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Papo de vagina

Toda vagina é única; entenda o que influencia a aparência da sua

Reprodução Instagram/The Vulva Gallery
Imagem: Reprodução Instagram/The Vulva Gallery

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

03/08/2018 04h00

Em 2011, preocupado com o crescente número de mulheres que se submetiam a cirurgias estéticas íntimas, o artista plástico britânico Jamie McCartney decidiu criar uma grande exposição para mostrar a beleza da diversidade de vaginas. O trabalho, que consistia em painéis exibindo moldes de gesso com a impressão da vulva de 400 mulheres reais, também virou um livro, "The Great Wall of Vaginas" ("O Grande Mural das Vaginas", em tradução livre).

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Com mesma preocupação, e com a intenção de tranquilizar as mulheres em relação às inseguranças quanto à forma das vulvas, a ginecologista e obstetra Caroline Alexandra Pereira, da Clínica Viváter, de São Paulo (SP), costuma mostrar algumas de suas páginas às pacientes e explicar que as vulvas têm inúmeras formas e nenhuma é igual a outra.

"Assim como nossos olhos, mamas e pés, a vagina e a vulva são únicas. Toda mulher nasce e se desenvolve com as características gerais, evidentemente, mas com tamanhos, formas, cores e características variadas", afirma Caroline.

"Falar sobre isso de forma aberta e descontraída é importante para a mulher entender que não existe nenhum problema ou padrão. Cada pessoa é de um jeito e nenhum é melhor ou mais bonito que o outro, são simplesmente variações anatômicas e todas são normais", assegura a ginecologista e obstetra Erica Mantelli, pós-graduada em Sexologia Humana pela USP (Universidade de São Paulo).

Vulva e vagina 

É fundamental, aliás, esclarecer as diferenças entre vulva e vagina. A vulva é a área externa dos genitais femininos.

Ela inclui os grandes e os pequenos lábios, o capuz do clitóris, o próprio clitóris e a parte de mucosa (tecido fino delicado) onde estão as saídas dos ductos de secreção das glândulas de lubrificação da região, a saída da uretra --canal que se origina na bexiga e termina na vulva, por onde sai o xixi-- e finalmente o orifício da vagina, sendo finalizada no períneo, área de pele entre a vulva e o ânus.

"Já a vagina consiste na estrutura tubular entre a vulva e o útero. Ela mergulha para dentro do corpo e termina fechada, circundando o orifício externo do colo do útero, por onde sai a menstruação", completa Caroline.

Segundo Valeria Walfrido, sexóloga e terapeuta corporal de Recife (PE), vulvas são como digitais: personalizadas e exclusivas.

Cada uma é uma (até nos detalhes)

"Há pelos lisos, encaracolados, encarapinhados, claros, escuros... O formato dos lábios também é diversificado: os maiores podem ser grandes e encorpados por tecido adiposo, enquanto os menores variam entre finos, avantajados, protuberantes, rugosos ou assimétricos.

Já o capuz do clitóris pode ser caído, enquanto o tamanho e a proeminência do próprio clitóris podem variar de mulher para mulher, chegando ao ponto de incomodar pelo uso de roupas justas, ao andar de bike ou até durante a transa. Essas são apenas algumas das particularidades existentes na área vulvar", explica a especialista.

Ela muda com o tempo

A mesma mulher pode apresentar aspectos da vulva diferentes em cada etapa da vida. "Na infância tem um aspecto, outra na adolescência e outra distinta na vida adulta. Isso ocorre por causa da idade, da quantidade de colágeno, da flacidez que vai ocorrendo naturalmente com o envelhecimento, entre outros fatores", conta Erica Mantelli.

Profundidade também muda

A vagina também pode ter várias profundidades, desde mais curta a mais longa.

"É uma estrutura elástica que se adapta aos variados tamanhos de pênis e que pode, em algumas situações, ficar mais larga, atrapalhando o prazer sexual, como após vários partos normais ou em mulheres mais idosas, causando dor na penetração", informa Caroline.

"As peculiaridades ocorrem também pelas variabilidades genéticas na formação e pela influência do meio no nosso organismo. Sabe-se, por exemplo, que há um tecido linfoide associado à mucosa vaginal que responde de modo diferente para cada uma, além de uma microbiota [conjunto dr microorganismos que habitam um ecossistema] que apresenta diferenças entre as mulheres. O pH vaginal também pode diferir", fala o ginecologista Renato de Oliveira, da clínica Criogênesis, de São Paulo (SP).

Seu comportamento influencia na aparência da vulva

A vagina ainda sofre a influência dos hábitos de vida, como o tipo de depilação, uso de roupa (mais larga ou não) e alterações hormonais. As cores "íntimas" também diferem de uma mulher para outra, inclusive durante o período fértil ou quando ocorre a excitação.

Isso acontece até no decorrer da gestação, no momento do parto e na fase pós-parto e, especialmente, durante a menopausa, quando diminuem os hormônios responsáveis pela produção de melanina.

Cirurgia plástica

Vale lembrar que, mesmo que não existam motivos científicos para acreditar num "padrão de beleza" da vulva e/ou da vagina", o fato é que para algumas mulheres determinadas características anatômicas podem causar desconforto e abalos concretos na autoestima.

É o caso de pequenos lábios mais proeminentes, por exemplo, que provocam incômodo e até dor na hora do sexo. Nessas circunstâncias, o ideal é que a mulher realize uma avaliação com o ginecologista para analisar a necessidade e a viabilidade de uma cirurgia plástica íntima.

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