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Minha história

"Eu e minhas irmãs transformamos um blog em um negócio lucrativo"

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irmãs Orna abre Imagem: Divulgação

Beatriz Santos e Marina Oliveira

Colaboração para Universa

31/08/2018 04h00

Bárbara, 32, Débora, 30, e Julia  Alcantara, 27, são as fundadoras do Tudo Orna, que nasceu como blog de moda, mas, hoje, é um empreendimento que vende bolsas, maquiagens, café e cursos de empreendedorismo, além de acumular milhares de seguidores em diferentes perfis das redes sociais. De um galpão em Curitiba, elas coordenam o grupo todo, que, nos últimos 12 meses, faturou R$ 2,5 milhões. Por telefone, Débora Alcantara conta a trajetória da marca.

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“O empreendedorismo entrou na nossa vida quando a Bárbara ainda estudava comunicação e design de produto na Universidade Federal Tecnológica do Paraná. A faculdade tinha uma incubadora de empresas e a nossa primeira agência de comunicação nasceu lá, depois da minha irmã se encantar pelas aulas de vídeos institucionais. O nome era Curta Comunicação. Ele veio, justamente, porque queríamos fazer vídeos curtos para as marcas.

Quando ela se formou, teve que sair da incubadora, mas queria continuar tocando a agência e me chamou para trabalhar com ela. Era 2010, eu estava cursando Relações Públicas e ainda não tinha encontrado emprego. Aceitei superfeliz. Também chamamos a nossa irmã mais nova, Julia, que estava começando a estudar design, para entrar na sociedade. Usamos o que tínhamos para alugar um pequeno escritório e começar a encarar o mercado. As despesas eram bem pequenas, a princípio.

A gente já acreditava na comunicação digital e queria ajudar as empresas a se comunicarem com seu público. Mas as pessoas não botavam fé, estranhavam a ideia de ter um canal no Youtube. Por isso, o máximo que conseguíamos fechar eram materiais corporativos tradicionais. Mas não era o que queríamos.

Para lidar com essa frustração, eu acabei criando um blog de moda, o Tudo Orna. Tirávamos fotos com looks que experimentávamos e fazíamos vídeos em visitas a brechós. Era um trabalho muito bem feito, com fotos lindas. Nisso, a Julia começou a ter destaque em uma plataforma chamada Lookbook.nu [uma espécie de blog de moda, estilo streetwear, e comunidade que reúne fotos de looks] e isso deu visibilidade nacional e internacional para o Tudo Orna. Começamos a ver oportunidade ali.

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Irmãs começaram investindo em um blog de moda Imagem: Divulgação

Mas, por um tempo, o dinheiro não entrava em nenhuma das fontes –nem pela agência, nem pelo blog. A ajuda que tínhamos dos nossos pais era continuar morando com eles. Era muito bom não ter as despesas de um lar, mas difícil, porque você vê seus amigos já comprando as coisinhas, fazendo tudo e você lá, sem dinheiro.

As pessoas nos julgavam, diziam que estávamos paradas, falavam ‘vai arranjar um emprego de verdade’. Nossos pais nos apoiaram, mas não entendiam exatamente o que estávamos fazendo ou tentando fazer ali. Em determinado momento, chegamos a quebrar a sociedade.

Depois de muitas mudanças, tomamos a decisão de ir em frente. Pesquisamos como os veículos atuais estavam sobrevivendo e começamos a criar formatos de conteúdo e a desenvolver o nosso mídia kit [documento que apresenta o site e precifica os espaços de anunciantes]. A nossa formação nos ajudou muito.

Compramos um domínio de site e fomos para rua divulgar o nosso trabalho. Íamos nas saídas de universidades distribuir um cartãozinho de visita. Espalhávamos no boca a boca e começaram a achar bacana o trabalho, porque produzíamos como uma revista, mas éramos meninas, apesar de muito profissionais. 

