menu
Topo

Sexo

Sexo pode virar uma dependência? Entenda o impulso sexual excessivo

false
O apetite sexual excessivo não tem cura, mas tem tratamento

Léo Marques

Colaboração para Universa

16/08/2018 04h00

Um mal com diversos nomes. Impulso sexual excessivo, apetite sexual excessivo, compulsão sexual, adição sexual, dependência ao sexo e transtorno hipersexual são alguns dos exemplos. Ninfomania ou satiríase também são nomes conhecidos, mas não são mais usados pela psiquiatria.

Na prática, explica o psiquiatra Décio Gilberto Natrielli Filho, do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM), de São Paulo: “Trata-se de um quadro no qual a pessoa, não importando sexo, identidade de gênero ou orientação sexual, apresenta desejo, estimulação e fantasias sexuais excessivos, resultando em comportamentos compulsivos por masturbação, uso de pornografia e múltiplos parceiros sexuais”.

Veja também

A dependência por sexo e afins tem características semelhantes às de qualquer outro vício. O que parece ser uma distração se intensifica e o indivíduo acaba experimentando práticas sexuais cada vez mais frequentes e intensas. Ao se reprimir, sintomas de abstinência, como estresse e mal-estar físico e mental, tornam-se constantes. A falta de controle absoluto se instaura quando o desespero de ter um orgasmo vira a coisa mais importante do mundo, independentemente de local, hora, situação ou parceiro para acontecer.

“Estudos revelam que o impulso sexual excessivo atinge mais os homens, apesar de surgirem cada vez mais casos em mulheres”, observa Margareth dos Reis, psicóloga, terapeuta sexual e doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). 

Alívio ineficaz para problemas

Segundo os especialistas, diversos fatores podem influenciar o aparecimento deste transtorno mental, como desequilíbrio de substâncias neurais, histórico de abuso sexual, de negligência, de violência, traumas de infância, e até dependência por álcool, drogas ou comida.

“O sexo e as práticas relacionadas a ele podem ser concebidos como alívios para sentimentos de ansiedade e angústia”, comenta a terapeuta sexual, sugerindo serem meios momentâneos e ineficazes de se preencher um vazio existencial e até amortizar uma dependência.

Após a sensação de “alívio” vem a ressaca pós-sexo que é regada a culpa, nojo, vergonha e insatisfação. Muitas vezes, por estar no modo automático, o compulsivo não consegue atingir o orgasmo. Ele tem até condições físicas de obter e sentir prazer, mas, mesmo assim, não se sente saciado.

Não há cura, mas é tratável 

O psiquiatra Décio Gilberto frisa que quem sofre desse transtorno, apesar de tentar se esforçar, não consegue controlar seus impulsos sexuais e, por causa deles, acaba gastando muito tempo na vida e perde a atenção de outras atividades de interesse. “Por ser excessivo, leva a um sofrimento significativo, podendo colocar a saúde física em risco e prejudicar diversas áreas, como estudos, trabalho, relações sociais e familiares”, comenta.

Se a pessoa for compromissada, não há cônjuge que consiga acompanhá-la na cama e, por isso, brigas, traições e crises no relacionamento podem se tornar constantes. O mais grave, porém, é quando, em função da fixação sexual, as DSTs deixam de ser uma preocupação e a própria vida é colocada em perigo. “Dependendo também da ausência de suporte familiar ou social e da gravidade dos sintomas psiquiátricos, alguns indivíduos podem apresentar depressão e tentar suicídio”, completa Décio.

Contudo, o impulso sexual excessivo é tratável. “O diagnóstico de um psiquiatra é o primeiro passo para ver se a doença tem relação com outro transtorno. Então, a partir daí, é feito o direcionamento para o tratamento mais indicado”, diz Margareth, alertando que essa é uma condição que precisa de cuidados permanentes. Segundo ela, além da psicoterapia, a inclusão de remédios que inibam o desejo sexual e o apoio de grupos de autoajuda é fundamental para evitar recaídas.

“Como há uma demora em procurar ajuda especializada, o quadro, em geral, é diagnosticado no final da adolescência ou início da vida adulta, sendo que no decorrer dos anos os sintomas aumentam progressivamente, como em outras dependências”, comenta o psiquiatra Décio.

Ninfomania é uma forma de compulsão

“São formas de compulsão sexual a ninfomania, associada a mulheres, e a satiríase, dos homens”, explica a terapeuta sexual Margareth, sobre essas obsessões características mostradas nos filmes Shame (2011) e Ninfomaníaca 1 e 2 (2013).

Os termos derivam da mitologia grega. Ninfas e sátiros eram espíritos da natureza conhecidos por sua sexualidade aguçada. Porém, tanto ninfomania como satiríase caíram em desuso entre os médicos, pois, além de serem vocábulos mais culturais do que técnicos, atualmente são tratados pelos manuais de psiquiatria dentro da categoria  “impulso sexual excessivo”.

Agora, fora de contexto, a ideia de obsessão sexual deve ser debatida com cuidado para não ofender e gerar preconceitos. No livro “Ninfomania - História”, a historiadora Carol Groneman relata que as “ninfomaníacas” do passado, especialmente as do século 19, poderiam ser consideradas, hoje em dia, mulheres normais. “Experimentavam um intenso desejo sexual, masturbavam-se e até sonhavam com sexo”. Porém, por puro machismo, se demonstrassem o que sentiam, eram internadas em hospícios. Ao contrário dos homens, que eram vistos como garanhões.

Portanto, não é a manifestação de desejos íntimos, o fato de adorar sexo e ter vários parceiros que faz uma mulher, por exemplo, ser taxada de ninfomaníaca. Na opinião dos especialistas, quando o desejo sexual não é descontrolado, não atrapalha a rotina, a qualidade de vida, os relacionamentos e nem causa sofrimento, não há razão para se preocupar.

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário da Universa. É grátis!