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Atrizes de filme pornô contam o que aprenderam com a profissão

Elia Mast/Divulgação
"Aprendi fetiches que eu não gostava", diz Bombom Imagem: Elia Mast/Divulgação

Carolina Prado

Colaboração para Universa

23/07/2018 04h00

Atrizes pornô contam que levam para a vida real não só as técnicas sexuais que aprendem na frente das câmeras, mas autoconhecimento para lidar com outras questões pessoais. Conheça, a seguir, as histórias de atrizes da indústria pornográfica.


“Aprendi a ter paciência e já gozei em muitas cenas”

Divulgação
A atriz pornô Mel Fire Imagem: Divulgação

“Estou na indústria adulta há sete anos, mas, como atriz de filmes pornô, há dois. Já era modelo de fotos de lingerie e modelo fetichista, quando tive curiosidade de fazer filme. Achei o meu nicho, aquilo que eu gosto. Aprendi a ter paciência: as gravações são extensas e detalhistas. É muito legal ver como funciona por trás das câmeras, porque quando você vê um vídeo, parece que foi tudo é filmado em dez minutos. Mas é uma coisa muito trabalhosa, se repete, muda ângulo… E, como sou bem ansiosa, precisei aprender a ter paciência. Também aprendi muito sobre fetichismo. Uma vez, fiz um trabalho bem legal de dominação com outras mulheres. Foram cenas em que eu amarro a menina e a deixo vendada e ‘me aproveito’ dela enquanto está presa. Gosto de me sentir no controle, e ela curtiu também, pois tinha pouca experiência com BDSM. Mas uma das coisas mais loucas que fiz neste tempo foram os filmes de orgia com outras meninas. Teve um em que havia 10 garotas e foi uma gravação longa, mas divertidíssima. Foi engraçado e bem trabalhoso para coordenar tanta gente, mas nos deixaram muito à vontade.  O prazer existe, sim, já senti muito. Claro que  as gravações são longas e muita coisa é mecânica, por preciosismo da cena, mas já gozei em muitas cenas. E também já levei muita coisa para vida pessoal, principalmente as técnicas de BDSM.” 

Mel Fire, 25 anos, atriz e modelo

“Não é porque você recebe um cachê que precisa se submeter e não dar sua opinião”

Elias_Mast/Divulgação
A atriz pornô Bombom Imagem: Elias_Mast/Divulgação

“Estou no pornô há quase 3 anos. No início, coloquei umas fotos minhas num grupo de produtores, mas ninguém me chamou. Um deles disse que o meu cabelo era estranho. Aí, teve um produtor com um olhar mais profissional, que me falou que eu era diferente, que não tinha atriz pornô black power, e decidiu me contratar. Fiz o meu primeiro filme e, logo em seguida, o segundo, com o qual ganhei um prêmio. Foi maravilhoso! Com o pornô, aprendi fetiches que antes eu não gostava, como aquela parada de colocar prendedores no mamilo. Se colocar com jeitinho não dói. E também ensinei muito. Atores que trabalharam comigo aprenderam a fazer uma cena não pensando só neles. Sempre falo para fazermos uma cena em que os dois se satisfazem. Tenho muita telespectadora mulher, porque não sou submissa nos meus filmes, não deixo o homem fazer o que quiser comigo. E atriz tem que falar, tem que opinar, sim. Não é porque você recebe um cachê que precisa se submeter e não dar sua opinião.  As cenas que eu faço são todas reais, eu não passo vontade. Nenhuma cena minha é mecânica, então, sinto prazer em todas. Até porque sou péssima para fingir e adoro pornô, então, me vejo como telespectadora, esqueço cachê. Aliás, se fosse pelo cachê, eu nem gravava, porque não ganho milhões. Você tem que gravar porque gosta, mesmo. Gosto de ser assistida e passar para as minhas espectadoras femininas que mulher pode curtir pornô. Levo respeito e igualdade para as minhas cenas. Hoje, no pornô, as negras de cabelo black, que não vemos com muita frequência, têm muito a me agradecer porque atualmente não é como antes. Aqui é black power, é raiz!”

Bombom, 27, atriz e modelo


“Aprendi com uma equipe da gringa a fazer squirting”

Luiz Costa/Divulgação
Mayanna Rodrigues Imagem: Luiz Costa/Divulgação

“Trabalho há 13 anos como atriz pornô. Aprendi muitas coisas sobre sexo nesse tempo todo... Aprendi com uma equipe da gringa a fazer squirting [a ejaculação feminina] com masturbação e já filmei cenas até em alto mar! Mas, confesso, ainda quero usar uma fucking machine, em filme ou não. É uma máquina de sexo, um ‘robô’ controlado por controle remoto que tem dildos acoplados. O aprendizado da profissão também impactou no meu autoconhecimento, aprendi a olhar para o que eu gosto, para o que eu sinto à vontade ou não de fazer e, principalmente, a dizer ‘não’ para certas coisas, mesmo sendo paga por isso. Aliás, este foi até um dos motivos de eu ter ido pro altporn [pornô alternativo ou independente]: para poder ter a liberdade de fazer o que eu gosto e me sinto bem. A pornografia mainstream segue um padrão de corpos e sexual que eu considero tóxico. São sempre corpos idealizados, um sexo normativo, quase sempre com o foco no prazer do homem. O altporn vem em contrapartida disso, variedade de corpos, sexo real, orgasmos reais, conteúdo que também atende ao público LGBT e queer. Você vai ver um sexo em que todos os envolvidos estão confortáveis. Eu, inclusive!”

Mayanna Rodrigues, 31, atriz pornô, bartender e produtora


“Sexo mecânico não deveríamos fazer nem em casa”

Maicon MM/Divulgação
Jully DeLarge Imagem: Maicon MM/Divulgação

“Trabalho há cinco anos com a indústria pornográfica. A vontade de gravar cenas surgiu quando comecei um relacionamento. Gravamos uma cena amadora: câmera no tripé e deixamos rolar... Conseguimos vender a cena para o Xplastic, site de pornô alternativo. Desde então, faço experimentos nessa área, como atriz e diretora de filmes. Uma das coisas mais doidas que fiz foi um 69 durante uma suspensão corporal por ganchos. Eu me suspendi pelos joelhos e a outra atriz se suspendeu pelas costas, enquanto isso, nos estimulamos oralmente. Também teve minha primeira cena fazendo e recebendo fist fucking, a penetração com o punho. Eu não havia experimentado e conheci na cena. Hoje, tenho cerca de cinco cenas gravadas fazendo fisting vaginal e até já dei aula, na Erotika Fair, ensinando a fazer. Outra experiência marcante foi um ménage na floresta, foi maravilhoso! Montamos rapidamente o cenário no meio da mata, beirando o mar. Foi uma performance intensa, deixamos fluir nossos corpos em uma dança instintiva. Foi um sexo entre a três muito gostoso, ao ar livre. Também piro com as cenas de shibari [amarração com cordas]. Elas têm uma atmosfera intimista, um mergulho sensorial. Ser calmamente amarrada, despida e estimulada até gozar... Hum, deu até vontade! Sabe, sinto prazer em todos os momentos. Se acontecer de perder a sintonia com o ator ou atriz, não tenho receio algum de parar a cena. Sexo mecânico não deveríamos fazer nem em casa, nem em cena. Sexo é expressão divina, criadora, criativa, humana!” 

Jully DeLarge, 27, atriz pornô e produtora de conteúdo

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