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Mães e filhos

O que aprender com 10 famílias incomuns de filmes e séries da Netflix

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"A Família Addams", filme de 1991, com horror e humor Imagem: Reprodução/themoviedb

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

27/09/2018 04h00

Disfuncionais, incomuns, problemáticas ou apenas diferentes. Nenhuma família é igual à outra, mas todas, sem exceção, oferecem lições valiosas para a vida --nem que seja simplesmente aprender a sobreviver em meio a tanta confusão e momentos que alternam mágoa e amor. A ficção costuma representar com eficiência certas nuances, como provam as produções a seguir:

"A Bruxa" (2015)

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Imagem: Divulgação

O filme de terror dirigido por Robert Eggers se passa na Nova Inglaterra, em 1630. Quando a história começa, os cristãos William, Katherine e seus cinco filhos acabam de ser expulsos de uma comunidade extremamente religiosa por terem uma noção de fé totalmente diferente da permitida no local. Acabam se mudando para um local isolado, perto de um bosque, onde sofrem com a escassez de comida. Quando o recém-nascido sob os cuidados da primogênita, Thomasin (Anya Taylor-Joy), é raptado, os medos, as paranoias e os conflitos de toda a família vêm à tona. Mais do que uma metáfora sobre o desabrochar da sexualidade feminina, "A Bruxa" mostra como o fanatismo religioso pode se sobrepor ao diálogo e à empatia.

Veja também:

"Gilmore Girls" (2000-2016)

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Um dos seriados mais queridos pelo público, em especial o feminino, teve sete temporadas e um especial dividido em quatro partes com os nomes das estações. O foco sempre foi o relacionamento regado a amor, humor e referências pop entre a mãe, Lorelai (Lauren Graham), e a filha, Rory (Alexis Bledel). Ao engravidar com apenas 16 anos, Lorelai não só se recusou a se casar por conveniência como também optou por criar a menina sozinha, sem a ajuda e o julgamento dos pais ricos, Emily (Kelly Bishop) e Richard (Edward Herrmann). Ao longo dos episódios, fica claro que uma das intenções principais da criadora Amy Sherman-Palladino foi mostrar como volta e meia acabamos decepcionando a família para viver a vida que desejamos. E que, por mais que as pessoas tentem se ajustar às expectativas alheias, tentar se moldar aos desejos de terceiros dificilmente é uma boa estratégia.

"Os Incríveis" (2004)

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O desenho infantil da Disney/Pixar, cuja continuação estreou nos cinemas esse ano, tem uma série de mensagens bem claras e é uma versão animada e compacta de uma terapia familiar --pelo menos para os adultos mais observadores. A primeira delas é que há uma ligação indissolúvel entre carreira, autoestima e vida familiar. Um trabalho sacrificante impacta na autoestima e afeta a convivência em casa, sendo que o inverso também é verdadeiro. A segunda mensagem é que as crianças não são cegas --tampouco surdas-- aos conflitos entre os pais e volta e meia se esforçam à sua maneira para salvar o casamento deles --"Os Incríveis" pode ser interpretado como um filme sobre crise matrimonial. E, por último, não importa o quão incrível é cada membro da família: unidos, todos se tornam mais fortes.

"A Família Addams" (1991)

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Baseado em um programa da TV americana de mesmo nome, levado ao ar nos anos 1960, "A Família Addams" lança mão da junção entre horror e humor para mostrar que, aos olhos das pessoas de fora, toda família é monstruosa, sinistra, bizarra. Afinal de contas, cada uma forma um núcleo único e exclusivo de hábitos e costumes. Por mais que cada membro tenha os próprios gostos e desejos, sempre há uma espécie de homogenia. E, assim como acontece em "Os Incríveis", os familiares se amam, se estranham e entram em crise quando alguém enfrenta um problema.

