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"Já falaram que só estava em time porque era 'musinha'", diz Jaque do vôlei

Ricardo Matsukawa/Arte UOL
Imagem: Ricardo Matsukawa/Arte UOL

Camila Brandalise

Da Universa

20/07/2018 04h04

Uma das mais talentosas e carismáticas jogadores de vôlei do mundo, Jaque está se aposentando da seleção brasileira. Ainda jovem, aos 34 anos, e sem as clássicas e insuportáveis dores no corpo, a atleta diz que a explicação para o afastamento é a vontade de estar mais perto do filhinho, Artur, de quatro anos, e também de se dedicar a outros caminhos profissionais. A dona de 14 medalhas de ouro, ganhas em 18 anos de seleção brasileira, conta à Universa quais serão seus próximos saltos:

Por que decidiu se aposentar?
Estava viajando muito. Da última vez, fui chamada às pressas para substituir uma jogadora lesionada na Liga das Nações, na China, e não consegui levar meu filho comigo; como costumo fazer. O Murilo (Endres, marido e jogador da seleção masculina de vôlei) também estava viajando. E esse foi um ponto chave para a minha decisão, porque essa situação poderia acontecer outras vezes. Nós sofremos bastante. Eu não estava com a cabeça nos jogos.

Você e seu marido cogitaram a possibilidade de ele parar para cuidar do filho?
Não, porque eu quis assim. Ele me apoiou, apesar de falar que é uma pena eu ter parado. O Murilo é muito companheiro. E é ele que cuida das nossas finanças. Investimos em empresas, negócios e ações na bolsa. Ele é muito bom nisso.

A idade, 34 anos, também contou para essa decisão?
Não. Acho que até daria para continuar. Tenho limitações com o joelho esquerdo, fiz três cirurgias e claro que sinto uma dor aqui e outra ali; mas quando era mais nova também sentia.

Sair da seleção é uma decisão familiar. Além disso, tenho outros projetos e quero trabalhar neles agora.

Quais são eles?
Um deles é no segmento do entretenimento; mas ainda sem previsão de lançamento. Também quero voltar a jogar em algum clube. Tenho um salão de beleza em São Paulo e pretendo estudar mais sobre esse mercado. Além disso, já, já vou fazer campanhas publicitárias. Fiz uma com a Gisele Bündchen (de produtos para cabelos, em 2012), em que fui escolhida por ela.

Ser bonita abriu essa porta publicitária. E causou algum problema?
Sempre teve inveja. Já escutei que estava no time porque sou “musinha”, porque sou bonita. Acontecia isso com uma frequência bastante grande. Esses comentários me instigaram a ser uma jogadora melhor. Falem bem ou falem mal, mas falem de mim.

Do seu cabelo, todo mundo falava; e bem, claro. Como cuida dele?
Pelo menos uma vez por semana vou ao salão, hidrato, provo coisas novas e troco bastante de produto. Gosto muito de me arrumar. Nos jogos, passava uma pastinha para ele não ficar arrepiado. Usava maquiagem, base com protetor, um rimelzinho e blush de leve para dar cara de mulher sadia. Também pegava as outras jogadoras para maquiar.

Você teve experiências ruins envolvendo assédio ou algum outro tipo de violência no esporte?
Sempre teve assédio. Aconteceu de sair de jogo, com uma multidão fora, e sentir mãos passando em tudo quanto é canto do corpo. Não tinha segurança. Não conheço casos de colegas. Acho que nunca se abriram para falar.

Hoje ainda recebo cantadas. Dizem: “Larga o Murilo e casa comigo”.

A perda de um bebê, num aborto espontâneo em 2010, deixou que marcas em você?
Era meu primeiro filho, imaginei muito como seria a vida dele, já tinha recebido presentes. Me abalou muito. Esse deveria ser um assunto mais falado, mais aberto, até para que as mulheres que perdem o bebê saberem que, em muitos casos, isso é normal e não significa que elas tenham algum problema.

O que você pode fazer agora que, com o posto na seleção, não conseguia?
Os treinos e os jogos me consumiam. Quando ficava em casa, estava sempre cansada e tendo que repousar para estar bem no outro dia. Isso vai mudar. E ir ao parque e ao cinema com a família vai ser meu auge.

Dá um frio na barriga deixar a seleção?
Por mais que esteja certa disso, me emociona muito. Sou muito emotiva. Vejo alguém chorando, choro também. E deixar as meninas, não vestir mais a camisa da seleção...

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