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Estes maridos largaram tudo para acompanhar suas mulheres no exterior

Letícia Rós e Rita Trevisan

Colaboração Universa

03/07/2018 04h00

Eles deram uma pausa na carreira para acompanhar suas mulheres, quando elas receberam a proposta de trabalhar no exterior. Desafiando o preconceito, se dedicaram aos cuidados com a casa e com as crianças, enquanto elas brilhavam em suas profissões. A seguir, eles contam suas histórias.

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"Eu achei que fosse surtar"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

“Minha mulher foi convidada para trabalhar na Alemanha e, desde o início, conversamos bastante sobre isso em casa, até chegarmos a um consenso. Eu, mesmo tendo um cargo de coordenador em uma empresa consolidada, considerei que poderia ser uma boa oportunidade, pensando não apenas na minha conveniência e realização, mas na minha família e nas chances de crescimento que teríamos. Então, combinamos que ela participaria do processo de seleção, que durou vários meses, até que ela finalmente recebeu o aceite. Durante todo esse tempo, eu fui me preparando mas, para mim, não foi fácil. Eu cheguei a fazer terapia por um tempo para aceitar melhor a ideia de sair do país e largar o meu trabalho em função dessa mudança. O problema nunca foi ver a carreira da minha mulher deslanchar, mas pensar que ficaria sem trabalho em um país onde se fala uma língua que eu não domino. É claro que, por conta disso mesmo, o começo foi bem complicado. Estamos aqui há três meses e, na primeira semana, eu achei que fosse surtar por ter que ficar em casa sem fazer nada! Mas aí comecei um curso intensivo de alemão e, no tempo livre, aproveito para estudar. Assim, já preenchi boa parte do meu dia. No restante, eu cuido da casa, do cachorro que trouxemos conosco para cá, faço a comida etc. Mas muita coisa eu já fazia no Brasil também, porque eu e minha mulher sempre dividimos as tarefas. O que me deixa mais tranquilo é pensar que essa é uma situação temporária, porque logo quero começar a trabalhar, dar continuidade à minha carreira. Não porque me envergonho de ter uma mulher como provedora ou por ter que assumir todas as tarefas da casa, mas porque acho fundamental ter uma ocupação, independentemente do sexo. Ainda assim, posso dizer que vivemos com muito mais qualidade de vida apenas com o salário dela. Há uma infraestrutura melhor, tudo funciona por aqui, a gente anda tranquilo pelas ruas, tem um estilo de vida muito mais saudável. Então, chego à conclusão de que tomamos a decisão certa.” Caio Cesare Rios Azambuja, 27 anos, publicitário

"Eu mal tinha lavado um prato e era extremamente machista"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

“Fui executivo a minha vida inteira e havia decidido sair do mundo corporativo e criar meu próprio negócio. Quando minha loja estava começando a decolar, minha mulher foi chamada para trabalhar em Cingapura. Foi um choque, porque eu não tinha referência nenhuma daquele país e tínhamos apenas 15 dias para decidir tudo. Conversamos muito e eu topei fazer um acordo com o meu sócio: acabei abrindo mão da loja. Não tive coragem de dizer não à minha mulher, afinal, eu sabia o quanto aquela oportunidade era importante para ela. Além disso, fui com a ideia de que poderia continuar o meu negócio de vender vinhos por lá. Mas o que aconteceu foi exatamente o oposto. Em Cingapura, eles têm um ambiente muito controlado, eles só deixam você arranjar um emprego se tiver visto de trabalho e esse documento é muito caro. Então, inviabiliza completamente para quem vai apenas acompanhando o cônjuge empregado, como era o meu caso. Assim, virei um dono de casa compulsório. Até então, eu mal tinha lavado um prato e era extremamente machista, sem me dar conta disso. Mas, com o tempo, fui me acostumando àquela rotina e vi o quanto estava equivocado em muitas das minhas opiniões. Eu me dediquei aos cuidados com a minha filha, que, na época, tinha três anos, e ao dia a dia da casa, até porque não suportava ficar sem fazer nada. No começo, as pessoas estranharam muito. Meus amigos brasileiros fizeram até um bolão; o chute mais alto foi que eu aguentaria um ano naquela situação. Mas já faz quase oito anos e já passamos por outros países nesse meio tempo, como Estados Unidos e Françam sempre por conta das transferências da minha mulher. Há alguns anos, resolvi escrever sobre essa minha experiência e hoje sou contratado por empresas para falar sobre equidade social. Estou lançando meu terceiro livro com esse tema e agora sou palestrante, também. Quero que histórias como a minha sejam consideradas normais, pois muito homem não toma a decisão que eu tomei preocupado com o que os outros vão pensar. E esse é o tipo de coisa que só nos impede de crescer.” Claudio Henrique dos Santos, 46 anos, jornalista, escritor e palestrante

"A oportunidade serviu para que ambos avançássemos"

Arquivo Pessoal
Pedro Carvalho e a família Imagem: Arquivo Pessoal

“Em 2008, minha mulher recebeu uma ótima proposta para trabalhar na Argentina. Eu e ela atuávamos em departamentos diferentes, na mesma empresa. Ela me contou sobre o convite que tinha recebido no meio do corredor e, na hora, eu topei. Em 15 minutos de conversa, decidimos reconstruir nossas vidas lá. Por incrível que pareça, quem ficou mais reticente foi ela, por causa da família. Fui eu quem a incentivei. Estávamos casados há um ano e eu estava construindo a minha carreira aqui, era analista em uma grande rede de TVs a cabo, com boas perspectivas. No entanto, sabia que, ao dominar a língua, não teria dificuldade de me empregar lá. E foi o que aconteceu. Chegamos em setembro em Buenos Aires e em dezembro eu já estava trabalhando, dentro do mesmo mercado. Desde então, nunca mais fiquei desempregado. No tempo que permaneci apenas estudando, cuidava sozinho da casa. Fizemos amigos por lá e formamos nossa rede de expatriados, sendo bem acolhidos. Tivemos, inclusive, nossos dois filhos na Argentina. Agora, estamos de volta ao Brasil, e eu fui contratado por uma empresa que também atua lá. Ainda abrimos um negócio na Argentina, eu e minha mulher, com uma filial aqui no Brasil. Então, a oportunidade serviu para que ambos avançássemos profissionalmente, exatamente como a gente imaginava.” Pedro Carvalho Andrade da Rocha, 37 anos, publicitário

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