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10 Perguntas

Claudia Rodrigues: "Canabidiol me ajuda na recuperação da esclerose"

Marcelo Justo/Folhapress/Arte UOL
Imagem: Marcelo Justo/Folhapress/Arte UOL

Camila Brandalise

Da Universa

20/08/2018 04h00

A atriz Claudia Rodrigues engrossa a lista de personalidades que vêm a público defender a facilitação, por parte do governo, do uso do canabidiol, um derivado da maconha que, para muitos pacientes, ajuda na melhora de sintomas. Na atriz, que tem esclerose múltipla, ele relaxa a musculatura, melhora o estrabismo causado pela doença e diminui tremores.

Há dezoito anos lutando contra a esclerose múltipla, Claudia espera ansiosa pelo mês que vem, quando vai estrear uma peça humorística, ao lado da filha e de amigos como Marcelo Médici e Diogo Portugal. “Foi a maneira que encontrei para voltar, celebrar minha recuperação e a volta à comédia”, diz a criadora de personagens importantes da TV, como Marinete (de “A Diarista”) e Sirene (de “sai de Baixo”).

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Como o canabidiol, derivado da maconha, te ajuda?
Uso óleo de canabidiol, algumas gotas embaixo da língua, duas vezes por dia. Ele relaxa minha musculatura, diminui o tremor das mãos e ajuda a centralizar meu olho, que ficou estrábico por causa da doença.

E como consegue comprá-lo?
A lei brasileira dificulta o acesso legal, então, o que eu uso é produzido por uma ONG. Estou engajada em uma campanha para fazer com que o governo facilite o uso medicinal do canabidiol. Mando cartas para deputados e senadores de Brasília, e também para a Anvisa, argumentando, por exemplo, que a substância pode ajudar pessoas com câncer, Alzheimer e Parkinson.

Quais outros remédios e tratamentos você ainda faz?
Todos os dias tomo antiviral, vitamina D e um remédio para me ajudar a ter equilíbrio. Faço caligrafia, exercícios motores de coordenação e fisioterapia. Além disso, não posso mais comer ovo, leite, açúcar nem glúten porque esses alimentos pioram a doença. Eu fiz vários tratamentos. Mas o que mais deu resultado foi o transplante de células-tronco, em 2015. Fiquei três meses internada e depois, demorou mais um ano para eu me recuperar; inclusive, de uma depressão. Um dos maiores ganhos foi a recuperação da minha memória. Não conseguia mais decorar texto e agora consigo.

Você se considera uma mulher vaidosa. Como a esclerose múltipla afetou sua autoestima?
O que me afetou mais foi a depressão, que considero uma consequência da esclerose. Foi uma época que eu não tinha mais vontade de sair de casa, fiquei com a autoestima lá embaixo. Sempre gostei de me cuidar, fazia unha, ia no salão cortar e pintar o cabelo. E fazia outras coisas, depilação, massagem. Era parte da minha rotina. Mas parei com tudo. Há um ano, depois que minha recuperação avançou e me curei da depressão, é que comecei a me preocupar com a aparência de novo. Fazer exercícios também ajudou a recuperar a autoestima. Hoje vou pra academia e faço natação, hidroginástica e caminhada.

O fim da personagem Marinete, um dos mais marcantes da sua carreira, teve relação com a doença?
Sim. Tive que parar de trabalhar, na época da “Diarista”, por causa da esclerose. Meu raciocínio e minha memória foram afetados e eu tinha que improvisar muito. Uma hora, não consegui mais. A Marinete morreu. É um personagem da Globo, então, não posso mais interpretá-la. Só posso fazer personagens criadas por mim. Quem escreveu o primeiro roteiro foi a Gloria Perez, como um especial de fim de ano. A Marinete foi um presente da emissora.

O que exatamente essa doença causa?
Ela afeta o sistema nervoso central, o cérebro e a medula espinhal por causa de uma falha do sistema imunológico, que confunde células saudáveis com invasoras. O corpo ataca as células, corroendo assim a bainha de mielina, uma camada protetora que envolve os nervos. Esse processo influencia a comunicação entre sistema nervoso e todas as outras áreas do corpo, criando dificuldades motoras, sensitivas, cerebrais e cognitivas. Então, eu queria mexer a mão, o cérebro mandava esse comando, mas ela ficava parada, por exemplo. Fiquei também com o andar afetado, meu olho girou para a esquerda, e falava como criança, bem lentamente. Agora estou melhorando. As pessoas acham que eu não estou bem, mas me sinto ótima.

Como será a peça que você estreia em setembro?
Thalia, uma personagem minha, que interpretei na “Escolinha do Professor Raimundo”, vai receber convidados e amigos meus, todos comediantes, como Marcelo Médici, David Pinheiro, Carlos Nunes e Diogo Portugal. A peça, que será em Curitiba, vai marcar a estreia no teatro da minha filha. Ela será uma das convidadas. Essa foi uma maneira que encontrei para voltar, celebrar minha recuperação e o retorno à comédia.

Como filhos de muitos outros atores, a sua começa a seguir sua profissão. Qual a sensação?
A Iza (que tem 16 anos) é minha grande companheira na recuperação. Quando raspei a cabeça por causa do transplante de células-tronco, ela cortou o cabelo bem curto, que batia na cintura, e disse que era para me apoiar. Ela também passou a acompanhar essa minha nova dieta. Estamos sempre juntas. E parece que vai ser assim na profissão também. Ela é uma ótima comediante. Com oito anos, inventou uma personagem cômica, uma francesa nojenta.

O que te faz rolar de rir?
Gosto de passar trotes em amigo. Ligo, falo que sou do McDonald's, que vai ter uma promoção e que quero contratá-lo para que ele entregue brindes; mas que ele vai ter que se vestir de algum bicho. Também me divirto com as pegadinhas do Faustão e com quadros de câmera escondida.

Há poucos anos, era raro mulher comediante no Brasil. Hoje, vocês são muitas. O que mudou?
Hoje, a mulher entra em qualquer lugar, inclusive, na comédia. Antes, esse era um terreno que os homens dominavam. Nós temos tanto talento quanto eles. Olha a categoria com a qual tata Werneck e Dani Calabresa fazem humor.

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