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Direitos da mulher

Escola veta short curto de alunas para não "provocar alunos e professores"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Gustavo Frank

Da Universa

27/09/2018 04h00

Na última terça-feira (25), alunos e alunas do Collegium Sapiens, em São Carlos, no interior de São Paulo, se uniram para fazer uma manifestação contra uma decisão que teria sido tomada pela instituição: proibir que meninas usassem short curto, alegando que a peça “desvia a atenção dos alunos e professores”.

No Facebook, Heloísa Aidar, irmã de uma das alunas, compartilhou uma foto feita durante o protesto, para expor a situação.

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“Minha irmã estuda em uma escola onde as meninas não podem usar short acima do joelho e os meninos não tem restrição, nem medidas (...) A postura desta escola só reforça a ideia de que a mulher é culpada pelo assédio e deve ser uma bela, recatada e do lar para que o assédio não aconteça (...) Não é um detalhe. Não é pequeno. É o machismo velado e arraigado que envenena a nossa sociedade”, escreveu ela, na publicação.

160 alunos pela causa

A.F.A., de 17 anos, é aluna do Collegium Sapiens desde 2016 e diz que desde que foi matriculada pelos pais na escola já via acontecer essas intervenções, classificadas por ela como de cunho machista.

“Quando entrei na escola, já tinha muita tentativa de diálogo com eles sobre o assunto, mas eles nunca se mostraram abertos para esse assunto em específico. E na última terça-feira, juntamos todas as meninas e meninos e fomos para a escola de short curto”, disse ela à Universa, representando o grupo de 160 estudantes que apoiam a manifestação.

A estudante conta que quando o assunto é levado aos professores, alguns deles reforçariam o discurso de que o short “tira a atenção dos alunos” e também usariam piadas machistas como resposta à insatisfação das alunas.

“As meninas do terceiro colegial foram conversar com os representantes da escola e eles não se abriram ao diálogo. Se negaram a falar sobre isso e insultaram as garotas. Disseram que nossa roupa não era adequada ao ambiente, que não conseguiríamos um emprego e estávamos tirando a preocupação do vestibular para se preocupar com coisas que não conseguiríamos mudar, como o uso do short”, comentou a estudante.

"A escola está reafirmando a cultura de estupro"

Após a manifestação e “insistência” dos alunos, a estudante disse que a escola decidiu abrir uma reunião com um representante de cada série, acompanhado de seu pai e/ou responsável e os coordenadores da Escola, para finalizar as discussões sobre o assunto. 

“Acho importante falar que a questão do short não é só sobre o conforto das meninas, mas sim uma questão de que a escola está reafirmando a cultura de estupro ao impor o que as meninas devem vestir em vez de coibir o comportamento dos meninos”, concluiu ela.

Posicionamento do Collegium Sapiens

À Universa, Paulo Braga, professor e um dos fundadores da escola, informou que a instituição não proíbe o uso de short, sendo a peça "parte integral do uniforme escolar" e feita por empresas do ramo de confecção local. 

"O uniforme é exigido indistintamente para meninos e meninas e não, exclusivamente, às meninas conforme aponta tal documento. Aliás a escola repudia, veementemente, distinções de qualquer tipo inclusive as de gênero. Os alunos são sempre orientados a entender e aceitar de forma natural a diversidade", disse.

Sobre as acusações de que representantes do colégio e alguns dos professores teriam afirmado que o short curto "desvia a atenção dos alunos", Paulo diz ser uma "interpretação equivocada e inflamada de alunos que não se conformam com a existência de regras mínimas de convivência social".

"O uso de uniforme pelas escolas certamente não tem nenhuma ligação com o aprendizado e se relaciona mais com questões de segurança e identificação dos alunos. Além de atender reivindicação das famílias no sentido de evitar ostentações de alunos de maior poder econômico. Essas razões também foram pontuadas com os alunos na reunião de dois anos atrás e houve concordância", concluiu.

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