora em São Paulo: “Mãe, saia de casa porque ele está transtornado”. O recado foi dado depois que a garota recebeu a foto de duas balas de revólver com a legenda: “É uma para cada um. Vou para a cadeia, sou corno”.

Quando Julia chegou em casa depois de receber a notícia do incêndio, o fogo já tinha sido contido. O boletim de ocorrência foi registrado pela mãe, e a polícia afirma que o caso, agora, está sob investigação. O pai sumiu, não mandou mais mensagens nem a procurou.

Julia e a mãe também procuraram a Delegacia da Mulher para prestar queixa. Lá, conseguiram uma medida protetiva, para tentar garantir a segurança de ambas: caso o pai se aproxime delas ou tente contato por telefone ou redes sociais, está cometendo crime. O documento foi concedido na terça-feira (25), três dias depois do incêndio.

Vaquinha on-line

As duas agora estão morando temporariamente na casa de uma amiga. A estudante criou uma vaquinha on-line para arrecadar dinheiro para comprar outra casa e postou o pedido de ajuda em suas redes sociais. Postou também a denúncia contra o pai. “Ele queimou a nossa história”, diz.

A jovem relata não ter sofrido agressão física direta dele nesses anos, mas presenciou a violência contra a mãe e contra a irmã. “Uma vez, quando minha irmã tinha 15 anos, passou lápis preto no olho. Ele deu tapa na cara delae a chamou de vagabunda”, lembra. “Ele já foi para cima da minha mãe várias vezes, só não bateu porque eu entrava no meio. Sempre foi muito sofrido.”

Julia diz que, hoje, está “anestesiada”. “É muito difícil acreditar que isso está acontecendo: meu pai, com quem vivi por anos, colocou fogo na minha história porque não aceitou a decisão da minha mãe de se separar. Sinto muita angústia.”

Conhece alguém que está passando por uma situação semelhante? Para denunciar, disque 180.

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