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Mães e filhos

Como falar com uma criança quando ela sofre uma desilusão amorosa?

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Camila Brandalise

Da Universa

29/09/2018 04h00

Pode parecer só uma brincadeira de criança na visão dos pais, mas, para os filhos, passar por uma desilusão amorosa causa tantos sentimentos negativos quanto nos adultos, como tristeza, frustração e raiva.

Claro que, dependendo da idade, a vontade de namorar com uma pessoa não passa de uma fantasia. Mas os pais podem aproveitar esse momento para ensinar os filhos a lidarem com situações de rejeição, a expressarem emoções pouco agradáveis e a entenderem os limites do outro.

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A psicóloga Fernanda Gallafrio Grubor, especializada em terapia cognitivo-comportamental e com experiência no atendimento de crianças e adolescentes, explica que a primeira atitude de pais e mães deve ser ouvir o filho atentamente. “Mostre que está levando a sério o que ele disser”, diz.

Depois, pontue os sentimentos que estão sendo expressados sem suposições e dialogue de acordo com o vocabulário da própria criança. “Se ela falar em tristeza, use essa palavra. Se disser que está com raiva, usa essa. E então pode dizer que é normal a gente sentir esses sentimentos e que, depois de um tempo, passam.”

Ensine a respeitar o desejo do outro

Quando a criança se mostrar pouco compreensiva ao fato de outra não querer a companhia dela, a técnica é, segundo Grubor, lembrar alguma situação em que ela mesma não quis brincar com algum amigo ou amiga. “Retome essa situação e explique que, assim como seu filho pode escolher com quem quer estar, a pessoa que o rejeitou também pode”, diz.

Essa é uma ótima oportunidade para começar a ensiná-lo a entender que pessoas têm perspectivas e desejos diferentes do dele e que é muito importante respeitá-los. “Quando eles entendem que há um limite entre o que ele quer e o desejo do outro, as chances de se tornar um adulto que saiba lidar com pontos de vista diferentes do dele é alta, inclusive em situações de amizade e de trabalho.”

Qual a melhor idade para ter essa conversa?

A psicóloga sugere que, mesmo quando os pais não considerarem que a criança tenha uma idade ideal para falar sobre relacionamento amoroso, se ela demonstrar tristeza ou falar sobre a situação que está vivendo, o ideal é já ter uma conversa. Caso contrário, se os pais não passarem as informações adequadas, a fantasia sobre a rejeição pode ser maior e deixá-la ainda mais triste.

Porém, é importante dizer ao seu filho que ele ainda não tem idade para namorar. Mas evite usar a palavra “criança”. Segundo Grubor, pode haver uma resposta reativa, do tipo “não sou mais criança”, e assim afastar seu filho do diálogo. “Diga que ainda é muito nova, que um namoro traz muitas responsabilidades, mas que ela vai conquistar isso com o tempo.”

Rejeição e autoestima

Coloque seu filho para cima! Procure ressaltar as características positivas dele já que a rejeição costuma vir acompanhada da sensação de culpa e de ter sido menosprezado. “Ele pode estar com um olhar muito negativo sobre si, então é legal trabalhar sua autoestima", afirma a psicóloga.

Uma última dica: ler um livro infantil com histórias em que há crianças expressando tristeza ou angústia também pode ajudar nessas horas. “Leia ao lado dela e depois pergunte o que entendeu, pode ser uma boa chance de ela se abrir.”

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