Foi quando algumas marcas começaram a se interessar pelo nosso trabalho e as parcerias aconteceram. Na festa de um ano de blog, fomos patrocinadas por empresas como Vivara [joalheria] e a NYX [marca de maquiagem].

Diversificação do negócio

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Bolsas da grife Orna Imagem: Divulgação

Com o blog acontecendo, queríamos continuar criando. Sentíamos vontade de desenvolver um produto do início ao fim, numa marca que nos representasse. Passamos um ano desenvolvendo e, em 2014, lançamos a nossa grife de bolsas, a Orna. 

Depois, em 2016, uma linha de maquiagens. Percebemos que as pessoas e o mercado passaram a nos olhar de forma mais diferente ainda. Fomos aceitas como estilistas e, de fato, empreendedoras.

Nunca tivemos medo de mudanças. Nesse passo, descobrimos o quão importante é diversificar, abrir várias vertentes e enxergar as possibilidades e oportunidades. Nós não acreditamos em se limitar.

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Marca começou a desenvolver maquiagens Imagem: Divulgação

Em 2017, veio o Orna Café, por ideia do meu cunhado [Ricardo Pedroni, casado com Bárbara], que resolveu abrir um negócio de café, que é a paixão dele. A gente já estava querendo abrir algo físico da Orna e decidimos nos juntar a ele.

Na inauguração [27 de janeiro de 2017], tivemos uma fila de 500 pessoas na porta, foi uma loucura, o espaço era para 60 pessoas. Nos primeiros meses, nós limpávamos o café, lavávamos a louça... Fizemos de tudo. Hoje, já estamos conseguindo montar uma equipe para ficar lá e cuidar das coisas. Esse é um passo importante também, porque queremos transformar em franquia.

A Julia está morando em Miami estudando e trabalhando nisso. O café dá um retorno muito bom, em média, o faturamento mensal é R$ 70 mil.

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Imagem: Divulgação

Irmãs educadoras

Ao conseguirmos o status de empreendedoras, as pessoas começaram a perguntar: como fazem isso? Como conseguiram? Nós já ajudávamos nossas amigas a fazerem o que estávamos fazendo, porque a gente entendia que todas se ajudando, o mercado ia nos ajudar. Juntamos os blogueiros da cidade, criamos um grupo, tipo uma associação, e compartilhávamos o que sabíamos.

Começamos a focar nos cursos presenciais para ajudarmos as pessoas, fazíamos workshops. Mas percebemos que o presencial tinha algumas barreiras, não dava para sair Brasil afora e nem todo mundo conseguia ir até nós, além do fato de que nós nascemos no digital, né? Então, criamos o Efeito Orna [curso focado em branding e posicionamento digital], para quem está ingressando no empreendedorismo. As mulheres são 97% dos nossos alunos, que já são mais de mil.

Não é só sobre números

Muitas pessoas acham que fazer sucesso na internet significa números e isso é uma ilusão. Nós trabalhamos com os mesmos parceiros de influencers e blogueiros que têm milhões de seguidores, diferentemente de nós. Mas nossa marca e plataformas são muito conhecidos, temos muita qualidade de conteúdo.

Recusamos muitos trabalhos por não acreditarmos na proposta, pensamos lá na frente, em como aceitar um trabalho que não acreditávamos poderia nos afetar no futuro. Nunca ficamos esperando que as coisas caíssem do céu. As pessoas falam muito de sorte, mas empreender é um ato de rebeldia, ir contra tudo e todos.

A minha dica para quem está começando é iniciar com o que tem, não espere conseguir um investimento ou algo do tipo. Se você tem só tempo, invista isso. Não é só criar sua marca, precisa desenvolver. E se você não se ver como uma marca, não botar fé, as pessoas também não irão. Mesmo no começo, ainda que não tenha uma grande estrutura, se posicione sempre como um profissional. E não fique planejando muito, nunca vai existir um planejamento perfeito. Troquem o planejar por agir, para não correr o risco de empacar.”

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