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Diversidade

Saiba o que você não deve dizer e perguntar para uma pessoa trans

Giorgia Cavicchioli

Colaboração para Universa

17/07/2018 04h01

“Qual seu nome ‘de verdade’?” e “Você até parece mulher” são alguns dos maiores exemplos. Mas as frases que machucam e/ou são politicamente incorretas são muitas.

Sabemos que a intenção não é ofender (partindo do pressuposto de que quem pergunta não é um agressor, claro), mas algumas colocações podem ser extremamente desconfortáveis para pessoas trans. Conversamos com algumas delas e descobrimos o que estão cansadas de ouvir e qual é a forma certa de agir.

Lucas Ávila
Imagem: Lucas Ávila

O designer Paulo Vaz, de 33 anos, entende que muita gente não sabe o jeito certo de perguntar e que, por isso, comete gafes. Amigos e familiares, por exemplo, erram o pronome ao se referir a ele, mas Vaz avalia que essa "é uma questão de costume".

Uma das perguntas que o incomodam mesmo é “Qual é o seu nome de verdade?”. Segundo Vaz, esse tipo de questionamento faz com que a pessoa trans tenha memórias de um passado "em que ela não era ela de fato".

A youtuber Lana Santucci, de 22 anos, concorda com Paulo, e diz que essa resposta não é importante. “Tenho todos os meus documentos como Lana. Meu nome é Lana”, afirma. Para ela, o questionamento não faz nenhuma diferença para quem pergunta; e só faz com que a pessoa trans se sinta mal.

Segundo Valeria Rodrigues, presidente do Instituto Nice, que trabalha com a reinserção social e profissional de mulheres transexuais e travestis, nunca se deve dizer para uma mulher trans: “Caramba, você parece mulher”. Valeria fala que só é pior quando alguém diz: “Nossa, você é mais bonita do que sua amiga. Parece mais mulher do que ela”.

Essa também é uma reclamação de Lana. Ela conta que, certa vez, estava na parada LGBT e foi questionada por um homem sobre se ela era mulher. A youtuber conta que respondeu que sim, que era uma mulher trans. “Ele falou ‘nossa, mas você parece mulher de verdade’. E eu respondi: ‘sou mulher de verdade’”. 

Carol Sakura
Imagem: Carol Sakura

Paulo Vaz diz ainda que pessoas trans sempre são perguntadas se já fizeram “a cirurgia”, referindo-se à modificação da genitália. Para ele, a operação não define o que uma pessoa é. “Vinculam a genitália a tudo; mas ela não define o que somos. Homens trans podem ter vagina e estar bem com isso”. 

Lana lembra que é também muito questionada sobre “o que tem entre as pernas”. Trata-se, claro, de uma informação íntima e perguntar sobre ela é grosseria. 

Essas são perguntas que não são feitas a pessoas cis (aquelas cujo gênero é o mesmo que o designado em seu nascimento); portanto, não precisam ser feitas às trans. De acordo com a professora Luiza Coppieters, de 39 anos, os diferentes modos de tratamentos às pessoas cis e trans podem ser observados em questões do cotidiano e nas relações interpessoais.

Acervo pessoal
Imagem: Acervo pessoal

"Minha ex está postando fotos em redes sociais com sua atual cis. Quando namorávamos, ela selecionava o público que podia ver as fotos no Facebook, de maneira que sua família não as visse”, afirma.

Para ela, “essa é a condição de mulher trans”. Por mais que seja gentil, educada, inteligente e de boa aparência, essas características "não são suficientes” para ter um relacionamento público. Luiza diz que se sente “diminuída, inferiorizada e humilhada” com a situação.

As questões de identidade de gênero e orientação sexual também são confundidas. Vaz, que é homem trans gay, afirma que já ouviu que “virou homem para pegar outro homem”. E ele explica: “Identidade de gênero é como você se vê no espelho e orientação sexual é a atração sexual que você tem por uma outra pessoa”.

Assim como acontece com o machismo, o racismo e a homofobia, essas colocações fazem com que pessoas trans sofram agressões diárias. Luiza conta, por exemplo, que quando foi arrumar o título de eleitor, um homem que também estava no local para ser atendido perguntou se ela tinha “mudado o sexo”. “Olhei para ele e falei ‘eu retifiquei o nome e o sexo’”. O homem ainda insistiu na pergunta e quis saber qual era o nome dela “antes”. Um desrespeito claro. 

"Quem esse cara pensa que é? Nem aqui, num estabelecimento público, eu sou respeitada?”, indaga Luiza. Essas violências doem mais, segundo ela, quando vêm de pessoas de quem ela gosta e em quem confia. 

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