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Direitos da mulher

"Os Incríveis 2" consagra tendência ao feminismo nos desenhos animados

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

29/06/2018 04h00

Princesas à espera de um beijo de amor que as desperte para a vida, tais quais as versões clássicas de A Bela Adormecida e Branca de Neve dos estúdios Disney, ou donas de casa fofas e prestativas, como Betty e Wilma, de "Os Flinstones" ou a moderna Jane de "Os Jetsons"... Essas são personagens com os dois pés fincados na nostalgia.

Alinhada com os valores dos novos tempos, que buscam a igualdade de gênero e a quebra do que se convencionou chamar de "papéis" femininos e masculinos, a representação da mulher pelas animações vem mudando muito nos últimos anos.

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Isso é ótimo tanto para os adultos quanto para as crianças, que podem conferir no cinema e na TV que existem possibilidades múltiplas para as garotas, para os casais e para as famílias. "Os Incríveis 2", que acabou de estrear, torna essa tendência legítima em grande estilo. Por que esse e outros desenhos animados contemporâneos estão mais alinhados com o feminismo? Veja a seguir:

"Os Incríveis 2"

Quando a Mulher Elástica ganha mais destaque profissional do que o Senhor Incrível e é recrutada por uma empresa multimilionária para testar uma nova tecnologia, tudo leva a crer que a rotina da Família Pêra vai virar um caos. Afinal, até mesmo a Mulher Elástica sofre para conciliar família e carreira. E ter de enfrentar o dia a dia doméstico pode ser a missão mais difícil da vida do herói. Pois a graça da nova produção da Disney/Pixar está justamente em fazer com que os personagens, assim como as pessoas reais, entendam que o melhor que um casal pode fazer é sempre somar forças e se colocar um no lugar do outro, em vez de travar batalhas inúteis. A Mulher Elástica sente culpa, sim, e o Senhor Incrível enfrenta um cansaço atroz para dar conta de tudo, mas, ao fazerem o melhor que podem, em vez de almejarem o impossível, os dois encontram eco em muitas famílias de hoje.

Reprodução
Imagem: Reprodução

"Moana"

Sem um único beijo de amor sequer, a animação de 2016 foi --e aqui o trocadilho vale a pena, já que boa parte do filme se passa no mar-- um divisor de água na história da Disney. Moana é uma princesa, sim, mas retrata os novos tempos: é destemida, curiosa, questionadora e incansável. Não hesita, inclusive, em desobedecer o pai em prol de um objetivo maior, que é garantir o bem-estar de seu povo.

Divulgação
Imagem: Divulgação

"Frozen, Uma Aventura Congelante"

Embora aborde, sim, um romance convencional --entre Anna e Kristoff--, o mote principal de "Frozen" (2013) é a história de amor entre duas irmãs. E, claro, a jornada de crescimento e autoaceitação de Elsa, a protagonista da animação, que precisa aprender a administrar os próprios poderes, em vez de mantê-los sob controle, para viver em paz.

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"Valente"

Apesar de não ter feito o mesmo sucesso que os sucessores "Frozen" e "Moana", "Valente" (2012) é animação da Disney que apresenta uma das cenas feministas mais emblemáticas: a que Merida, de arco e flecha em punho, entra na disputa pela própria mão em casamento. E ganha, para desespero de sua mãe, que almeja um casamento de interesse para a filha para cumprir as tradições e aumentar o poder do reino. A relação entre mãe e filha, com seus rompantes de amor e ódio, é outro ponto alto do filme.

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"The Loud House"

Exibido pelo canal pago infantil Nicklodeon, conta a história de um menino de 11 anos, Lincoln Loud, e suas dez irmãs com idades que variam de 15 meses a 17 anos. Os pais trabalham fora e dividem igualmente tarefas domésticas, despesas e responsabilidades. As meninas da família são todas diferentes entre si - há a nerd, a gótica, a esportista, a princesinha, a roqueira etc. --e a graça do desenho está justamente na sororidade com que cada uma, apesar de temperamentos tão distintos, consegue entender a outra mesmo que não concorde com seu jeito. Outro trunfo de "The Loud House" é que mesmo nos episódios em que uma guerra dos sexos começa a ser delineada, o enredo prova que é mais divertido e útil que meninas e meninos aprendam uns com os outros.

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"O Incrível Mundo de Gumball"

Um dos desenhos mais anárquicos que estão no ar (no Cartoon Network), "Gumball" subverte aquela antiga máxima patriarcal do "Vou contar tudo para o seu pai" ou "Pede para o seu pai, ele é quem cuida do dinheiro". Nicole Watterson, a mãe, é a chefe da família, a única que trabalha e que põe dinheiro em casa. Intelectualmente limitado, Ricardo, o pai, não consegue se dar bem em nenhum emprego por causa da burrice, mas tem o coração puro e cheio de boas intenções. Gumball e Darwin são os irmãos bagunceiros, enquanto a caçula, Anais, é superdotada. A animação, que pode ser vista como uma crítica à família tradicional e também aos métodos convencionais de ensino, volta e meia flerta com temas filosóficos, como no episódio "As Escolhas", em que Nicole repensa sua trajetória e percorre mentalmente vários caminhos em que não seria tão estressada e sobrecarregada, mas decide que o melhor destino foi mesmo que escolheu.

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"Zootopia"

A mensagem do filme animado lançado em 2016 é a importância de se respeitar a diversidade e combater qualquer tipo de preconceito. Nada melhor, portanto, do que ter como heroína a coelha Judy, uma feminista de mão cheia: ela se recusa a ser chamada de "fofa", escolhe uma profissão tipicamente masculina (a de policial), não se rende ao bullying sofrido no trabalho pelos colegas e pelo chefe abusivo e machista e, o melhor, não cai na chantagem emocional dos pais - que, mesmo amorosos, seguem ideias antiquadas e não querem que a filha avance numa carreira arriscada e que "não é para ela". Aliás, há uma cena que mostra exatamente como o discurso dos pais pode impactar de forma negativa nos filhos, que como uma esponja absorvem seus preconceitos: ao aplicar uma multa, Judy ouve de uma criancinha: "Minha mãe disse que você é mal-amada!".

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"Star Vs As Forças do Mal"

Exibido pela Disney Channel e pela Disney XD no Brasil, "Star" também trata de uma história de crescimento, no caso o de uma princesa alienígena que vem fazer intercâmbio na Terra e passa uma temporada na casa de Marco, um adolescente filho de imigrantes mexicanos. Meio amalucada e infantil no início da trama - embora cada episódio se "feche" em si mesmo, o capítulos integram uma espécie de saga -, Star vai aos poucos amadurecendo e se conscientizando das responsabilidades que deve cumprir em seu reino, Mewni. O desenho brinca o tempo todo com os estereótipos que rondam as figuras femininas, desconstruindo todos eles. Um bom exemplo é a existência do Santa Olga, um reformatório para princesas desobedientes cujo tratamento consiste em acabar com qualquer resquício de individualidade das alunas e transformá-las em seres dóceis e submissos.

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Imagem: Divulgação

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