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Política

Candidata à Câmara, PM que matou ladrão diz: quem é de bem não mata a rodo

Mauricio Sumiya/Futura Press/Folhapress
Kátia Sastre é candidata a deputada federal pelo PR Imagem: Mauricio Sumiya/Futura Press/Folhapress

Talyta Vespa

da Universa

21/09/2018 04h00

A candidata à deputada federal Kátia Sastre (PR), que ficou conhecida como "Mãe PM" depois de matar um assaltante em frente à escola da filha, em maio, ganhou na Justiça o direito de exibir o vídeo que mostra a troca de tiros entre eles em sua propaganda eleitoral. As imagens haviam saído do ar depois que PSOL e PCB pediram a proibição da exibição da propaganda alegando incitação à violência e a atentados contra a vida.

A candidata é a favor do armamento da população e diz que a política não aumentaria a violência. "Quem é de bem não sai matando a rodo”, diz Kátia, cujo partido faz parte da coligação que apoia a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência.

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A violência não vai aumentar caso o porte de armas seja liberado, como você defende?
Não. Os bandidos já estão armados até os dentes, mais ainda que a Polícia Militar. Só vamos dar aos homens de bem o poder de se defenderem. Na nossa proposta, para comprar uma arma, a pessoa não poderá ter antecedentes criminais. Além disso, vai ter que passar por exames psicológicos.

Muitos casos de violência doméstica são perpetrados por homens que não têm antecedentes criminais. Em tese, pela sua proposta, esses homens poderiam comprar armas. Não prevê, portanto, aumento de morte das mulheres?
Não, porque quem quer matar, mata de qualquer jeito. Em toda casa tem uma faca. É só ver o exemplo do homem que jogou a mulher da varanda no Paraná. Tem também o caso do próprio Bolsonaro, que é a favor do armamento e foi atacado por uma arma branca.

Se o homem que atentou contra a vida de Bolsonaro estivesse armado, ele teria morrido. Não?
Não. O bandido não atira, na real, nem aborda, quando acha que há outras pessoas armadas em volta. 

Como foi a batalha jurídica contra o PSOL e PCB que lutaram para tirar a cena de morte do seu programa eleitoral na TV?
Eles alegaram que o programa faz apologia à violência e incita atentados contra a vida. Entraram com uma ação e o vídeo foi retirado do ar. O processo durou uns 15 dias, mas o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) concluiu que as acusações não procediam. Eu sabia que ganharíamos. O vídeo mostra uma ação de legítima defesa. Além disso, são imagens que viralizaram. Todo mundo já tinha visto.

Expor esse vídeo, inclusive a crianças, não estimula ainda mais a onda de violência?
Não. Mostro que estou me candidatando em defesa do cidadão de bem. Naquele episódio, agi de acordo com o Método Giraldi da PM. O procedimento diz que, se o bandido ameaça atirar, devemos dar dois tiros em áreas visíveis do corpo dele. Se reagir, atiramos mais uma vez, e por aí vai, até que se renda. Respondi a um processo na polícia, mas isso é padrão sempre que alguma ação culmina na morte do bandido. O vídeo não mostra apenas um ato heroico, mas a vida real de um policial. Isso acontece todos os dias.

É a primeira vez que você mata uma pessoa?
Eu não o matei. Atirei contra ele e eu mesma chamei o resgate para ajudá-lo. Ele chegou com vida ao hospital.

Mas ele morreu.
Sim, mas tentei ajudar. Já passei por várias ocorrências desse tipo porque tenho 21 anos de polícia.

E nessas ocorrências, os bandidos morreram?
Prefiro não responder a essa pergunta.

Mostrar esse vídeo pode gerar um efeito rebote, o de aumentar a raiva dos criminosos?  
Não. A Polícia Militar toma todas as providências para a nossa segurança. Os bandidos já matam sem motivo; colocar ou não o vídeo não vai fazê-los repensar nem para o bem nem para o mal. Ninguém fez nada para ele naquele momento, estávamos em frente à escola esperando a festa de Dia das Mães. A ficha criminal dele era gigante: respondia a processos por ocultação de cadáver, formação de quadrilha e homicídio.

Se não tem efeito, para que serve o vídeo?
O vídeo mostra o que a população quer ver.

Concorda com a expressão "bandido bom é bandido morto"?
Não. Eu não espero nem quero que o bandido morra. Bom é não ter bandido.

Como se sentiu depois da morte do homem?
Foi uma véspera de Dia das Mães bem triste. Passei o dia na delegacia e, quando cheguei em casa, tentei curtir minhas filhas e minha mãe. Elas me acalentaram. Converso muito com as meninas sobre a minha profissão e não foi a primeira vez que uma delas me viu atuando. Ela passou por uma avaliação psicológica e os resultados foram positivos. São crianças, claro que se assustam, mas eu explico que o papel da mamãe é proteger a população.

Quais medidas de proteção tomou após o vídeo ter sido divulgado?
Tive todo o apoio da Polícia Militar.

Como foi esse apoio?
Prefiro não falar.

Por que se sente preparada para o cargo de deputada?
Além de policial, sou arquiteta, urbanista e engenheira de segurança. Sei que posso fazer diferença para o Brasil porque entendo de segurança. Meu objetivo sempre foi cuidar do ir e vir das pessoas, e, se eleita, vou fazer isso de cima. Pretendo implantar o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, do Governo Federal, implantado pelas polícias militares) em todas as escolas.

O salário inicial de um PM em São Paulo é R$ 3.312. Por que escolheu a polícia e não investiu na carreira de arquiteta ou engenheira?
Venho de família de militares. Meu bisavô, meu avô e meu pai foram policiais; nunca me vi fazendo outra coisa. Sempre quis honrar a farda que herdei de meu pai. Ele era um ótimo policial e eu também sou.

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