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Silvetty Montilla sobre Super Drags: "Não quer que criança veja? Não deixe"

Divulgação
Silvetty Montilla comemora 31 anos de trabalho como drag e comemora sucesso de Pabllo Vittar Imagem: Divulgação

Paulo Gratão

Colaboração para Universa

12/09/2018 04h00

Silvetty Montilla, 51 anos, estava em Londres quando a Netflix divulgou o teaser da série "Super Drags", que tentava minimizar a polêmica repercutida pela Sociedade Brasileira de Pediatria, dias antes. Por meio de comunicado nas redes sociais, a entidade dizia-se preocupada com a abordagem de temática adulta em um desenho animado.

A resposta da plataforma de streaming veio por meio da voz da personagem Vedette Champagne, dublada por Silvetty: “Vai ter desenho de ‘viado’ na Netflix, sim, mas para maiores de 16 anos”. 

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A drag soube da polêmica antes de embarcar para uma turnê de shows na Europa. Foi procurada pela produtora do programa para fazer a dublagem da voz de sua personagem, avisando ao público sobre a classificação etária. Anunciado para o segundo semestre de 2018 - ainda não há previsão de estreia - o desenho não tem outro nome do elenco confirmado. 

A primeira incursão de Silvetty no mundo das dublagens foi em 2015. Ela aceitou o convite de fãs do reality show norte-americano RuPaul’s Drag Race e dublou alguns episódios. No último mês de julho, ela completou 31 anos de profissão e atualmente faz shows fixos em seis casas de São Paulo.

No começo não era fácil

Silvetty diz que ao longo desse tempo, viu muita coisa mudar no cenário drag nacional e internacional. “Hoje chama drag, no meu tempo era transformista”, relembra. Ela começou participando de concursos de belezas, como o Miss Gay, e recebeu o convite para apresentar shows no extinto bar Vila Verde, que ficava no Largo do Arouche, em São Paulo.

Reprodução/Netflix
Super Drags é um desenho animado original da Netflix com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2018 Imagem: Reprodução/Netflix

O inusitado convite deu tão certo, que Silvetty pediu exoneração do cargo de auxiliar de promotoria e dedicou-se totalmente à noite. “Vi que compensava financeiramente e me agradava, eu era boêmia.”

No entanto, ela se lembra que não foram poucas as barreiras necessárias para conseguir exercer seu ofício com segurança. “Antigamente era tudo mais difícil. Antes de mim, tinham aquelas mais precursoras que precisavam se montar dentro da boate, levavam a peruca dentro da sacola. Eu ainda tinha que tomar cuidado também. Hoje em dia, você vê uma molecada de 15, 17 anos montada dentro do metrô”, compara.

“A Pabllo chegou onde nenhuma de nós vai chegar”

Silvetty comemora a recente ascensão de drags à mídia, impulsionada, no Brasil, pela cantora Pabllo Vittar, como um marco para toda a categoria. Ela diz que há cerca de dez anos era inimaginável ter uma artista do gênero em festas com crianças e hoje já se torna cada vez mais comum, o que amplia o leque de atuação para todas.

As drags cantoras, como Pabllo, Gloria Groove, Lia Clark e Aretuza Lovi são um novo estilo, na percepção dela, mas que não apagam o legado das profissionais que trabalham como apresentadoras e hostess (recepcionistas), há anos. “Nós temos artistas talentosíssimas, mas as oportunidades não são mesmas. Fico muito feliz porque a Pabllo chegou onde nenhuma de nós vai chegar, está abrindo um leque que serve para todo mundo”, comenta.

Engajamento político

Silvetty vê a tentativa de censura a "Super Drags" como mais uma manobra do conservadorismo em calar o movimento. “Não quer que a criança assista? Não deixe ver”. No entanto, ela entende que falta união da comunidade LGBTI+ para engrossar a representatividade política e, consequentemente, a educação sobre o tema.

Em seus shows, ela chama atenção para o fato de que São Paulo é a maior capital do País e nunca conseguiu eleger um parlamentar LGBTI+. “Só sabem cobrar na hora que a coisa já aconteceu. Algumas pessoas do nosso meio criticam os evangélicos, mas eles são unidos, o público LGBTI+ precisa aprender isso”, afirma.

Nesses mais de 30 anos de estrada, Silvetty já fez peças de teatro, stand-up comedys, musicais, cinema, televisão e atualmente mantém um canal no YouTube, onde entrevista pessoas famosas na noite paulistana, e está em cartaz com a comédia O Nome Dela é Valdemar, no teatro Ruth Escobar.

Além disso, ela faz shows em boates paulistanas – em algumas, há mais de 25 anos. “Tenho uma frase que uma amiga falou para mim há 15 anos: ‘o importante não é acontecer, é permanecer’. Espero que a Pabllo e as outras consigam, pois esse nosso meio é muito injusto. Eu sou muito feliz pelos trabalhos que eu fiz nesses 31 anos, de poder viver no meu País com o fruto da minha arte”, afirma.

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