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Ciumeira: como canta Marília Mendonça, mulheres não querem mais ser amantes

Arquivo Pessoal
Carolina Gentile foi amante por nove anos Imagem: Arquivo Pessoal

Talyta Vespa

Da Universa

03/09/2018 04h00

"No começo, eu entendia, mas era só cama, não tinha amor. Lembro quando você dizia: vou desligar porque ela chegou", diz a letra "Ciumeira", de Marília Mendonça, lançada em agosto. O verso é bem familiar para as mulheres que mantém relacionamentos, às vezes por anos, com homens casados. Embora não se incomodem no início, a ciumeira citada pela musa do feminejo começa a perturbar a relação com o passar do tempo. “Desde o começo, ele me dizia que não pretendia se separar. Ainda assim, eu achei que, em algum momento, ele mudaria de ideia. A gente tinha uma ligação forte, nos dávamos muito bem. Mas, aceitei essa condição e jamais contei a ele sobre meu sonho de tê-lo só para mim”, afirma Carolina Gentile, hoje com 34 anos.

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Com uma autoestima que não era das mais altas, Carolina acreditava que aquele homem era superior a ela. “Por causa disso, eu aceitava tudo o que ele me propunha. Ele não gostava de transar com camisinha, então nós não usávamos. Mas ele me proibia de ter relações sexuais desprotegidas com qualquer outro cara. Ele tinha outras mulheres além de mim e da esposa, e eu imaginava que, com elas, também não usava preservativo. Sabia que era um risco para mim e, ainda assim, aceitava”, conta. 

O ciúme, como na letra da música de Marília, tomou conta de Carolina durante todo o relacionamento. “Quando eu ia à casa dele, havia fotos da esposa por toda a parte. Eu me sentia péssima. Ele ligava para ela e eu me trancava no banheiro para não ouvir, era uma tortura para mim”, diz. Foi o ciúme a gota d’água para que a relações públicas terminasse o relacionamento. “Em determinado momento, descobri que além de mim e da esposa, ele estava se envolvendo de forma intensa com uma terceira mulher. Fiquei desolada, não soube lidar. Dividi-lo me fez muito mal, por isso achei que era hora de dar um fim”.

Mesmo após o término, Carolina e o amante se viram várias vezes. “Não era mais a mesma coisa. Eu havia engordado e meu cabelo tinha caído muito por causa de um remédio que passei a tomar. Quando ele me via, insistia em dizer que não gostava de mulher gorda e que eu deveria pentear meu cabelo. Demorou, mas percebi que não merecia aquilo, que deveria me valorizar. Paramos de nos falar oficialmente no ano passado".

Hoje, a paulistana tem outro relacionamento e se sente completa. “É bem melhor ter alguém só meu”.

"Amante não quer ser amante"

Segundo o psicólogo e professor de psicologia da Fadisp (Faculdade Especializada em Direito de São Paulo) Luiz Francisco, evitar o “cargo” de amante é uma tendência entre as mulheres. “O movimento feminista e as discussões sobre empoderamento têm trazido consciência de independência às mulheres. Elas começaram a entender e a aceitar o papel de protagonista na sociedade, e isso se reflete no relacionamento afetivo”, explica o especialista.

“É claro que ainda há amantes, mas quem aceita essa condição faz porque está satisfeita com ela, e não mais porque acha que não tem outra opção. As mulheres descobriram que podem e devem fazer o que quiserem”.

Foi o caso da técnica em enfermagem Letícia Ronda, de 22 anos, que se envolveu com um moço comprometido quando tinha 17. “Ele tinha 21 anos à época e eu conhecia a namorada dele. Quando ficamos pela primeira vez, eu já sabia que ele estava com ela, mas não me importei”, diz. “No entanto, depois de ter rolado de tudo, fiquei receosa e perguntei o que aconteceria dali em diante. Ele me disse que não contaria nada a ela e que queria continuar comigo”, conta a jovem. “Aceitei.”

