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Luiza Trajano lança app de política: "Mulher vota em mulher, sim"

Divulgação
Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza Imagem: Divulgação

Amanda Serra

Da Universa

18/09/2018 04h00

O Grupo Mulheres do Brasil, presidido por Luiza Helena Trajano, dona da Magazine Luiza, lançou em 2016 uma plataforma digital para divulgar as candidaturas das vereadoras do estado de São Paulo. Esse ano, eles lançam o  Apartidárias 2.0: um aplicativo que mapeia e divulga às candidaturas de mulheres nas eleições deste ano - com foco nos projetos de deputadas.

"O objetivo da plataforma é verificar se as candidatas realmente estão fazendo campanha, se estão recebendo apoio, dinheiro do partido ou se estão apenas preenchendo cota, o que não queremos. Queremos candidatas de verdade e não apenas mulheres para preencherem cargos", afirma Luiza à Universa.

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Para verificar se mulheres não estão sendo usadas de "laranja" nessas eleições, Luiza e Lígia Pinto Sica, líder do comitê de políticas públicas do Grupo Mulheres do Brasil, encaminharam um questionário (que detalhava o projeto de cada uma) para as 8500 candidatas e seguem aguardando as respostas -- elas ressaltam a importância de todas participarem. O documento tem como objetivo auxiliar os usuários a encontrar planos de governo que mais julgam importantes e, consequentemente, incentivar o voto nas candidatas do sexo feminino.   

Sem marketing de inclusão

Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, em maio, que 30% do fundo de campanhas sejam gastos em candidaturas femininas, o grupo de Trajano quer checar se isso realmente está acontecendo. Caso percebam que o repasse não está sendo igualitário no partido ou que a candidata não está fazendo campanha, prometem enviar notificações via Twitter e também WhatsApp aos partidos. "Poucas mulheres saem com candidaturas fortes o suficiente para serem vistas. A gente enxerga a Marina Silva (Rede) porque ela tem dinheiro para investir na campanha, está na mídia, tem uma história na vida política. Muitas vezes o partido diz que está priorizando a candidatura de mulheres, mas não democraticamente. Então, encaminhamos notificação", explica Lígia, que também é coordenadora do Centro de Pesquisa em Direito, Gênero e Identidade da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Além de incentivar a participação de mulheres na política, as criadoras têm como objetivo acabar com a tese de que mulher não vota em mulher.

"Mulher precisa ser vista, afinal, representamos 53% dos eleitores, não faz sentido termos apenas 10% no Congresso. Queremos que o número das cadeiras femininas aumente, que seja um espaço de diversidade. Que sejamos representadas. É preciso ter representatividade de mulheres em cargos políticos, na verdade, em todos os lugares para que haja equilíbrio", defende Luiza, que acredita que o projeto tira um pouco a crença de que mulheres não são amigas. .

"Enxergamos poucas mulheres porque elas nunca foram apresentadas como modelos de políticas. O machismo está dentro de homens e mulheres", opina Lígia, que vê como marketing o fato de muitos candidatos terem escolhido mulheres como vice. "A ideia é a seguinte: não vamos abrir mão do poder, mas vamos compartilhar colocando mulher como vice. Aí a imagem fica melhor e passa a ideia de inclusão. Aos olhos daquele que é pouco crítico, e nossa sociedade é assim, a estratégia pega bem."

Sem combinações

Diferentemente de outras ferramentas já divulgadas, o Apartidárias 2.0 não faz match com candidata, recorte ideológico ou partidário - pode ser acessado tanto no desktop, quanto no celular. "Não estamos lançando candidatas", afirma Luiza. "Também não filtramos as pautas delas. Inclusive, queremos que elas falem, exponham seus projetos no site. E confesso que tem sido bem complicado acessá-las. Conseguimos contato com 35% até agora", lamenta Lígia.

Para auxiliar a sociedade na busca pelas candidatas, o Mulheres do Brasil criou alguns filtros que julga essenciais. Estão lá: economia, educação, corrupção, inclusão social, meio ambiente, segurança, saúde, cidadania, combate à fome, combate à gravidez na infância, creches, desemprego, educação anti-sexista, educação básica, educação política, educação sexual, empoderamento econômico da mulher, empreendedorismo feminino, inclusão social, inclusão de pessoas com deficiência, imigrantes, legalização do aborto, reforma política e transparência do gasto público.

Ser democrático é todo mundo estar representado

"Quando você olha no Congresso e só vê terno preto e um monte de cabecinha branca, alguma coisa está errada. Queremos ver homens e mulheres negros, todas as orientações homoafetivas, todos os modelos de família representados. Acreditamos em uma política inclusiva. É preciso dar voz para mulheres", diz Lígia, que conta com apoio da presidente Luiza Trajano.

"É preciso que a sociedade seja mais protagonista e pare de ficar só reclamando de política. Só acredito que o Brasil vai mudar quando assumirmos o país como nosso e lutarmos por programas que sejam bons para todos independentemente de partido. Não são só projetos contra violência a mulher ou de educação que devem ir para frente, mas programas de tecnologia e ciência também", finaliza a dona da Magazine Luiza, evitando revelar seu voto. "O primeiro turno ainda é muito global, mas vamos ver o que irá ocorrer no segundo."

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