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Minha história

"Tive anorexia e cheguei a pesar 29 kg, mas me salvei e sou nutricionista"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Por Bárbara Therrie

Da Universa

04/10/2018 04h00

Amanda Costa, 25, achava que, para ser bonita, tinha que ser magra. Em busca desse objetivo, ela parou de se alimentar e desenvolveu anorexia nervosa. No ápice do transtorno alimentar, chegou a pesar 29 kg aos 16 anos e achava lindos seus ossos e costelas à mostra. Nesse depoimento à Universa, ela detalha o problema que viveu e diz que se tornou nutricionista para ajudar as pessoas a ter uma boa relação com a comida.

“Na adolescência, eu tinha um corpo esbelto. Minhas amigas elogiavam minhas pernas, falavam que eram grossas, mas eu entendia que isso era ser gorda. Eu queria ter as pernas finas iguais as delas. Achava que para ser bonita tinha que ser magra. Em busca disso, decidi emagrecer.

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Houve uma campanha de jejum na igreja que eu frequentava. Eu percebi que, ao deixar de comer no café da manhã, perdi peso. Resolvi estender o período, não comia das 5h às 14h e emagreci 10 kg em quatro meses. Aos poucos, parei de comer o que gostava: pão, biscoito recheado, pizza, não bebia mais refrigerante. Eu me pesava todos os dias e lia os rótulos das embalagens para saber a quantidade das calorias. A minha mãe colocava meu almoço, mas eu jogava pela janela para o meu cachorro.

Os médicos diziam que eu estava cadavérica e que iria morrer se não me alimentasse

Eu tinha uma meta diária de perder 300 gramas. Quando não a alcançava, me punia me exercitando em excesso. Durante o dia, eu jogava handebol, andava de bicicleta, caminhava umas quatro horas entre ir e voltar da escola, do cursinho ou fazer alguma coisa que exigisse meu deslocamento e o gasto de energia. Antes de dormir, eu fazia 600 abdominais de uma vez sem parar, salto com joelho e 50 polichinelos.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Minha mãe notou meu emagrecimento e achou que eu estava com alguma doença que estivesse causando isso. Ela me levou ao hospital, eu fiz vários exames e, após uma investigação, veio o diagnóstico de anorexia nervosa.

A médica explicou que tratava-se de um transtorno alimentar. Disse que eu tinha uma visão distorcida do meu corpo e que eu não comia por opção para poder emagrecer. Minha mãe ficou desesperada, fazia de tudo para eu mudar meu comportamento: brigava, me deixava de castigo, me tratava com carinho, implorava, mas não adiantava.

Tive anorexia dos meus 14 aos 17 anos. Dos 15 aos 16, perdi 20 kg, fui dos 49 kg aos 29 kg. Fiquei esquelética. Eu achava lindo e maravilhoso meus ossos e minhas costelas à mostra. Havia vezes em que eu só comia uma maçã o dia inteiro. Os médicos diziam que eu estava cadavérica e que eu iria morrer se não me alimentasse.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

O transtorno trouxe muitos males, eu sentia sono, dor de cabeça, parei de menstruar, cresceram pelos finos no meu corpo. Eu fazia acompanhamento no posto de saúde para me pesar e medir a pressão. Na semana que eu sabia que tinha emagrecido, eu colocava várias pedrinhas no bolso para parecer que eu estava mais gordinha. Fui encaminhada ao psiquiatra e ao psicólogo, mas não aceitava o tratamento.

Obcecada com o peso, parei de tomar água e fiquei internada com 20% da minha função renal

O ápice da anorexia foi quando eu parei de me hidratar e de tomar água com medo de engordar. Eu fiquei internada por dez dias devido à minha função renal, que ficou em 20%. Foi um pesadelo, não queria tomar soro para não ganhar calorias. Eu era obcecada com a questão do peso. Recebi alta e fiquei três meses sem ir à escola porque os médicos afirmaram que eu não podia gastar energia. Só o fato de caminhar alguns quilômetros já era prejudicial para mim naquele estágio. Meus colegas ficaram chocados com a minha aparência, achavam que eu tinha aids ou câncer. Meus familiares falavam que era frescura.

Eu estava sozinha e infeliz. Não podia mais praticar esportes, não tinha amigos, não ia mais a festas. Relembrei das coisas boas que eu tinha antes do transtorno e desejava resgatá-las. Comecei a escrever um diário onde a relatava a minha dor. Eu queria voltar a ser eu de novo e compreendi que só conseguiria isso se voltasse a comer e a ter uma vida normal.

Dei início ao meu processo de recuperação. Colocava a comida no prato em pequenas quantidades e me forçava a comer mesmo chorando. Fiz isso por seis meses até que um dia tomei meu café da manhã e foi prazeroso, não senti culpa.

Eu me tornei nutricionista para ajudar meus pacientes a ter uma boa relação com a comida

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Nessa fase de reabilitação, prestei o vestibular. Eu fiz nutrição e me especializei em nutrição esportiva porque eu queria trabalhar na área da saúde e promover cuidado e bem-estar às pessoas. Percebi que poderia ajudá-las a ter uma boa relação com a comida e a falar do prazer de se alimentar. Comer não é só ingerir nutrientes e saber qual alimento vai contribuir para uma boa estética, mas também tem o papel de criar vínculos, gerar lembranças e estimular o convívio social.

Hoje, minha relação com a comida é maravilhosa, não tenho restrições. Estou feliz e satisfeita com o meu corpo e com os meus 56 kg. Faço muay thai três vezes por semana e pratico esportes por saúde, e não mais para me punir. Para ser bonita e saudável, não preciso ser supermagra, mas estar bem comigo mesma, ter um corpo funcional e comer com prazer”.

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