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Conheça pessoas trans que marcaram a história no Brasil e no mundo

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A atriz trans Laverne Cox Imagem: Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

31/07/2018 04h00

Estas pessoas enfrentaram preconceitos, medos, dúvidas e até violência física e emocional. Entre cirurgias pioneiras e arriscadas e histórias de superação, transexuais lutaram no passado e continuam lutando no momento pela liberdade de assumirem quem são de verdade. Listamos alguns deles para contar suas histórias

Veja também

No mundo

Brandon Teena (1972-1993)

Após ter sido espancado e violado, o americano foi assassinado numa pequena cidade dos Estados Unidos por ser transexual. O caso foi um dos mais famosos crimes de ódio do país no anos 1990 e inspirou duas produções: o documentário "Brandon Teena Story" (1998) e o filme "Boys Don't Cry (1999), estrelado por Hilary Swank, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 2000.

Lili Elbe (1882-1931)

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Cena do filme "A Garota Dinamarquesa", que retrata a vida de Lili Elbe Imagem: Reprodução

Nasceu Einar Mogens Wegener, na Dinamarca, e se tornou um pintor de sucesso. Foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, hoje chamada de cirurgia de redesignação sexual, e adotou a identidade de Lili Elbe. Ela faleceu por causa de complicações pós-operatórias após a tentativa de um transplante de útero. Sua autobiografia, "De Homem a Mulher: a Primeira Mudança de Gênero", teve publicação póstuma em 1933. Em 2016, sua história foi levada aos cinemas com "A Garota Dinamarquesa", com Eddie Redmayne no papel-título.

Christine Jorgensen (1926-1989)

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Christine Jorgensen Imagem: Reprodução

Após servir o exército dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, se tornou célebre nos anos 1950 ao se tornar capa do "New York Daily News" contando a história de sua transição. As intervenções hormonais e cirúrgicas pelas quais passou foram consideradas um sucesso na época e tiveram papel fundamental na difusão da transexualidade --muita gente procurou ajuda médica para ter o mesmo destino que Christine. Em 1954, sua aura glamourosa --era uma loira fatal à la Marilyn Monroe-- a levou a ser eleita a "Mulher do Ano". Nascida George Willian Jorgensen Jr., decidiu se chamar Christine como homenagem ao cirurgião dinamarquês que a operou, Christian Hamburger.

Caitlyn Jenner

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Caitlyn Jenner Imagem: Divulgação

Antes da mudança, portava a identidade de Bruce Jenner, ex-jogador de futebol e atleta olímpico norte-americano. Caitlyn, hoje modelo e socialite poderosa, protagonizou uma das transições mais comentadas da mídia. Em entrevistas, ela conta que se sente mulher "desde sempre". Ela participou com a família --tem seis filhos, entre os quais Kylie e Kendall Jenner-- do reality show "Keeping Up with the Kardashians" e posou para uma capa antológica da revista "Vanity Fair", em 2015.

Angela Ponce

Recentemente, a modelo de 27 anos se tornou conhecida por ser a primeira mulher transgênero a ganhar o título de Miss Espanha. Ela foi ovacionada na recente Parada do Orgulho LGBT em Madri e está se preparando para disputar o Miss Universo 2018.

Jamie Clayton

Reprodução/Montagem
A atriz Jamie Clayton Imagem: Reprodução/Montagem

A atriz e modelo norte-americana foi uma das protagonistas da série "Sense8", produzida pela Netflix, na qual interpretou uma hacker e ativista dos direitos LGBT --também trans.

Nicole Maine

Durante a última San Diego Comic-Con, Nicole foi anunciada pela emissora norte-americana The CW como a primeira super-heroína trans na história da televisão dos Estados Unidos. A atriz vai viver o papel de Nia Nal na série "Supergirl", uma garota que tem o poder de enxergar o futuro por meio dos sonhos e tenta evitar as mortes que prevê. Na produção, a personagem será uma repórter do grupo de comunicação CatCo, onde a Supergirl (Melissa Benoist), prima do Super-Homem, também trabalha. Nicole é ativista da comunidade trans e participou do documentário "The Trans List", da HBO.

Chaz Salvatore Bono

É filho da cantora Cher, ativista de direitos LGBT, escritor, ator e músico. Começou sua transição em 2008, mas só em 2010 mudou seu nome oficialmente. Estrelou, ainda, o documentário "Chaz Bono - Mudança de Sexo".

Laverne Cox

Getty Images
Laverne Cox Imagem: Getty Images

Nascida no Alabama (EUA), Laverne foi a primeira transexual indicada ao Emmy por sua atuação em uma série de comédia --"Orange Is the New Black", na qual interpreta a trans Sophia. Atualmente, ela divide as gravações do seriado com a produção de um documentário sobre adolescentes transexuais.

