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Violência contra a mulher

Estupro em consultório: São Paulo teve mais de 1.400 casos

Favor_of_God / iStock Photo
Imagem: Favor_of_God / iStock Photo

Marcos Candido

Da Universa

24/07/2018 04h00

Postos, grandes hospitais, salas de raio-x, recepções, consultórios odontológicos e até UTIs são lugares que a gente vê como seguros, onde se prioriza a saúde dos indivíduos. Mas o estupro de duas vítimas em um consultório odontológico em São Paulo, na última sexta (20), levanta um alerta: esses não são casos isolados de violência sexual em casas de saúde no estado.

Dados exclusivos obtidos por Universa mostram que foram registrados 1.453 casos de estupro em ambiente de atendimento de profissionais da área da saúde entre 2008 e 2018 no estado de São Paulo. Deste total, 1.080 registros envolviam vítimas vulneráveis (menores de 14 anos).

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Clínica odontológica de São Paulo não tem registro no Conselho Federal de Odontologia Imagem: Reprodução

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A análise de 2008 a 2016 foi feita em parceira com a Volt Data Lab, agência especializada em jornalismo de dados, com informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Os dados referentes ao ano de 2017 foram analisados pela reportagem. Nos dois casos foram considerados os boletins de ocorrência registrados como estupro (art. 123) e estupro de vulnerável (art. 217-A).

A partir de uma avaliação mais detalhada entre os anos de 2008 e 2016, é possível descobrir que 396 casos de estupro foram registrados com o termo genérico “hospital”; 143  aconteceram em postos de saúde; 58 em clínicas em geral e 37 em consultórios odontológicos. Na lista também entram locais como UTI, com oito ocorrências, e recepções de hospitais, com seis registros.

Só em 2017, 171 estupros foram registrados em estabelecimentos de saúde no estado, sendo 101 enquadrados como estupro de vulnerável.

Falso técnico segue preso

Na violência ocorrida no bairro do Ipiranga, na capital paulista, divulgada na semana passada, o falso técnico em radiologia Gabriel Chessa, 19, criava um ambiente privado para cometer os abusos. Segundo a Polícia Civil, ele alegava que havia apenas um colete extra para proteger contra a radiação. Com isso, entrava no laboratório sem os pais da vítima (nos dois casos, menores de idade com 12 anos). Lá dentro, de acordo com o relato de uma das meninas violentadas, ele colocou uma venda sobre os olhos dela e cometeu a violência sexual.

A polícia pediu a prisão temporária do suspeito na quarta (18). Dois dias depois, a pena foi convertida em prisão preventiva após a descoberta da segunda vítima. Gabriel segue preso e vai responder por estupro de vulnerável e exercício ilegal da profissão. Até a tarde de ontem (23), a polícia ainda aguardava o surgimento de novas denúncias. Se condenado, a pena pode alcançar até 15 anos de prisão.

A clínica Odonto Chessa afirma que não vai se pronunciar sobre o caso.

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