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Política

Diretor do Datafolha: "Mulheres impedem eleição de Bolsonaro no 1º turno"

Reprodução
O candidato Jair Bolsonaro (PSL) tem a maior taxa de rejeição entre as mulheres Imagem: Reprodução

Camila Brandalise

Da Universa

04/10/2018 14h14

Diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino afirma: “Quem está impedindo a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno são as mulheres”. Segundo Paulino, elas barram o avanço do candidato por causa da alta rejeição, de 49%, a maior entre todos os postulantes à presidência.

No entanto, ao longo da última semana, as pesquisas mostraram que o maior crescimento nas intenções de voto para Bolsonaro foi, justamente, entre as mulheres, mesmo depois das manifestações contrárias a ele realizadas no sábado (29). "Os atos foram históricos, emblemáticos, mas, entre a população feminina mais conservadora, que foi onde ele cresceu, pode ter soado como provocação à moral e aos bons costumes, impulsionando a adesão ao candidato", diz Paulino

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O aumento se deu, principalmente, no segmento de mulheres com renda familiar mensal maior do que cinco salários mínimos: foi de 32% para 42% em sete dias. Também houve aumento significativo entre aquelas com renda familiar de até dois salários, de 14% para 19%.

De acordo com Paulino, o medo da violência é um dos pontos comuns entre as mulheres dos dois segmentos de renda. “Primeiro, por causa da violência urbana e o temor em relação aos filhos. Segundo, por causa da própria violência contra a mulher", afirma. Para esse segundo caso, o candidato tem investido fortemente em um discurso agressivo, que inclui proposta de castração química para estupradores.

NACHO DOCE/Reuters
Manifestação contra Jair Bolsonaro (PSL) em São Paulo organizada por movimentos de mulheres Imagem: NACHO DOCE/Reuters

Antifeminismo

Para a cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) que tem uma pesquisa sobre eleitores de Bolsonaro em andamento, o crescimento dos votos para o candidato entre mulheres se explica por um discurso que atrai a ala mais conservadora, em uma ofensiva contra a rejeição feminina.

Segundo ela, 80% das publicações dele em redes sociais, no último mês, se concentraram no debate de dois temas: antipetismo e antifeminismo. "Noto o discurso violento contra as feministas, mas também um forte ódio contra a esquerda e o PT."

Rosana aponta que houve uma preocupação da campanha em colocar o combate à violência contra a mulher de maneira agressiva no discurso. “Tanto que, nas minhas entrevistas para a pesquisa, feitas em Porto Alegre e em São Paulo neste ano, quando perguntava para as pessoas por que votariam em Bolsonaro, elas respondiam que ele era o único que se preocupava, de fato, com as mulheres.

Família tradicional brasileira?

Para a professora da UFSM, a postura conservadora se manifesta no discurso do candidato do PSL e de seu eleitorado principalmente quando defendem um modelo específico de família, composto por homem, mulher e filhos. E nos ataques aos petistas com discurso de combate à corrupção atrelado a valores morais, exaltando, de novo, a família.

O comportamento se reflete nas pesquisas: segundo Paulino, do Datafolha, membros de famílias constituídas por homem, mulher e filhos votam mais nele. Entre as mães solo, lidera Fernando Haddad (PT), segundo lugar nas pesquisas.

Crescimento entre evangélicos

Bolsonaro é líder entre os evangélicos com 40% das intenções de voto. Haddad tem 15% de aderência nesse segmento. Segundo o diretor do Datafolha, o maior índice de evangélicos no Brasil se dá entre mulheres com renda de até 5 salários mínimos. Por isso, é possível concluir que há uma grande aderência ao candidato entre mulheres evangélicas, apesar de o instituto não fazer o recorte específico de gênero e religião.

Na sexta-feira (28), o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, declarou voto em Bolsonaro. Na quinta-feira (4), a FPE (Frente Parlamentar Evangélica) da Câmara dos Deputados oficializou o apoio à candidatura do postulante do PSL. “Há um trabalho forte entre evangélicas e é um estrato muito capilarizado, então essa aderência deve aumentar”, afirma Rosana.

Voto de última hora

Paulino ressalta ainda que se nota, nas séries históricas das pesquisas eleitorais, que as mulheres deixam para decidir o voto na última hora. Ou seja, era esperado que votos até então nulos e indecisos migrassem para os candidatos nessa reta final. E a conclusão é de que grande parte deles foram, e estão indo, para Bolsonaro.

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