No Brasil

Laerte Coutinho

Rafael Roncato/Divulgação
Laerte Coutinho Imagem: Rafael Roncato/Divulgação

Aos 67 anos, a cartunista e chargista só revelou publicamente em 2010 ser uma mulher trans através do crossdressing. Sua decisão e coragem voltou as atenções do país para a questão da identidade de gênero. Criadora de personagens como Piratas do Tietê e Overman, Laerte optou até o momento por não mudar seu nome. Depois de ter se assumido trans, passou a atuar como ativista dos direitos LGBT, tendo criado a ABRAT (Associação Brasileira de Transgêneras).

Lea T

Reprodução/i-d.vice
A modelo Lea T Imagem: Reprodução/i-d.vice

Filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo, foi alvo de muito preconceito durante sua infância por não se encaixar no gênero masculino. Certa vez, numa entrevista, declarou que "ser transexual é como calçar os sapatos trocados nos pés, algo que não se encaixa". Em 2012, na Tailândia, realizou a cirurgia de redesignação, o que alavancou sua carreira internacional. Em 2010, estrelou uma campanha da grife Givenchy e fez um ensaio nu para a edição francesa da revista "Vogue".

Roberta Close

Rosane Marinho/Folha Imagem
Roberta Close Imagem: Rosane Marinho/Folha Imagem

Após muita luta --e uma série de laudos clínicos e piscológicos--, a trans mais emblemática do Brasil só teve o nome e gênero alterados legalmente no ano de 2005. Fez cirurgia de redesignação sexual em 1989, na Inglaterra, e gerou polêmica no Brasil ao posar nua no ano seguinte para a revista "Playboy". A edição teve um número assombroso de vendas. Dona de uma beleza exuberante, desfilou para várias grifes internacionais. Atualmente com 53 anos de idade, vive em Zurique, na Suiça, com o marido Roland Granacher, com quem está casada desde 1993.

Rogéria (1943-2017)

Johnson Parraguez/Agência o Dia/Estadão Conteúdo
Rogéria Imagem: Johnson Parraguez/Agência o Dia/Estadão Conteúdo

Nascida Astolfo Barroso Pinto, em Cantagalo (RJ), iniciou a carreira artística como maquiadora na extinta TV Rio. Nunca quis fazer nenhum tipo de cirurgia, mas defendia com garra os direitos da comunidade trans. Dizia que se chamava Astolfo, mas se sentia uma senhora. Rogéria sempre foi muito querida e respeitada pelos artistas e pelo público. Entre seus trabalhos na TV estão participações em novelas globais como Paraíso Tropical (2007) e Babilônia (2015).

Valentina Sampaio

Getty Images
A modelo Valentina Sampaio Imagem: Getty Images

A top model de 21 anos nasceu numa aldeia de pescadores em Aquiraz, no Ceará. Quando tinha oito anos de idade, sua psicóloga compreendeu que se tratava de uma criança trasngênero. Dois anos depois, passou a se chamar Valentina. Na companhia de estrelas como Grazi Massafera, Isabeli Fontana e Taís Araújo, ela é porta-voz da marca de beleza L'Oréal. Além de trabalhar como modelo, cursa Arquitetura.

Thammy Miranda

Yuri Catelli/UOL
Thammy Miranda Imagem: Yuri Catelli/UOL

Filho da cantora Gretchen, Thammy Miranda assumiu sua homossexualidade em 2006. Em 2014, se declarou trans e começou o processo de transição com a retirada das mamas. Sua transformação foi acompanhada pela mídia e contou com o apoio de vários artistas. Antes da mudança, Thammy fez ensaios sensuais, gravou músicas e dançava nos shows da mãe.

Tifanny Abreu

A goiana atua como jogadora de voleibol brasileiro e foi a primeira mulher trans a disputar uma partida oficial da Superliga. No início de 2017, recebeu a permissão da FIVB (Federação Internacional de Voleibol) para competir em ligas femininas. Recentemente, passou por uma cirurgia de feminização facial na Espanha. Contratada pela equipe do Bauru, no início no ano, se viu no centro de uma polêmica: outras jogadoras criticaram sua presença nas partidas por acreditarem que o fato de ter características masculinas seriam um sinal de vantagem na quadra, por causa do força e da constituição física.

João Nery

Tatá Barreto/Divulgação
João Nery Imagem: Tatá Barreto/Divulgação

Primeiro homem trans a se submeter a cirurgias, em 1977, em plena ditadura, quando a operação era considerada lesão grave pela lei. Na época, fez uma mamoplastia masculinizadora para retirada dos seios e recebeu uma neouretra que permitia urinar em pé, mas não chegou a fazer um implante peniano. Ele também retirou o útero e iniciou um tratamento à base de testosterona. Dois anos depois, o médico que o operou foi condenado à prisão por ter feito uma cirurgia em uma mulher trans em 1971. João Nery é ativista, escritor e autor da autobiografia "Viagem Solitária", lançada em 2011 pela Editora Leya. Hoje ele está escrevendo um livro sobre velhice trans.

Livros consultados: “O guia dos curiosos – Sexo” (Panda Books), de Marcelo Duarte e Jairo Bouer, e "Transexualidade - O Corpo Entre o Sujeito e a Ciência" (Ed. Zahar, receem-laçado), de Marco Antonio Coutinho Jorge Nata?lia Pereira Travassos

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