"Matilda" (1996)

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Muitas pessoas, com frequência, experimentam a sensação de não pertencerem à família de origem, já que seus gostos, atitudes e valores destoam dos demais. Em "Matilda", essa impressão é levada ao extremo --e quem assiste acaba torcendo o tempo todo para que a protagonista se livre daquela gente medíocre que, por infelicidade, ocupam (sem nunca assumir) o papel de pai, mãe e irmão. Inspirado no livro homônimo lançado pelo britânico Roald Dahl (1916-1990) em 1988, o filme mostra as dificuldades e as travessuras de uma garotinha superdotada e apaixonada por livros que usa sua inteligência e o poder de telecinese para enfrentar a ignorância dos adultos. Fica como lição que nem sempre vamos nos assemelhar aos nossos parentes, nem precisamos disso se nossa natureza for outra.

"Minhas Mães e Meu Pai" (2010)

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Sob direção de Lisa Cholodenko, o filme aborda uma crise na família homoafetiva de Jules (Julianne Moore) e Nic (Annette Bening), cujos filhos adolescentes, Joni (Mia Wasikowaska) e Laser (Josh Hutcherson), foram concebidos através da inseminação artificial de um doador anônimo. Ao completar a maioridade, Joni incentiva o irmão a encontrar o pai biológico sem que as mães saibam. É então que Paul (Mark Ruffalo) entra em cena e toda a aparência bem resolvida da relação do casal cai por terra, com direito a crises e brigas sobre escolhas feitas no passado. O trunfo do filme é mostrar que até mesmo as famílias estilo "margarina" enfrentam seus dramas de vez em quando.

"Meu Nome é Ray" (2016)

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Nascido Ramona, Ray (Elle Fanning) nunca se identificou com o sexo biológico e quer fazer uma cirurgia de redesignação de gênero. A mãe, Maggie (Naomi Watts) tenta lidar com a questão da forma mais natural possível, mas esbarra em um empecilho: a operação exige a autorização não só dela, mas também do pai, ausente há anos e vivendo com outra família. Para completar o drama, a avó materna lésbica de Ray, Dolly (Susan Sarandon), é um poço de contradições. Apesar de se declarar feminista e liberal, ela se opõe à cirurgia por considerá-la uma mutilação e se revela ainda presa a antigos conceitos e padrões. "Meu Nome é Ray" traz à tona o fato de que, quando uma família passar por uma mudança significativa, tudo precisa ser ressignificado.

"Tal Pai, Tal Filha" (2018)

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Ainda dá tempo para ser pai? E para ser filha? E de criar intimidade com uma pessoa importante, mas que nunca fez parte da sua vida? É possível se livrar de hábitos tão arraigados que definem nossa identidade, mas nos fazem mal? Todas essas questões são levantadas --e respondidas, na medida do possível--  nessa comédia com Kelsey Grammer e Kristen Bell. A atriz interpreta uma workaholic abandona em pleno altar por um noivo farto de vê-la sempre com celular à mão. Nem um pouco disposta a abrir mão da lua-de-mel em um cruzeiro, ela convida o pai, com quem não convive desde os cinco anos de idade, para acompanhá-la.

"Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe" (2017)

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Prestes a ser homenageado em uma exposição sobre sua carreira, o escultor aposentado Harold Meyerowitz (Dustin Hoffman) adoece. Isso leva ao reencontro de seus três filhos --Matthew (Ben Stiller), Danny (Adam Sandler) e Jean (Elizabeth Marvel)-- para ajudá-lo a se recuperar. A reunião, porém, nem de longe é agregadora: Matthew e Danny, em especial, acabam colocando a limpo dores do passado, a maior parte causada pelo temperamento egoísta de Harold. Competição entre irmãos, discórdias, abnegações e a difícil de encarar, porém necessária, verdade de que muitos pais elegem um filho predileto são alguns pontos abordados no filme do diretor Noah Baumbach.

"Atypical" (2017)

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Produção própria da Netflix, a série está na segunda temporada e trata do dia a dia de Sam (Keir Gilchrist), jovem autista de 18 anos em busca de independência. Numa jornada que alterna momentos hilários e emocionantes, a atração mostra o aprendizado constante não só do rapaz, mas de sua família, ao lidar com os desafios impostos pela síndrome. As necessidades e o ponto de vista particular de Sam colocam à prova a todo instante a harmonia em casa e na escola.

Livro consultado: "A psicanálise na Terra do Nunca - Ensaios sobre a fantasia" (Ed. Artmed), de Diana L. Corso e Mário Corso

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