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Ácido pode combater mancha e envelhecimento; descubra o ideal para sua pele

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Entenda o funcionamento de diferentes tipos de ácidos usados nos tratamentos estéticos Imagem: Getty Images

Monique Garcia

Colaboração para Universa

02/07/2018 04h00

É possível que você já tenha ouvido falar no uso de ácidos em tratamentos estéticos — eles são amplamente adotados em fórmulas manipuladas, nos cosméticos industrializados e até em peelings químicos no consultório. Mas, qual o papel destas substâncias?

Ácidos são ingredientes potentes que proporcionam, em casos específicos, a renovação da pele, o clareamento de manchas, o controle da oleosidade, a hidratação intensa e até mesmo a prevenção do envelhecimento. 

“Isso porque descamam a cútis e estimulam a renovação celular, entre outras ações que melhoram textura e elasticidade da tez”, explica a dermatologista Claudia Marçal, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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A maioria dos ácidos sensibiliza bastante a pele após a aplicação. Por isso, com algumas exceções ​[listadas abaixo], cosméticos que os contenham em suas fórmulas devem ser usados apenas à noite, longe da luz do sol.

Mesmo assim, a recomendação para a manhã seguinte é a mesma: passar filtro solar com FPS 30, no mínimo, e reaplicá-lo a cada duas horas. Além disso, é bom evitar o excesso de exposição ao sol. O mesmo vale para quem fez peeling com alguma destas substâncias no consultório.

Ao lavar o rosto após acordar, aplique sabonetes com fórmulas leves e pouco abrasivas, apenas para remover resquícios de produto da noite anterior sem agredir a superfície. Invista também em hidratações constantes e carregue sempre na bolsa uma água termal, ideal para acalmar e revitalizar a pele sensível.

E, por último, mas não menos importante: procure o dermatologista antes de submeter-se a qualquer tratamento com ácidos. Só um profissional pode fazer uma avaliação completa das necessidades de sua pele e indicar a dosagem correta para cada caso, além de orientar a aplicação adequada para que o resultado seja o melhor possível.

Saiba mais sobre os principais tipos de ácidos e como aproveitar o melhor que têm a oferecer:

Ácido retinoico

O que é: também conhecido como tretinoína, é uma substância derivada da vitamina A que estimula a produção de colágeno e age como despigmentante da pele.

Para que serve: é frequentemente indicado para combater o envelhecimento da pele, seja por fatores cronológicos ou pela superexposição ao sol ao longo dos anos.

“O ácido retinoico minimiza as rugas e outros sinais da idade, além de tratar o melasma epidérmico", exemplifica Isabel Piatti, especialista em Estética e Cosmetologia e membro da ABEC (Academia Brasileira de Estética Científica).

Como e quando usar: o ácido retinoico é encontrado principalmente em cremes, manipulados ou prontos, com concentrações que variam de 0,025% até 0,1%. O ideal, segundo especialistas, é aplicar de duas a três vezes por semana à noite para que a pele possa se adaptar a ele, intercalando seu uso com o de outros cremes nutritivos.

Ele também é encontrado em peelings, com concentrações de 1 a 10% 

Poder ser usado em conjunto com... ácido hialurônico e outros clareadores como a hidroquinona, o ácido kójico e o alpha-Arbutin, além de antioxidantes.

Ácido salicílico

O que é: este ácido tem propriedades esfoliantes capazes de romper ligações queratínicas da pele e, por isso, a deixa com uma textura mais macia. Ele ainda tem propriedades anti-inflamatórias.

Para que serve: regularizar a produção de sebo nas peles oleosas. Por isso, ele controla a acne e a dilatação dos poros. Como proporciona a descamação da camada mais externa da pele, o resultado é uma superfície mais uniforme, livre de marcas e com os poros desobstruídos.

Como e quando usar: o ácido salicílico também é muito empregado tanto em fórmulas manipuladas quanto nas prontas.

“Indico o uso diário de sabonetes, loções adstringentes e géis com concentrações de 0,5% a 2% para uma limpeza completa à noite e controle de espessura da pele”, sugere Claudia Marçal. Em casos de sensibilidade ao produto, a aplicação é restrita a duas ou três vezes por semana.

Já no consultório, as concentrações utilizadas variam de 10% a 30% para peelings quinzenais ou mensais de ação mais profunda.

Pode ser usado em conjunto com... ácidos pirúvico e mandélico.

Ácido glicólico

O que é: um subproduto da cana-de açúcar que funciona como bom esfoliante, além de auxiliar na formação de colágeno e agir contra radicais livres, aquelas moléculas associadas ao envelhecimento precoce da pele.

"De quebra, [o ácido glicólico] facilita a penetração de outras substâncias na cútis", frisa Isabel Piatti. É uma alternativa menos irritante que o ácido retinoico.

Para que serve: melhora manchas e cicatrizes de acne, fecha os poros, minimiza estrias e retarda o envelhecimento.

Como e quando usar: cosméticos com ácido glicólico podem ser aplicados tanto no rosto quanto no dorso das mãos, colo e corpo em dias alternados, antes de dormir.

“A concentração nos cosméticos varia entre 5% e 20%”, afirma Claudia Marçal. Já no consultório, um peeling pode chegar a ter 70% de ácido glicólico.

