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Mães e filhos

Samara Felippo relembra suas cesáreas em desabafo: "mágoa e frustração"

Reprodução/Instagram
Samara Felippo com a filha, Lara Imagem: Reprodução/Instagram

da Universa, em São Paulo

18/07/2018 11h14

Samara Felippo se submeteu a duas cesarianas para dar à luz suas filhas, Alícia, de 9 anos, e Lara, de 5. Estas experiências, no entanto, marcaram a vida da atriz negativamente.

Em um post em seu Instagram, ela desabafou sobre a culpa, a mágoa e a frustração que ainda carrega por ter tomado decisões que considerou desinformadas. 

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"A cesariana é uma cirurgia importantíssima que salva vidas todos os dias, mas ela não é para ser feita em todas as pacientes, de uma maneira desnecessária, fora do trabalho de parto. E é muito difícil ir contra o discurso autoritativo do médico. Quem sou eu para contestar?", questionou a atriz.

"É o que pensamos ainda jovens, imaturas, despreparadas, sem apoio, numa sociedade em que existe um condicionamento cultural dominante de que a mulher não tem o poder de parir por si própria. Resolvi fazer esse post para tentar chegar ao máximo de mulheres possível. Acabei de assistir ao documentário 'Renascimento do Parto' aos prantos. Parava no meio pra dividir minha angústia com a Carol [a atriz Carolinie Figueiredo], mas nada do que ela falava cessava minha mágoa e frustração por, sendo uma mulher saudável, jovem, ter sido induzida a fazer duas cesáreas completamente desnecessárias".

"Achava que essa minha culpa já tinha sido resolvida depois que expus isso num texto no meu blog, mas não. Ela está aqui e não sei até quando. Talvez ela nunca me deixe. Hoje repenso se tenho raiva de mim por ter feito escolhas erradas ou do médico, mas fui eu que escolhi. E sempre nos nossos papos, eu e Carol, conversamos sobre isso. Eu digo (na verdade para tentar minimizar essa culpa) que temos o direito de escolher como queremos parir", acredita.

"E o que a Carol sempre questiona comigo é: Será que escolhemos cesárea se tivermos as informações, a dose de auto estima e empoderamento para conduzir como nossos filhos vem ao mundo? Foi devastador lhe dar novamente com essa sombra".

Samara ainda aproveitou para fazer um apelo a outras mães. "Então meu único intuito agora com esse post é: Mães, futuras mães, sejam donas do seu parto. Violências obstétricas se tornaram naturais. Eu mal vi minhas meninas quando nasceram. Hoje aos 39 anos, tendo toda essa informação nas mãos, dói. Procurem saber dos mitos, existem muitos, procurem apoio de doulas, de amigos que te incentivem", orientou.

E ela ainda apontou um número que considera alto dos procedimentos no país.

"Nós temos o poder e a capacidade de gerar e parir, nós conseguimos. Enfim, espero que aos poucos esse cenário absurdo de 52% de cesáreas que temos no Brasil mude e que num futuro próximo não seja tarde demais. Tenho certeza que esse sentimento gera empatia em muitas mães", concluiu.