Arquivo Pessoal
Letícia abandonou o peguete comprometido para ficar com o atual namorado Imagem: Arquivo Pessoal

Letícia e a namorada dele se encontravam com frequência em eventos. “Ele ficava comigo, vivia na minha casa, mas quem o acompanhava nas festas era ela. Mesmo com ela por perto, ele dava um jeito de escapar e me beijar. Porém, apesar de gostar dele, eu sentia vontade de estar ali no lugar dela, me divertindo ao lado dele sem ter que me esconder”, diz.

A brincadeira era boa, mas a jovem preferiu ter alguém com quem pudesse curtir todos os momentos. “A gente ficava, se curtia, mas na hora de viajar, era ela quem ia. Eu sentia ciúme, queria estar ali. Depois de seis meses nessa situação, conheci um cara e, mesmo ainda gostando dele, decidi apostar. Estava cansada de me esconder e de ter que dividir a atenção de homem. Ainda mais que ele era um gato e eu nem podia contar para as minhas amigas!”, ri.

A aposta deu certo. O homem que Letícia conheceu enquanto ainda se relacionava com o ex-peguete é o atual namorado dela. “Estamos juntos há três anos, temos um filho, e eu não poderia ter tomado decisão melhor. Nos damos muito bem”.

Ela emagreceu 12 quilos de tanto sofrer

Largar a posição de amante foi um alívio também para a professora de inglês Paula Souto*, de 42 anos. Em 2010, ela se apaixonou pelo aluno, que estava noivo. “Ficamos em uma festa da escola e, no momento em que o beijei, senti meu coração disparar. Eu fui criada em uma família muito religiosa, fiz tudo certinho, acho que o gostinho do proibido tomou conta de mim”, afirma.

“Trocamos mensagens e, quando dei por mim, ele estava dormindo na minha casa, deixando de ir a Londrina, onde nasceu, para passar o fim de semana comigo. Viajamos juntos no Dia dos Namorados, conversávamos o dia todo... Foi uma paixão arrebatadora”, conta. “Ficamos juntos por oito meses. Ele me garantia que não ia se casar, mas afirmava ter um motivo muito forte para não terminar o noivado. Certo dia, enquanto discutíamos, o pressionei para que me dissesse o que estava acontecendo. E ele contou que a noiva tinha câncer e que ele só a havia pedido em casamento para dar a ela um motivo para seguir com o tratamento. Fiquei desolada. Me senti péssima”.

Segundo Paula, o homem dizia que estava à espera do momento certo para cancelar o compromisso. “Eu queria acreditar, mas não sabia se era certo. Tinha, lá no fundo, esperança de que ele ficaria comigo, já que a gente estava apaixonado. Depois de um tempo, descobri que a noiva dele estava curada do câncer e que ele não havia me contado. Fiquei desolada, aquilo foi insustentável. Sofri muito e terminei o relacionamento”.

O término envolveu apenas beijo na boca e sexo, de acordo com a professora. “Nós nos falávamos todos os dias e foi assim até o dia do casamento. Na semana em que ele se casou, fui para o hospital com estomatite. Eu tinha feridas por todo o tubo digestivo. Perdi 12 kg em 10 dias, não conseguia comer”. A paulistana conta que, apesar do sofrimento, não se arrepende de ter terminado a relação. “Fiz o que achei que deveria ter feito por mim. Eu não merecia aquilo”.

Com uma filha de 10 anos e um noivo à sua espera, Paula seguiu em frente. “Não me envolveria em uma situação dessas novamente. Não preciso disso”.

Eles não querem o divórcio

A psicológa e especialista em terapia de casais da clínica Spatium Edda Maffei afirma que, em 80% das relações extraconjugais, o homem não pretende se separar da esposa.

“Essa intenção tem ficado cada vez mais clara. Para as mulheres, uma das piores partes de ser amante é não ser protagonista da vida do namorado. Elas passam o Natal e as férias sozinhas e começam a perceber que não querem carregar essa carga”, explica.

A especialista garante que um "up" na autoestima é um dos principais motivos que levam uma mulher infeliz na relação a se livrar do peguete comprometido. “Elas entendem que são uma peça em um jogo. Às vezes, gostam de jogar. Em outras, preferem escolher as regras”, explica.

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