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Relacionamentos

Após separações traumáticas, elas redescobrem a felicidade viajando o mundo

Arquivo pessoal
Rosana Barnez em um passeio pela Jamaica: bem feliz Imagem: Arquivo pessoal

Renata Telles

Colaboração para Universa

24/09/2018 04h00

Rosana Barnez, 57, sempre espalhou alegria por onde passava. Nunca foi de questionamentos ou depressão. Dos 16 aos 50 anos, viveu três casamentos. O último, porém, não deixou boas lembranças. Apaixonada, a médica enchia o marido de presente. Chegou a dar para seu amado uma BMW e até um apartamento. Tudo ia maravilhosamente bem até… ela descobrir que seu príncipe já era casado. “O cara me enganou e foi embora me deixando no meio de muitas dívidas. Me vi aos 50 sozinha pela primeira vez na vida, com autoestima baixa e sem condições financeiras. Fiquei reclusa por dois anos, sem conseguir me divertir”, lembra.

A administradora Patricia Nobrega, 58, também foi ao fundo do poço após o fim de um relacionamento de 12 anos em 2016. “Eu tenho um apartamento na região de Nova Friburgo e meu marido apareceu perguntando se eu não queria alugar o imóvel para uma amiga já que ali não morava ninguém. Depois de muita insistência, acabei cedendo e ele mesmo fez um contratinho e fechou negócio direto com a moça. Dois dias após a mudança dela, meu marido pediu a separação. Em 15 minutos ele deixou a casa, me deu um beijo na testa e partiu. Achei que fosse mais uma briga, mas aí descobri que a tal mulher que estava morando no meu apartamento era a amante dele”, recorda.

Arquivo pessoal
Patrícia Nobrega em frente ao Coliseu, em Roma Imagem: Arquivo pessoal

Depressão e 20 quilos a menos

Patricia ficou tão arrasada que não conseguia mais dormir e comer. Em seis meses perdeu quase 20 quilos. “Ainda tive que aturar a tal mulher por mais um mês no imóvel até que desfizesse todo o contrato. Foi um baque terrível. Para completar a empresa em que trabalhava estava passando por uma crise e solicitou aos funcionários aposentados que topassem uma demissão voluntária. Em pouco tempo perdi o marido e o emprego”, diz.

Elisângela Nunes viveu o mesmo pesadelo. Após um casamento de 20 anos, sofreu com uma separação traumática e dolorida. “Fiquei a um passo da depressão. Quando percebi que estava sozinha, fiz uma retrospectiva da minha vida. Queria fugir de mim mesma, dos meus pensamentos, das minhas dores, das minhas expectativas frustradas. Achei que estivesse velha demais para começar de novo.”, conta a empresária de 45 anos.

Arquivo pessoal
Elisangela Nunes em seu passeio por Veneza Imagem: Arquivo pessoal

A cura da dor

Felizmente ela estava errada. Mas o que Elisângela, Patricia e Rosana têm em comum além de um coração dilacerado? As três mulheres curaram suas dores no consultório do mundo: colocaram uma mochila nas costas e partiram para inúmeras viagens.

“Uma amiga me chamou para ir ao Nepal e Tibet. Já estava reclusa há dois anos e topei. Não perguntei roteiro, nada. Uma semana antes descubro que era uma viagem de peregrinação. Topei assim mesmo, andei 52 km, com fome, sem banho. Foi uma viagem doída, mas que me mostrou uma nova Rosana. A partir daí comecei a fazer mochilões, fui para Turquia, Marrocos, Jamaica, Amazônia. Eu percebi que enquanto era casada eu dançava conforme a música e fazia tudo para agradar meus maridos. O primeiro gostava de vinho, o segundo de cerveja e o terceiro não bebia. Eu me submetia a tudo isso. A viagem foi uma libertação para mim”, conta Rosana.

Patricia tinha um sonho: após a aposentadoria iria viajar pelo mundo ao lado do marido. Ela até planejava a venda de imóveis e traçava rotas. Depois da separação, decidiu seguir com o plano, sozinha. “Comecei por Cartagena e Bogotá. Nessa primeira viagem, fiz tanto por mim que pensei: ‘por que ele não foi embora antes?’”, brinca. A administradora já passou por Suiça, Itália, Deserto do Atacama, entre outros. Em outubro, segue para Marrocos, Egito e Turquia e em janeiro vai ver a Aurora Boreal na Noruega e Finlândia. “Agora posso ser quem eu quero e fazer o que quero. Não dependo mais da opinião dos outros. A maioria das mulheres abre mão dos seus desejos em prol dos seus companheiros. A melhor sensação do mundo é ser livre”, completa.

Assim como Rosana, Elisângela partiu para uma viagem espiritual e também foi ao Tibet. “Aprendi a acalmar minha angústia e colocar a dor de lado. Ao olhar para o outro, percebi que em muitos momentos o sofrimento dele era bem pior do que o meu. Afinal, estava em um país comunista de extrema miséria e ali minha dor não tinha a menor importância. Foram 25 dias de pura conexão com o universo e uma profunda introspecção em busca de um propósito. Minha vida hoje tomou um novo rumo, tenho mais segurança como mulher. Se posso dar um conselho às mulheres é: viajem! Acreditem em vocês, não tenham medo da solidão pois aprender a amar a própria companhia é a melhor forma de amor que a gente pode oferecer à pessoa mais importante do mundo, você.”

As viúvas mochileiras

Iolanda Noronha, 73, ficou viúva há 10 anos. A professora aposentada sempre adorou viajar. Na companhia do marido, realizou roteiros inesquecíveis pelo Brasil. Mas com a sua morte, alçou voos mais altos. “Caí no mundo e por minha vontade mesmo, não teve terapeuta nenhum. Não sei se foi para preencher a falta dele, mas quando a gente fica sozinha temos liberdade para fazermos o que quisermos, somos livres! Priorizo minha família, sou presente com netos, filhas, mas cada um tem a sua vida. Já fiz dois intercâmbios, nos Estados Unidos e Inglaterra, e continuo viajando. Seja de avião, navio, trem bala, ônibus… (risos).”

Arquivo pessoal
Iolanda Noronha em Londres: animadíssima Imagem: Arquivo pessoal

Rosa Helena, 62, também já era uma viajante antes da morte do marido, entretanto, por conta da perda, sua principal companheira passou a ser a estrada. “Fiquei casada 30 anos, não dá para esquecer ele, mas aprendi que a vida continua e cada dia me sinto melhor, sem solidão. Sou outra mulher hoje”, diz a aposentada que está rodando o mundo atualmente. Rosa saiu do Brasil no dia 1 de setembro e conheceu Marrocos, Turquia e Suécia. Agora está em Portugal. “Sigo viagem em outubro para Alemanha e em dezembro vou para Itália.”

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