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Ex-vendedora de trufas fatura R$ 1 milhão fazendo lancheiras saudáveis

Divulgação
Larissa Souza faz snacks saudáveis Imagem: Divulgação

Beatriz Santos e Marina Oliveira

Colaboração para Universa

05/10/2018 04h00

Quando adolescente, Larissa Souza, hoje com 37 anos, fazia caixas de presente para vender nas lojas de Ji-Parána, em Rondônia. Quando já estava na faixa dos 20 anos, estudava Serviço Social e revendia cosméticos. “Lá em casa todo mundo tem lábia, tudo que pega para vender, vende”, fala. Numa das reuniões com as consultoras de beleza da marca, conheceu uma menina que fazia e vendia trufas. Não teve dúvidas, fez dela sua fornecedora: “Eu comprava dela e revendia. Fazia muito mais dinheiro do que quem produzia e tinha menos trabalho”, conta. “Quando fiquei desempregada, ao fim do meu estágio, foi com esse dinheiro que paguei as prestações do carro e da casa”, conta.

Em 2015, já na faixa dos 30 anos, casada e mãe de duas filhas, na época com 6 e 4 anos, vivia uma rotina intensa se equilibrando entre dois empregos. “Eu trabalhava de manhã, voltava para casa para arrumá-as e preparar a lancheira, antes de ir para o segundo trabalho. E sempre vinha aquela dúvida: o que mandar de lanche?”, conta. Ela queria opções saudáveis, que não fossem industrializadas, mas sua rotina também demandava praticidade.

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“Um dia, me veio a ideia de ir na escola e conversar com as mães, pedir ideias e trocar sugestões sobre cardápios. Mas, quando a reunião aconteceu, eu fiquei assustada: a maioria só mandava de lanche besteiras industrializadas. Quer dizer: eu ainda estava me saindo melhor do que elas”, conta. Larissa saiu da reunião com as mães decidida a ela mesma fazer os lanches daquelas crianças. Era novembro de 2015.

Durante os próximos dois meses, em paralelo ao trabalho de assistente social, passou a pesquisar o tema e o público-alvo. Na reunião de pais da escola das filhas, ela conversou com os futuros clientes: “Eu queria saber o quanto eles gastavam com os lanches e como faziam as escolhas”. No mês seguinte, três meses após ter tido a ideia do negócio, ela pediu demissão e entrou de cabeça na nova empreitada, a Snack Saudável.

A proposta: produzir ela mesma as lancheiras das crianças e entregar nas escolas, um pouco antes do intervalo, para que a comida se mantivesse fresca. Os kits seriam compostos de uma fruta, um suco natural (feito com polpa ou fruta) e um carboidrato, que poderia ser um bolo caseiro ou sanduíche. “Eu investi cerca de R$ 3 mil para pagar a nutricionista que montou o cardápio, embalagens para três ou quatro meses, divulgação e alimentos”, explica.

Com medo da repercussão e de não dar conta do trabalho, ela divulgou a proposta apenas para amigas e em grupos de pais da escola. Começou com 18 clientes. “Eu era responsável por todo processo: comprava os ingredientes, como frutas, pães e bolos caseiros; cozinhava os recheios de sanduíches, como carne louca, frango desfiado e uma receita própria de hambúrguer caseiro; fazia os sucos; montava os lanches; higienizava as frutas e, logo após, colocava nas embalagens e entregava”, conta. Ao fim da primeira semana de empresa, já tinha 60 clientes. Foram 1.400 lanches vendidos no primeiro mês. 

A proposta da empresa nunca foi vender dieta ou alimentação funcional, ela conta, mas comida que, embora chegue embalada, não é industrializada. Para conquistar o paladar das crianças, vale até cobertura de chocolate no bolo de cenoura e pão de queijo feito artesanalmente. O valor do kit individual custa a partir de R$ 10 e a assinatura mensal a partir de R$ 170 –os preços variam de acordo com a região.

A transformação em franquia

A mãe de Larissa era sua única ajudante nos primeiros dias da empresa, mas, 15 dias depois, ela contratou outra pessoa. O negócio deslanchou rápido e, após seis meses produzindo tudo na cozinha de casa, foi para uma cozinha industrial. Mais seis meses depois, começaram a aparecer interessados em comprar o negócio. Era um sinal de que a empresa poderia se tornar uma franquia. Só faltava um detalhe: o dinheiro.

“Eu sabia que podia ganhar o mundo com esse negócio, mas não tinha dinheiro para evoluir com as franquias. E o timing é fundamental, porque se eu não patenteasse aquilo, poderiam roubar a minha ideia”, conta. Decidiu que venderia a casa para conseguir o dinheiro. “Eu tinha certeza que daria certo e poderia construir outro patrimônio depois. Cheguei a anunciar meu imóvel, mas, na época, era uma crise, ninguém comprava”, lembra.

Lembrou, então, de um amigo de infância, que era seu cliente e tinha capital para investir. “Eu resisti por um tempo a falar com ele, mas, um dia, fui. Apresentei minha ideia e disse que queria ele como meu sócio investidor”, fala. Dois dias depois, ele topou. “Vendemos a primeira franquia 15 dias após eu terminar o processo de formatação do negócio”, conta. 

Em janeiro de 2017 o modelo de negócio passou a ser divulgado. Nesse mesmo ano, o faturamento da Snack Saudável bateu R$ 1 milhão – foram 70 mil lanches produzidos. A expectativa é triplicar o faturamento em 2019. Já são 29 lojas em operação no Brasil, sendo apenas uma própria em Rondônia, onde tudo começou. A mãe de Larissa continua trabalhando com ela e o marido também entrou no negócio, para trabalhar na área financeira. “Hoje, eu sou diretora de expansão, mas sigo participando do planejamento de cardápio, porque sou mãe e tenho duas clientes exigentes, as minhas filhas”, fala.

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