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Em dupla: masturbação com o parceiro apimenta relação e cria cumplicidade

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Masturbação em dupla ajuda no autoconhecimento e descomplica o sexo do casal Imagem: Getty Images

Natália Eiras

Da Universa

05/10/2018 04h00

Masturbação é uma parte importante do autoconhecimento e da descoberta da sexualidade. Inclusive quando você está em um relacionamento. De acordo com especialistas, estimular-se com seu companheiro pode ser uma forma de encontrar novas formas de prazer e cumplicidade na cama.

A “brincadeira”, que pode ser uma preliminar ou a atração principal de uma noite a dois, é maneira fácil e acessível de fugir da rotina sem a necessidade de fantasias elaboradas. “O desejo é algo que precisamos alimentar em um relacionamento. E você sair do roteiro da relação sexual a deixa mais saudável”, fala a fisioterapeuta do sexo Márcia Oliveira, do Rio de Janeiro (RJ). “A magia está no mistério”. E, segundo Oliveira, as sensações causadas pela masturbação são uma caixinha de surpresa. “É difícil repetir padrões”, diz.

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Assim, a masturbação em dupla pode ser diversão dobrada, já que é uma boa oportunidade para sair da receita de todos os dias e conhecer mais o corpo do parceiro. “Cada um sabe como gosta de ser tocado. Este autoconhecimento simplifica o sexo, porque torna mais fácil você contar para o outro como sente prazer”, afirma a terapeuta sexual Carla Geane, de Pato de Minas (Minas Gerais).

Além do autoconhecimento, a masturbação em dupla também pode ajudar a descobrir o corpo do parceiro. Enquanto ele se estimula, a outra pessoa fica livre para explorar zonas erógenas que não conseguiria estimular durante o sexo com penetração. “O homem, por exemplo, pode explorar muito mais os seios”, fala a sexóloga com abordagem holística Virginia Gaia, de São Paulo (SP). “Você dedica mais tempo à sensibilidade do outro”, pontua Márcia Oliveira. “É uma troca de carinhos muito intensa”, completa.

Porém, muito mais do que mexer com as sensações táteis, a masturbação em dupla também é um estímulo visual para o companheiro que está assistindo. “É perceber o empoderamento do outro em relação ao próprio corpo. ‘Eu gosto, eu me garanto, eu sei como fazer isso para mim’. Isso excita muitas pessoas”, explica Geane.

Parceria e conexão fora da cama

Por ser uma troca de carinhos bastante intensa, a prática tem benefícios que vão além da cama. De acordo com os especialistas, marturbar-se com o parceiro pode melhorar a conexão entre os dois. “Emocionalmente, essa masturbação traz uma cumplicidade maior do casal”, fala Virginia. “Ela aproxima porque ambos estão aprendendo como dar mais prazer um para o outro”, completa Márcia Oliveira.

A arquiteta e urbanista Marcela*, 30 anos, de Guarulhos (SP), acredita que a brincadeira dá leveza ao seu relacionamento, qualquer que seja o contexto em que ela e o namorado a façam. “Acho que esse tipo de coisa deixa o sexo mais natural e aproxima as pessoas envolvidas”, diz a jovem. “Faz a gente dar risada, testar coisas, se aproximar e levar tudo de um jeito tão íntimo e divertido”, complementa.

Esta conexão se dá porque o casal está partilhando um momento altamente íntimo. E este exercício pode ajudar, de acordo com Virgínia, mulheres que não costumam ter orgasmos com a penetração. “A mulher vai descobrindo novas formas de se dar prazer”, diz a especialista.

É o caso da publicitária Roberta*, 29, de São Paulo (SP). Ela tinha muita dificuldade de chegar ao clímax com parceiros, mas encontrou, com o atual namorado, outras formas de ter prazer. “Nós fomos juntos experimentando níveis cada vez mais altos de intimidade e conexão. E um dessas formas é se masturbar em dupla. Hoje, isso já é uma coisa corriqueira do nosso relacionamento”, conta a paulista. “É um momento de olho no olho, observar o corpo do outro e o próprio corpo, fazer carinhos e conversar”.

Mas, assim como qualquer outra prática sexual, o exagero pode trazer desvantagens para a relação do casal. “Costumamos dizer que há um problema sexual quando uma pessoa só consegue sentir prazer de uma única forma”, diz Virginia Gaia.

Mas é sexo?

Há parceiros, no entanto, que não acreditam que estimulação em dupla é uma forma de partilhar um momento de prazer. Márcia Oliveira diz que a ideia tem a ver com a forma como interpretamos a masturbação. “A sociedade a vê como um ato egoísta, muito ligado à adolescência, então muita gente tem receio de usar essa técnica na relação a dois”, explica a especialista. “A pessoa correlaciona a masturbação a promiscuidade, não ao carinho”. “Estimular-se é a maior prova de amor consigo mesmo”, complementa Carla Geane.

As pessoas também acreditam que uma relação se configura como sexo apenas quando há a penetração e/ou troca de fluidos. “É daí que vem aquela ideia de que sexo entre mulheres lésbicas ‘falta alguma coisa’, porque não tem o que penetrar”, comenta Virginia Gaia. “As pessoas esquecem que penetração é apenas mais uma forma de fazer sexo”, completa.

*Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

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