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Papo de vagina

É normal a mulher ter tanta lubrificação a ponto de atrapalhar o sexo?

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São as glândulas de Bartholin e as glândulas de Skene que produzem esse muco Imagem: iStock

Carolina Prado

Colaboração para Universa

07/08/2018 04h00

Até descobrirem que a excitação deveria ser mensurada pela ereção do clitóris, cientistas analisavam o desejo feminino medindo a quantidade de lubrificação na vagina. É que a secreção produzida ali dentro é uma resposta do corpo aos estímulos sexuais. E se para algumas mulheres ela é escassa e, por isso, provoca desconforto na transa, para outras, a lubrificação chega a escorrer pelas pernas.

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É o caso da estudante de mestrado Virginia, 33, que percebeu a lubrificação por volta dos 12 anos, quando começou a se masturbar e a ficar com garotos. “Eu tinha vergonha na época, hoje, não mais. Mas durante o sexo, já cheguei a tirar o excesso com lençol”, fala.

São as glândulas de Bartholin e as glândulas de Skene, localizadas na entrada do canal vaginal, que produzem esse muco.

“Além disso, quando a mulher está com desejo sexual há mais sangue circulando na vagina, que provoca uma espécie de sudorese, que se junta a secreção produzida pelas glândulas”, explica o ginecologista e obstetra Renato Gil Nisenbaum.

É o cenário hormonal quem dita a quantidade de lubrificação, por isso, cada mulher tem um padrão, umas lubrificam mais, outras menos

O anticoncepcional pode reduzir um pouco a lubrificação. A menopausa, tambéml”, explica a ginecologista e obstetra, chefe da unidade Materno Fetal do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro, Carolina Mocarzel. Já o período pré-ovulatório aumenta a secreção vaginal –é possível perceber um muco com aspecto de clara de ovo.

O excesso, contudo, tem uma desvantagem: diminui a sensibilidade na hora da penetração. “Ela mais me ajuda do que atrapalha, mas, em alguns momentos, eu não sinto o pênis do parceiro, por não haver fricção”, fala Virginia.

Nem sempre é saudável

É preciso diferenciar secreção saudável de infecção vaginal, que traz corrimento abundante, cheiro forte, coceira e desconforto durante a relação sexual. “A secreção amarela, esverdeada, espessa e com grumos também indicam infecção”, fala Mocarzel. Será preciso buscar um médico para indicar um tratamento.

Não é o caso de Virginia, que sentia a lubrificação sendo produzida abundantemente antes mesmo de ter relação sexual, mas algumas mulheres podem perceber o canal vaginal bastante irrigado somente quando está próxima do orgasmo. “Quando é esse o caso, a gente pode pensar em um caso de ejaculação feminina, que é fisiológico e normal”, fala Nisenbaum.

Se afetar o prazer...

Sabendo que não há infecção, a lubrificação abundante não precisa de tratamento. Mas algumas dicas podem ajudar a sentir mais prazer na penetração. “O uso de camisinha aumenta o atrito perdido com a secreção”, fala a ginecologista da Policlínica Granato, do Rio de Janeiro, Camila Ramos. Inclusive os modelos com textura podem ser testados.

Encurtar a preliminar é outra sugestão. “O ideal seria que tivesse a penetração assim que a mulher sentir-se bem lubrificada, porque, se tiver muitas preliminares, ela vai ficar mais excitada, e será difícil acontecer o atrito”, fala Nisenbaum.

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