Pode ser usado em conjunto com... ácidos málico, mandélico e hialurônico – a indicação depende do objetivo e é determinada caso a caso.

Ácido mandélico

O que é: um extrato de amêndoas amargas de grandes moléculas, que garantem ação lenta e suave. Ele é mais seguro e versátil que os demais. 

Para que serve: anti-idade e clareador, ele ganha mais potência quando associado a outros ácidos. É eficaz principalmente no tratamento de manchas, acne e rugas.

Como e quando usar: encontrado em séruns, loções e cremes prontos na farmácia, o ácido mandélico também pode ser adicionado às fórmulas manipuladas.

Peles resistentes têm carta branca para adotá-lo diariamente, enquanto as mais sensíveis devem limitar seu uso a dias alternados.

Por reagir menos com a exposição à luz, ele é indicado para pacientes que precisam tratar a pele o ano todo, inclusive no verão. “Também é utilizado em peelings, mas não com tanta frequência”, comenta Claudia Marçal.

Pode ser usado em conjunto com... ácidos glicólico, málico, lático, hialurônico e kójico; hidroquinona e vitamina C.

Ácido hialurônico

O que é: substância produzida pelo próprio organismo para manter a pele hidratada e elástica. Com o tempo, sua concentração natural na pele diminui e, por isso, precisa ser reposta para evitar rugas e flacidez.

Para que serve: evitar o ressecamento e garantir uma superfície firme, lisa e viçosa. A recuperação de densidade da pele é outro benefício valioso do ácido hialurônico.

Como e quando usar: a partir dos 20 anos, é possível recorrer aos séruns e cremes, que retêm moléculas de água e promovem uma hidratação poderosa. A indicação é usá-los até duas vezes ao dia, de manhã e à noite.

Entre os 30 e 40, entram em campo as injeções de ácido hialurônico, aplicadas em intervalos de duas a três semanas para redefinir o contorno do rosto e dos lábios, corrigir olheiras, atenuar rugas e aumentar o brilho da pele.

Pode ser usado em conjunto com... silício, peptídeos, coenzima Q10, vitamina C e ácidos ferúlico e glicólico, quando necessário.

Ácido azelaico

O que é: obtido pela oxidação do óleo da mamona, é uma substância de ação antibacteriana que inibe a produção de tirosinase, enzima que estimula a fabricação de melanina pelo organismo.

Para que serve: diminuir as manchas sem clarear a pele ao redor, agindo apenas onde há excesso de pigmentação. É muito aplicado para suavizar o escurecimento da virilha e das pernas causado pela foliculite. Também trata acne (vulgar, leve e moderada) e elimina cravos.

Como e quando usar: o ácido azelaico está presente em géis (para peles oleosas) e cremes (para peles secas e corpo) vendidos prontos nas farmácias, embora também possa ser manipulado.

Ele é encontrado em compostos com concentrações de 5% a 25% e pode ser aplicado diariamente ou em dias alternados, de acordo com a recomendação médica.

Por não ser sensível à luz solar, pode ser usado durante o dia com a proteção adequada do filtro. “Também é uma alternativa segura para gestantes tratarem o melasma na gravidez”, garante Isabel Piatti.

Pode ser usado em conjunto com... ácido salicílico.

Ácido kójico

O que é: despigmentante natural derivado de diversas espécies de fungos, ele diminui a formação de melanina, além de poder agir em conjunto com outros clareadores sem irritar a pele. 

Para que serve: trata o melasma e reduz rugas e linhas finas ao mesmo tempo em que previne o envelhecimento da pele. Ele também esfolia e combate os radicais livres por causa de sua ação antioxidante.

Como e quando usar: cremes formulados com a substância têm concentrações de até 4% e devem ser aplicados em dias ou noites alternados por até seis meses, com aplicação liberada até mesmo durante o verão.

“O resultado aparece após duas a quatro semanas de uso contínuo, podendo demorar um pouco mais em pessoas com pele oleosa”, avisa Claudia Marçal. Gestantes também podem adotá-lo, desde que tenham acompanhamento médico.

Pode ser usado em conjunto com... ácidos retinoico, glicólico e fítico; hidroquinona, alpha-Arbutin e hidroxitirosol.

Ácido ferúlico

O que é: potente antioxidante encontrado especialmente no farelo de milho e no arroz. "[O ácido ferúlico] neutraliza radicais livres gerados pelo sol, poluição, cigarro e estresse, diretamente relacionados ao envelhecimento das células; além de inibir a formação de melanina”, lista Isabel Piatti.

Para que serve: prevenir os sinais da idade, proteger a pele contra danos externos, inclusive os causados pelos raios ultravioletas. Também é usado como coadjuvante no clareamento de manchas.

Como e quando usar: está bastante presente nas fórmulas de filtros solares, que devem ser reaplicados ao longo do dia, a cada duas horas e após exposição ao sol, transpiração ou contato com a água. Em séruns com apelo antipoluição, ele diminui o impactos das radiações UV e infravermelha, da poluição e outros males que envelhecem a pele precocemente. Ideal para usar duas vezes ao dia, de manhã e à noite.

Pode ser usado em conjunto com... vitaminas C e E.