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Minha história

"Fiz laqueadura, mas depois de 10 anos engravidei e quase morri"

Arquivo Pessoal
Tereza da Penha e o marido, Valdemir Bozolan Imagem: Arquivo Pessoal

Léo Marques

Colaboração para Universa

22/09/2018 04h00

Tereza da Penha Bozolan, 67 anos, conta sua experiência de quase morte após engravidar, mesmo depois de fazer uma laqueadura, método onde são cortadas as ligações das trompas para evitar que o óvulo chegue ao útero. Moradora da cidade de São Paulo, na época, ela estava com 40 anos e passou por vários hospitais até descobrir o que tinha. Após sofrer hemorragia interna, insuficiência respiratória e diversas outras complicações, o feto precisou ser abortado. Conheça a história dela.

“Eu estava com 30 anos quando tive o meu filho caçula. Para não precisar mais tomar anticoncepcional, decidi fazer uma laqueadura. Em um dia comum, dez anos depois, já em agosto de 1990, eu acordei sem poder andar, nem mesmo sentar e acabei desmaiando. Era a primeira vez que isso acontecia na minha vida. Meu marido Valdemir me levou em seguida para o pronto-socorro e, depois de um exame, o médico me liberou, argumentando que se tratava de prisão de ventre.

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Fui para casa e Valdemir foi trabalhar. Depois de algumas horas, voltei a passar mal, de uma forma que não conseguia sentar, nem deitar. Parecia que eu ia explodir. Chamaram meu marido com urgência no trabalho e ele me levou para outro hospital. Quando chegamos, fizeram alguns exames e me deixaram em observação na enfermaria. Em um desses exames, eles levantaram a possibilidade de ser uma gravidez ectópica, localizada nas trompas, quando o normal é que o óvulo fecundado fique no útero. Como o hospital não tinha infraestrutura suficiente, pediram para que eu fosse para a Santa Casa. 

Quando cheguei lá, continuei em observação na enfermaria. Fizeram um ultrassom e todo tipo de exame necessário, mas não encontravam nada. Apenas o exame de sangue mostrava gravidez. Eles se perguntavam: ‘onde está essa gravidez?’ Apenas no outro dia, depois de um novo exame, veio um outro médico conversar comigo. Ele e os alunos médicos residentes perguntavam sobre minhas dores e meu histórico de gravidez. Em seguida foram para outra sala. Foi quando eu comecei a passar mal novamente, sem conseguir falar, me mexer e com falta de ar. Um enfermeiro viu e chamou a equipe médica que estava ao lado e eles voltaram correndo.

Assim que me viram, o médico pegou uma seringa e enfiou no meu pescoço. Quando tirou, estava cheia de sangue. O sangue estava subindo e era uma hemorragia que não aparecia no ultrassom e nem em lugar nenhum, mas estava obstruindo minha respiração. Eu sentia muito sangue descendo do meu pescoço. O médico começou a dar bronca na equipe, depois rasgou meu avental, o enfermeiro me depilou e me transferiram correndo de setor para fazer um exame de ressonância magnética. Logo em seguida, me levaram para a sala de cirurgia.

Chegando lá o médico me disse: ‘Dona Tereza, você terá de fazer uma cirurgia de urgência. A senhora tem alguma religião, acredita em Deus?’ Eu não conseguia falar ainda, respondi então com os olhos dizendo que tinha. Então ele respondeu: ‘Faz uma oração porque vai dar tudo certo’. Eu me lembro que alguns alunos residentes começaram a chorar e foram retirados da sala. Me abriram do umbigo até a região pélvica. Eu pedia muito a Deus que me deixasse viva. Em nenhum momento, nessa correria, eles me falaram o que de fato estava ocorrendo comigo.

Eu fiquei em coma induzido por três dias na UTI depois da cirurgia e nesse tempo sonhei que faziam meu velório. Foi uma sensação horrível. Quando eu saí e fui para o quarto, continuei recebendo sangue e com aparelho de respiração ligado a um orifício aberto na traqueia. Aos poucos, fui me recuperando até ter alta. Só depois de três meses, quando eu tive uma consulta com o cirurgião, foi que ele me falou o que de fato tinha ocorrido. Ele me disse: ‘A senhora teve uma hemorragia interna por conta da gravidez nas trompas. A gestação estava com apenas uma semana, não gerou feto, mas o sangue ficou vazando por dentro. Nestes casos, 99% das pessoas morrem. A senhora é uma das felizardas por estar entre os 1%’.

No fim das contas, tiraram a minha trompa por onde engravidei e deixaram a outra já laqueada. No começo, eu tinha medo de engravidar novamente e pensei até em voltar a tomar anticoncepcional. Mas não precisei fazer nada disso e Deus me deu outra chance”.

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